Considerações sobre o ensino de matemática em uma escola estadual de Dourados-MS

Felipe Maciel dos Santos Souza*, Aletéia Henklain Ferruzzi
Centro Universitário da Grande Dourados

Este trabalho foi iniciado durante o período em que foram realizadas as atividades de Estágio Supervisionado em Psicologia Escolar I e, também, de Prática de Ensino de Psicologia e Estágio Supervisionado II, em uma escola da rede estadual, na cidade de Dourados – MS. Após ser realizada a caracterização da escola, a coordenação escolar apresentou aos acadêmicos a queixa de “mau comportamento” dos alunos da 8ª série do Ensino Fundamental, durante as aulas de Matemática. Considerando que “a Análise do Comportamento caracteriza-se pelo estudo de contingências e, portanto, pela análise das variáveis ambientais que afetam as respostas dos organismos” (Carmo; Prado, 2004, p. 120), identificou-se o que a direção rotulava como “mau comportamento”, chegando-se aos comportamentos de zombaria em sala de aula, e de não realizar as atividades e trabalhos. Posteriormente, foi realizado um plano de intervenção que consistiu em observar, duas vezes por semana, por 45 minutos, os comportamentos eliciados por 42 estudantes, de ambos os sexos, com idade entre 13 e 16 anos, da referida série, nas aulas de Matemática, durante os 2º e 3º bimestres de 2006. Entendemos que os comportamentos de zombaria em sala de aula, e de não realizar as atividades podem ser identificados como uma prática de contracontrole – “resposta decorrente de um processo de punição que visa esquiva da estimulação aversiva ou ataque ao agente punidor” (Teixeira Júnior; Souza, 2006), desta maneira observa-se que para Skinner (1968) o comportamento numérico (comportamento matemático), em épocas passadas, era estabelecido por controle aversivo explícito, e este processo foi substituído pelo controle aversivo sutil. Com a realização deste trabalho, verificamos o emprego de controle aversivo, corroborando com a posição defendida por Carmo e Prado (2004), de que a aprendizagem da matemática vem marcada a longo tempo pelo medo, pela aversão, pela fuga ou evitação de qualquer situação ligada ao estudo dessa disciplina. Observa-se, também, que trabalhar com um número elevado de alunos, que apresentam diferentes repertórios acadêmicos consiste em uma das dificuldades da ação do docente em sala de aula, o que nos leva a refletir quanto à praticidade da proposta de ensino individualizado. Ao realizar este trabalho nos deparamos com a questão que Hübner e Marinotti (2004) levantam de que a Análise do Comportamento tem obtido destaque e crescimento na área clínica, enquanto que suas contribuições para a área da educação têm sido pouco explorada, e “ainda menos, divulgada” (Hübner, Marinotti, 2004, p 9).

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