Treinamento em habilidades sociais em indivíduo portador de deficiência: Um estudo de caso

Marta Regina Gonçalves Correia; Olga Maria Piazentim Rolim Rodrigues;
Ana Claudia Moreira Almeida-Verdu

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP – Bauru)

O Treinamento em Habilidades Sociais é utilizado como forma de promover repertórios socialmente desejados que maximizem os ganhos nas interações, possibilitando relações sociais satisfatórias e equilibradas. Para o portador de deficiência física que vive relações baseadas em estigmas, as interações muitas vezes não são satisfatórias, gerando baixa auto-estima, fuga ou esquiva de interações sociais, desconfiança ou contra-controle opositivo.O objetivo deste estudo foi descrever os efeitos de um treino em repertórios socialmente habilidosos na aquisição de desempenhos que maximizassem reforços por uma mulher de 45 anos, com deficiência física, tornando suas relações mais equilibradas e satisfatórias. As sessões de atendimento foram realizadas em uma clínica escola de um curso de Psicologia. Seu repertório em interações sociais foi avaliado antes e depois da intervenção. A avaliação antecedente identificou déficits em comportamentos de enfrentamento e auto-afirmação (F-1), auto-afirmação na expressão de sentimentos positivos (F-2), conversação e desenvoltura social (F-3), auto-exposição a desconhecidos e situações novas (F-4) e auto-controle da agressividade (F-5). Foram realizadas 35 sessões ao logo do ano oferecendo condições para a aquisição dos repertórios citados, partindo das reservas comportamentais da cliente. Os procedimentos adotados foram questionamentos, representação de papéis e solicitações de tarefas as quais auxiliavam na análise funcional das situações identificando o contexto, os envolvidos, repertório apresentado, as implicações imediatas (freqüentemente positivas) e atrasadas (freqüentemente negativas) da ação apresentada, identificação de alternativas e suas implicações assim como as dificuldades apresentadas. Foram realizados trinta e cinco atendimentos.

Os resultados obtidos apontam que inicialmente a cliente apresentou defasagem em assertividade. No entanto, após as intervenções, embora ainda permaneça abaixo da média esperada (50%), o desempenho da participante melhorou em 33,33 %. O mesmo pode ser observado nos fatores F1, de 5% para 38%, F2  9% para 49%, F3 de 5% para 49% e F4 de 15% para 23%. O Fator 05, que envolve a habilidade do auto-controle da agressividade decai de 31% para 25%. Este último resultado pode estar atrelado a uma maior exposição da participante em novas situações, as quais geram conflitos. Discute-se que o procedimento utilizado teve efeito positivo aumentando a freqüência de comportamentos de enfrentamento da participante, que conseqüentemente alterou a percepção de si mesma como deficiente. Ela passou a observar que pode obter vantagens e que suas interações socais sejam satisfatórias.

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