Avaliação das figuras de um programa de ensino de leitura e escrita através de uma tarefa de nomeação

Débora Corrêa de Lima*; Deisy G. de Souza; Julia Zanetti Rocca
Universidade Federal de São Carlos

A concepção teórica da equivalência de estímulos compreende o repertório de leitura e escrita como uma rede de relações comportamentais entre estímulos e estímulos e entre estímulos e respostas. O módulo 1 do programa de ensino da Unidade de Iniciação a Leitura (UNILEI) baseia-se nessa concepção para ensinar palavras simples (do tipo consoante-vogal) a crianças com dificuldades de aprendizagem. O programa inclui conjuntos de palavras ditadas, palavras impressas e figuras. O objetivo desse estudo foi avaliar 17 das figuras utilizadas nesse procedimento na tarefa de nomeação através de dois experimentos. No Experimento 1 participaram 10 crianças de 9 a 12 anos que não tiveram contato prévio com o programa de ensino e, provavelmente, nem com suas figuras. Essas crianças realizaram uma avaliação informatizada de nomeação das 17 figuras selecionadas. Sete dessas figuras foram nomeadas com os nomes correspondentes às palavras utilizadas no programa de ensino. Para as demais, outras respostas foram obtidas e a análise das respostas alternativas revelou três padrões principais. Algumas das figuras eram nomeadas com palavras sinônimas não definidas no programa, outras eram nomeadas com nomes de outros objetos não relacionados e, finalmente, algumas recebiam a resposta "não sei". Esses resultados podem indicar que para as figuras com maior freqüência da resposta “não sei” estão representados objetos que não fazem parte do cotidiano da criança. Para as outras três figuras nomeadas com referência a outros objetos, as dificuldades de nomeação podem relacionar-se à representação inadequada no desenho. Para as duas figuras nomeadas com nomes diferentes dos usados no programa, sua utilização no procedimento de ensino pressupõe um treino de vocabulário. Para duas figuras os dados obtidos mostraram-se inconclusivos e são necessárias investigações complementares. No Experimento 2 foram avaliadas 14 crianças de 9 a 12 anos, sendo que metade delas estavam no início do programa de ensino e as outras o concluíram recentemente. As crianças que terminaram o programa obtiveram melhor desempenho na nomeação das figuras do que aquelas que estão no início. Além disso, as figuras para as quais os participantes desse segundo experimento apresentaram dificuldade são, em geral, as mesmas do primeiro experimento. Para sete das figuras, o índice de nomeação utilizando a palavra adequada manteve-se baixo mesmo após a aplicação do programa. Esses resultados indicam a necessidade de aperfeiçoamento desse conjunto de estímulos.

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