Comportamento De Alucinar Em Um Caso Clínico De Esquizofrenia

Adriana Leme; Raquel Zacharias Duarte Uniararas Dra. Rosana Righetto Dias Uniararas

Este trabalho apresenta um estudo de caso atendido na clínica-escola do Serviço de Psicologia em uma cidade do interior de São Paulo, que objetivou identificar as possíveis variáveis envolvidas na emissão do comportamento de alucinar de uma mulher de 53 anos, com a apresentação de diagnóstico psiquiátrico (quadro de esquizofrenia). À luz dos princípios comportamentais propostos pela filosofia do Behaviorismo Radical foram identificadas as contingências envolvidas nas respostas de alucinar. O pareamento dos estímulos internos ao organismo, com a ausência ou excesso de medicamentos (estímulos externos) influenciam a emissão do comportamento de alucinar, relatando a cliente ver um homem que diz para ir embora ou para ela se matar, além de emitir respostas de se cortar, gritar e chorar. Como conseqüência a essas respostas, no momento em que alguém chega em casa ou o telefone toca, o comportamento de alucinar cessa, sendo reforçada negativamente. É discriminado também que janelas e portas abertas são estímulos discriminativos para a cliente, pois, nessas condições ambientais, aumenta-se a probabilidade dela alucinar. As condições que intensificam o comportamento de alucinar referem-se aos momentos que a cliente está sozinha em casa e a ausência ou excesso de medicamentos. Já as condições que diminuem a freqüência deste comportamento, relacionam-se aos seus filhos estarem em casa. É verificado também nas relações sociais estabelecidas entre a cliente, seus filhos, que quando ela está em casa com seus filhos, estes reforçam o seu comportamento de alucinar positivamente ao confirmarem suas respostas de alucinação.

Já os não familiares conseqüênciam este comportamento, verbalizando que a cliente está louca, punindo positivamente suas respostas. Deste modo, no contexto cultural ao qual a cliente está inserida, a emissão das respostas de alucinar é considerada inadequada, o que acarreta um comprometimento em seus vínculos sociais, pois, como efeito da punição, a freqüência de seu comportamento de sair de casa, conversar com as pessoas é reduzida, havendo assim, um déficit comportamental, na medida em que a cliente não é reforçada socialmente. Diante deste caso, o plano de tratamento focou como comportamento-alvo, o uso regular dos medicamentos e o desenvolvimento de alguma atividade social, com a função de resgatar comportamentos que foram sendo extinguidos e/ou instalar novos comportamentos, na medida em que a cliente obtém reforçadores sociais. Sendo assim, um trabalho interdisciplinar é relevante e está sendo desenvolvido entre a Psicologia, Psiquiatria e Educação Física. Até o presente momento, as respostas de alucinar diminuíram e a cliente aderiu à atividade física na piscina e por meio desta, seu comportamento apresenta algumas modificações, já que alguns reforços sociais estão sendo apresentados.

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