Neuro-Transmissor: Reflexões sobre Neurociência

O Ciclo Vital do Sistema Nervoso e a Neuroplasticidade

Atualmente, um princípio fundamental para a Psicologia é: “Tudo que é psicológico é ao mesmo tempo biológico”, ou seja, cada pensamento, emoção é também um acontecimento biológico. Relacionamos com o mundo através do corpo, e este corpo, desde o desenvolvimento embrionário até a morte, passa por sucessivas transformações.

O sistema nervoso surge no embrião, no estágio de nêurula, como uma placa de células ectodermicas que proliferam e se transformam em um tubo cilíndrico. Este tubo cresce transformando-se em uma estrutura composta de vesículas precursoras das grandes regiões do sistema nervoso.
A partir disso ocorre uma gradativa especialização dos neurônios juvenis, sua agregação, e a formação dos circuitos neurais entre eles. As células nervosas se multiplicam, e adquirem suas características morfológicas, funcionais e químicas, estando prontas para estabelecerem sinapses. A fi nalização deste processo consiste na eliminação seletiva de neurônios e mielização dos axônios.

Contudo os neurônios podem mudar sua função e forma em resposta a ação do ambiente externo. Esta capacidade de adaptação dos neurônios é chamada de neuroplasticidade. A neuroplasticidade age com mais intensidade durante o desenvolvimento e diminui durante a vida adulta, porém sem se extinguir. A neuroplasticidade, ou simplesmente plasticidade, pode agir na regeneração, plasticidade axônica, sináptica, dendrítica e somática.
A regeneração é a reconstituição, através do crescimento, dos axônios lesionados. Ocorre principalmente no sistema nervoso periférico, graças às células não neurais localizadas no microambiente dos tecidos, as quais facilitam o processo.

Já no sistema nervoso central esta regeneração não ocorre, pois
existem células que produzem mielina. A plasticidade axônica e dendríticas é máxima durante o período crítico, fase na qual o sistema nervoso central é mais adaptável às transformações provocadas pelo meio ambiente,
no desenvolvimento, e de modo limitado na vida adulta. Já a plasticidade sináptica está relacionada ao aumento ou diminuição da transmissão dos sinais sinápticos. A plasticidade somática é a capacidade de regular a produção e morte das células nervosas.

A morte das células ocorre devido ao envelhecimento do cérebro, pois ocorre uma dificuldade em sintetizar as substâncias necessárias para seu funcionamento, e pela formação de substâncias estranhas que se depositam no tecido nervoso. A neuroplasticidade, apesar de seu valor compensatório, nem sempre consegue restaurar as funções perdidas pela morte celular, fazendo com que o individuo apresente sintomas degenerativos como defi ciências motoras, (que contribuem para o aparecimento de outras difi culdades: circulatórias, respiratórias entre outras), cognitivas e psicológicas, cujo resultado fi nal é a morte.

João Roberto é aluno de Psicologia – UPM/SP.
[joaorssil@ig.com.br]

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