Orçamento financeiro-afetivo do casal

“Renato, 35 anos, casado, Técnico de Informática, trabalha em horário comercial em uma empresa no centro da cidade. Além do tempo que fica no trabalho, ainda perde muitas horas no trânsito na ida e na volta para casa. Suas expectativas quanto ao seu casamento e os papéis dele e de sua esposa: “Gosto de saber que ao chegar em casa vou encontrar tudo em ordem e poderei enfim descansar um pouco. No fim do dia, tudo o que eu quero é chegar em casa, tomar um bom banho, jantar e sentar no sofá para assistir o jornal e a novela. Geralmente, durmo cedo, pois tenho que acordar muito cedo para ir trabalhar”.
"Paula, 32 anos, casada, dona de casa. Suas expectativas quanto ao seu casamento e os papéis dela e de seu marido: “Como não trabalho fora, todo o trabalho de casa acaba sempre ficando pra mim; trabalho em tempo integral, pois parece que o trabalho de casa não acaba nunca. O meu marido trabalha fora, somos casados há dois anos, mas custa me ajudar um pouco quando chega do trabalho? Afinal de contas, já fiquei o dia inteiro fazendo tudo sozinha… e depois que ele chega e sente no sofá, ainda tenho uma série de coisas para deixar organizado para o outro dia. Fico muito cansada, pois ele não me ajuda”. Dois relatos aparentemente comuns, talvez até banais nos dias de hoje, tamanha é a recorrência dessas queixas, não é mesmo? Paula e Renato poderiam ser de cidades diferentes e classe social diferentes?

Poderiam. Mas Paula e Renato são casados, um com o outro. Formam um casal. É nesse ponto que o problema surge. Suas expectativas em relação ao casamento e aos seus papéis como homem e mulher não são congruentes, tampouco claras para ambos. Acreditam que suas expectativas, de tão óbvias, não precisam ser ditas. Enganam-se.Muitos casais chegam ao consultório com queixas sobre o parceiro, sobre o casamento e o orçamento doméstico. “Eles” de uma maneira geral reclamam de “como elas gastam dinheiro fácil”, de que “não dão valor ao seu trabalho”. Por outro lado, “elas” reclamam de como eles são econômicos, que “nunca mais a convidaram para ir ao cinema ou jantar fora”.Em uma coisa eles concordam, sempre se aborrecem por acreditarem que estão perdendo tempo e brigando por besteira. Vejam só, brigando por dinheiro!! E é aí que mora o perigo. Desde quando dinheiro não é importante? Essa estória de que vivemos muito bem sem ele está mal contada. Depende de como você utiliza o seu dinheiro e com que finalidade. Principalmente em um casamento, onde a sua estória e suas finanças vão de encontro à estória e orçamento de uma outra pessoa. Ou não vão?A relação que as pessoas têm com o dinheiro pode dizer muito de sua personalidade. As contas e despesas em comum já começam no próprio namoro. Com o noivado tendem a ficar mais séria. Após o casamento, o casal se vê muitas vezes, tendo que negociar compras, pagamentos e planos para o futuro.

De acordo com o site Mais Dinheiro (http://www.maisdinheiro.com.br), depois da infidelidade, desentendimentos em relação ao dinheiro são a maior causa de separações de um casal.

Isso porque as pessoas têm formas diferentes de lidar com o dinheiro. E, com o casamento, as prioridades precisam ser pensadas a dois, para que nenhum dos parceiros fique sobrecarregado.

Se o seu marido é do tipo que prefere pagar todas as contas e despesas da casa sozinho, embora você também trabalhe e isso não é um incômodo pra você, então, não deve ser incômodo pra ninguém. Mas, quem vai pagar qual conta, que despesas serão divididas e o que é despesa individual, precisa ser negociado e constantemente conversado para que não se crie mau entendido.

Cuidar das finanças pessoais, nunca foi fácil, é preciso ter disciplina e força de vontade. Quando as finanças passam a ser do casal, você pode ganhar um aliado ou um inimigo. Fazer planos juntos, de viagens, compras e cursos pode ser uma fonte de motivação para se conseguir manter as despesas em dia e o orçamento fora do vermelho. Quando se alcança o objetivo, tem-se a sensação de que toda a economia valeu à pena.

Casais que não tem planos para suas finanças ou não se organizam para tal, têm mais dificuldades de alcançarem estabilidade, social e também afetiva (enquanto casal). Lidar de forma responsável e objetiva com o dinheiro demonstra maturidade e comprometimento com o parceiro.

Alguns casais se sentem constrangidos em falar de dinheiro, chegando a não saber quanto o parceiro ganha ou com o que ele gasta. Não estamos aqui falando de centavos gastos com balas e cafezinho, mas com o salário recebido mensalmente. Acham que com isso, estão respeitando a privacidade do parceiro. Isso é uma bobagem. Ignorância e desconhecimento, não são nem nunca foram sinônimos de respeito pelo dinheiro alheio.

Saber quanto o seu parceiro (a) recebe e quanto está disposto (a) a compartilhar com gastos comuns com você; entender que é necessário para todos ter aquele dinheirinho para tomar uma cerveja com um amigo, comprar um livro ou CD, sem se sentir culpado com isso, isso sim é respeitar a individualidade do parceiro (a).

Justo vai ser o dia em que Renato ao chegar em casa, perceber o quanto sua esposa trabalhou para manter a ordem de tudo, enquanto ele trabalhava fora. Paula vai perceber o quanto reclamar não resolve as coisas, e que é preciso ser mais assertiva, convidar a uma conversa. Ambos então, terão a possibilidade de quem sabe inverter seus papéis por um dia ao menos, para sentirem as expectativas e responsabilidades do outro e com isso serem mutuamente mais sensíveis.

Individualidade e conjugalidade precisam andar juntos, não são inimigos e sim complementos. Como deveria ser a renda de um casal.
Para aquelas mulheres que se negam a dividir uma conta no restaurante ou pagar a conta de gás, restam estudos e pesquisas. Ainda são um mistério pra mim.


Referências:

http://www.maisdinheiro.com.br/listaartigos/artigodinheiroadois.htm

http://www1.uol.com.br/vyaestelar/dinheiro_casamento.htm

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/reportagens/na_saude_e_na_ doenca.htm

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