Acompanhamento Terapêutico: Interações no ambiente natural

Filipe Augusto Colombini; Luciana Coltri AMBAN-HCFMUSP

O presente trabalho apresenta o relato de um caso clínico de Acompanhamento Terapêutico (At) através da ótica do Behaviorismo Radical, realizado por dois acompanhantes/estudantes (Ats) de um curso teórico/prático com supervisão de uma psicóloga comportamental.

Destaca-se que o trabalho de acompanhamento terapêutico ainda é uma prática nova de atuação no campo da saúde mental, como uma alternativa para hospitalizações; além da influência dos modificadores de comportamento e está ganhando cada vez mais espaço entre os profissionais da saúde. No caso dos profissionais que trabalham com a abordagem Behaviorista, a demanda parte principalmente de psiquiatras que encaminham pacientes cujas características refletem quadros psicopatológicos graves, como transtornos de ansiedade, sintomatologia psicótica, transtornos afetivos e outros tipos de problemas crônicos. Entretanto, o trabalho do At ainda se encontra em fase de consolidação tanto teórica quanto técnica, refletindo-se na escassez de publicações atualizadas sobre a atuação.

A cliente Y. teve o diagnóstico inicial de depressão maior, porém por conta de mudanças topográficas de comportamentos, como a euforia intensa (mania), excitação e quadros de alucinações auditivas, começou-se a pensar em transtorno bipolar. A cliente apresentava, além do diagnóstico de transtorno de humor, trombose e quando iniciou o tratamento com os acompanhantes acabara de ter uma filha, situações estas que pioraram os quadros depressivo e ansioso. A vida de Y. sempre teve várias contingências que contribuíram para o desencadeamento de seu transtorno de humor. Sua mãe era diagnosticada com esquizofrenia, e seus pais eram separados desde que nascera. Y. não tinha boas recordações de sua infância.

Os objetivos selecionados pelos Ats e a supervisora foram direcionados para a queixa principal, que era a depressão em si, que não a permitia cuidar de si mesma e da filha. Porém, com o tempo, queixas secundárias, mas não menos importantes, apareceram: agressividade, impulsividade, falta de assertividade, medo de sair de casa e insegurança.

O acompanhamento foi bem sucedido, pois permitiu que Y. organizasse sua rotina, cuidasse mais de si mesma, diminuísse sua ansiedade de não conseguir cuidar da filha, controlasse sua agressividade, adequasse sua assertividade, saísse de casa sem ficar ansiosa e iniciasse o desmame de sua filha, a fim de que pudesse tomar a medicação adequada para seu quadro.

Contudo, para se alcançar essas vitórias, alguns obstáculos foram encontrados como o fato da casa da cliente estar sempre cheia de gente, sua auto-regra de ser igual à mãe e os processos de esquivas encontrados, como cuidar da filha nos momentos em que alguma atividade aversiva havia de ser realizada.

A partir deste estudo, pretende-se a promoção de novas discussões a respeito da atuação do acompanhante terapêutico e de sua inserção em caráter de urgência em equipes de saúde mental.

AMBAN-HCFMUSP

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