Neuro-Transmissor: A neurociência sem neura

CONSCIÊNCIA: uma abordagem fisiológica

Segundo a neurociência, o conceito clássico de consciência é o estado em que a pessoa possui controle de suas ações mentais e físicas. Ou seja, a consciência somente ocorre com a pessoa acordada e em alerta, e não dormindo, em coma ou sob anestesia geral. Atualmente, conceitua-se consciência como o estado que permite a resposta a determinados estímulos e também à integração de todos os processos mentais. Pode-se citar como exemplo uma situação corriqueira: ir até o local de trabalho. Nossa mente pode estar dirigida para vários pensamentos, que não apresentam necessariamente relação com o ato de se locomover até o trabalho. Dessa forma, existe um comando mental automático que não é percebido.

A consciência se expressa pela capacidade de mudar voluntariamente a direção da atenção, criar idéias abstratas e expressá-las por meio de palavras ou outros símbolos, prever a significação de seus atos e ser capaz de posicionar-se frente aos valores éticos e estéticos do meio em que se vive.

No cérebro, 75% dos neurônios formam áreas de associação responsáveis pela integração de informações correntes com outras preexistentes, emocionais e cognitivas. Nas áreas de associação do lobo parietal são processadas as informações somatossensoriais, as quais são integradas as informações vindas de centros visuais (lobo occipital) e auditivos (giro temporal superior). Já as áreas do córtex frontal mediam decisões, planejam o futuro, e conferem a nós, humanos, o sentido de ética e moral.
 
Os neurônios dessas áreas formam agrupamentos  conhecidos como minicolunas – os quais estão dispostos de forma vertical em relação à espessura cortical. Estas minicolunas são unidades morfológicas de caráter  permanente e fazem conexões com suas vizinhas formando assim colunas que são as unidades básicas para a formação das Assembléias Neuronais. Estas são unidades de caráter transitório formadas pelas já acima citadas minicolunas.

A consciência ocorre a partir de um estímulo que ativa os neurônios e faz com que o neurônio transmita esta informação a outro neurônio por meio de sinais elétricos. Esses sinais são a fonte de energia para que a membrana neuronal emita fótons. Quando esta emissão atinge a freqüência de 40 Hz, as membranas de milhões de neurônios passam a atuar ao mesmo tempo, formando uma Assembléia, e é neste momento que a consciência ocorre.

Existem situações em que a consciência pode ser “atrapalhada” por um estimulo qualquer. Um exemplo que ilustra essas situações é quando no meio de uma conversa com amigos você lembra que esqueceu de dar comida para o seu cachorro. A informação lembrada de dar comida para o cachorro não atrapalha, em condições normais, o andamento da conversa. A “invasão” desta mensagem ocorre porque uma dessas minicolunas que continha esta informação foi liberada subitamente em alguma área associativa. Esta aparente, porém falsa, simultaneidade ocorre devido à rápida substituição de uma minicoluna, por outra, mas que acontece, no entanto, sem eliminar a anterior. 

Dessa forma, o pensamento acontece quando neurônios de diversas minicolunas se reúnem formando colunas que atuam juntos e ao mesmo tempo construindo uma Assembléia que inicia a formação de um estado consciente podendo formar-se em qualquer área de associação.

João Roberto de S Silva é estudante de psicologia da UPM-SP. [joaorssil@ig.com]

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