Acesso a pontuação do outro no jogo dilema do prisioneiro

Maria Martha Costa Hübner
USP/São Paulo

Pedro Bordini Faleiros

USP/UNIMEP/UNIARARAS

Raquel Zacharias, Viviana Ferrante, Adriana Leme, Juliana Mesquita, Raquel Deperon.
UNIARARAS

No jogo Dilema do Prisioneiro, uma resposta “cooperativa” é considerada, quando o jogador é recíproco com o outro de modo a reforçar o comportamento do “oponente”, enquanto que uma resposta “delatora” é considerada, quando o jogador pune a resposta do outro. Uma variável ainda não investigada por analistas do comportamento, quando o jogo dilema do prisioneiro é utilizado para estudar cooperação é o acesso à pontuação do outro, que tem sido utilizada apenas em estudos de competição. O objetivo do estudo foi verificar se o acesso a pontuação do outro pode afetar a escolha “cooperativa” no jogo dilema do prisioneiro. A estratégia utilizada foi a tit-for-tat (toma lá e da cá). Tal estratégia visa a reciprocidade do oponente, na próxima tentativa, ou seja, caso o participante escolha por “cooperar”, o oponente emite uma resposta  “cooperativa” na próxima tentativa, caso o participante escolha “delatar”, o oponente escolherá uma resposta “delatora” na próxima vez. 17 estudantes universitários foram submetidos a um programa de computador, que estava programado para jogar o tit-for-tat. Porém era informado ao participante, que ele estava jogando com um outro participante. Uma única sessão de 100 tentativas era realizada.

Os participantes foram divididos em três grupos. O grupo 1, com 5 participantes, em que o acesso era apenas a própria pontuação; grupo 2, com 6 participantes, em que o acesso ocorria a própria pontuação e a do outro ocorria em todas as tentativas e o grupo 3, com 6 participantes, em que o acesso a própria pontuação ocorria em todas as tentativas e acesso a pontuação do outro ocorriam em algumas tentativas randomicamente. Todos os participantes do grupo 1 passaram a “cooperar” no decorrer da sessão, replicando os dados de estudos anteriores em que o tit-for-tat promoveu “cooperação” com humanos. No grupo 2, 5 dos participantes também “cooperaram” e apenas um deles emitiu mais respostas “delatoras”.

A possibilidade de acesso a pontuação do outro em todas as tentativas pode ter tornado discriminativo o grau de reciprocidade do “oponente”. No grupo 3, dos 6 participantes, apenas 1, mostrou uma tendência em “cooperar”. Com base nos dados obtidos, pode ser identificado que a possibilidade de ter acesso à pontuação do outro é uma variável relacionada às escolhas no jogo dilema do Prisioneiro. O grau de discriminação em relação a probabilidade de reciprocidade do outro jogador pode ter influenciado nas repostas “cooperativas” dos participantes. Os dados são considerados preliminares e novos estudos serão conduzidos com intuito de identificar as variáveis relacionadas à cooperação no jogo dilema do prisioneiro.

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