Inclusão Escolar: Identificação de práticas inclusivas e situações-problema; análise de como os professores conseqüenciam os comportamentos de uma aluno com deficiência.

Paola Bisaccioni; Enicéia Gonçalves Mendes
Universidade Federal de São Carlos

Embora não exista uma definição de comum acordo sobre a inclusão, há um consenso de que ela demanda uma reorganização das escolas regulares para atender às necessidades das crianças, o que enfatiza que  os obstáculos à  inclusão estão na escola e na sociedade e  não na criança. O presente estudo teve como finalidade investigar a prática de professores para descrever como eles desenvolvem seu trabalho quando um aluno com deficiência se encontra inserido em suas turmas. O estudo teve como objetivos específicos: identificar práticas pedagógicas inclusivas e situações-problemas vivenciadas pelos professores; e analisar como os professores conseqüenciavam os comportamentos de um aluno com deficiência. A pesquisa teve como participantes dois professores, sendo um do último ano do Ensino Infantil e um do primeiro ano do Ensino Fundamental, e uma criança com Síndrome de Down que esteve inserida nas turmas desses dois professores. 

A coleta de dados foi realizada em duas escolas públicas do interior de São Paulo. O procedimento para a coleta de dados consistiu em realizar dez sessões de observação de quatro horas cada nas turmas dos dois professores. Todas as sessões de observação foram registradas em diário de campo. Os episódios registrados foram catalogados, contendo: tipo de situação, descrição da atividade, descrição do episódio e sua classificação. Posteriormente, foram comparadas as freqüências de cada tipo de episódio e os tipos de situações em que eles ocorreram. Também através do diário de campo foram identificadas as formas de conseqüenciação utilizadas por cada professor. Na pré-escola, dos 36 episódios registrados, 19 foram classificados como situações-problemas e 17 como práticas inclusivas. Na primeira série, foram identificados 15 episódios, dentre eles, 10 situações-problemas e 5 práticas inclusivas. Em ambas as turmas, a maior proporção dos dois tipos de episódios foi encontrada na situação de atividade acadêmica. Quanto às formas de conseqüenciação utilizadas pelos professores, verificou-se que, na pré-escola, vários comportamentos adequados da criança foram conseqüenciados com elogios pela professora.

Com a utilização de várias práticas inclusivas, a professora da pré-escola aumentou a probabilidade de a criança receber reforços positivos. Na primeira série, poucos comportamentos adequados foram conseqüenciados dessa forma, sendo freqüentemente colocados em extinção pela professora. A maioria dos comportamentos inadequados da criança também foram conseqüenciados com atenção, aumentando de freqüência e poucas vezes colocados em extinção. Os freqüentes comportamentos inadequados de Felipe foram mantidos por reforçamento negativo, pois eles eram muito efetivos para o aluno conseguisse fugir e se esquivar das atividades acadêmicas, principalmente na primeira série. É imprescindível para o sucesso da inclusão que os professores regulares sejam capacitados a utilizarem práticas inclusivas que aumentem a probabilidade de ocorrer comportamentos adequados e a conseqüenciarem adequadamente os comportamentos dos alunos, principalmente nas situações-problemas.

CNPq

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