Terapia Analítico-Comportamental Infantil: Estratégias de intervenção associadas a brincadeiras

Giovana Del Prette*
Universidade de São Paulo

Na Terapia Analítico-Comportamental Infantil (TACI), o brincar em sessão é referido tanto como um modo de avaliação de repertório, como de ensino de comportamentos. Neste estudo, o brincar foi definido como o conjunto de procedimentos que utilizam atividades lúdicas (jogo ou brinquedo) como mediadoras da interação terapeuta-cliente.

Com o objetivo de descrever e desenvolver uma metodologia de análise da interação terapêutica em TACI, foram estudadas oito sessões de atendimento de duas crianças, de seis e oito anos de idade, em que a terapeuta era a própria pesquisadora. As sessões foram transcritas e os comportamentos da terapeuta e das crianças categorizados de acordo com o sistema de Zamignani (2006, em elaboração). Para caracterizar a especificidade da interação com as crianças, foi acrescentado um eixo de análise constituído de seis categorias, definidas pela relação entre a fala e a brincadeira corrente: (1) Brincadeira-Lúdico; (2) Fantasia-Lúdico; (3) Cotidiano-Lúdico; (4) Cotidiano Extra-Lúdico; (5) Brincadeira Não-Lúdico e (6) Não-Lúdico. De acordo com os resultados obtidos, cerca de 68% dos episódios verbais foram categorizados como Brincadeira-Lúdico ou Fantasia-Lúdico, demonstrando a importância desse tipo de interação em TACI. Ao brincar, a terapeuta pôde utilizar estratégias comportamentais como modelação, bloqueio de esquiva e extinção. Foram também identificadas e definidas estratégias típicas da interação com crianças, aqui destacando-se o direcionamento do relato ou do comportamento, o desafio, a estruturação de brincadeiras e da sessão, as narrativas em jogos, o uso de humor e exclamações e a contestação.

 A ocorrência de comportamentos-queixa e de comportamentos de melhora foi maior durante o brincar e, por esta via, brincar facilitava a observação e a intervenção direta sobre os comportamentos das crianças, e não apenas sobre os relatos de comportamentos, mais comuns na terapia com adultos. Não obstante as crianças apresentarem queixas semelhantes, os resultados mostraram que as intervenções realizadas foram diferenciadas, em função não apenas da diferença de idade como também da funcionalidade de seus comportamentos. Sao apresentadas implicaçoes dos resultados para a pesquisa sobre relaçao terapeutica e para a prática no atendimento clínico infantil.

CNPq

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