Paciente “poliqueixosa”: Intervenção Na Função Da Dor

Irina Iara Ikemori*; Graziely Cristina Oliveira Centro Universitário Hermínio Ometto – Uniararas Adriana Said Daher Baptista Centro Universitário Hermínio Ometto – Uniararas

Este atendimento objetiva corroborar sobre o encaminhamento solicitado ao Serviço de Psicologia da Clínica-escola de Fisioterapia da Uniararas pelo setor da Ortopedia. A paciente foi encaminhada com a seguinte queixa: “paciente poliqueixosa”. A partir disso, a paciente foi informada sobre a realização de uma avaliação psicológica devido ao seu comportamento, no caso, “poliqueixoso”, apresentado nas sessões de fisioterapia. A paciente foi atendida em nove sessões pela estagiária de psicologia, que através da triagem psicológica, levantou possíveis variáveis que poderiam estar interferindo neste comportamento “poliqueixoso”. Buscou-se informações com as pessoas envolvidas, neste caso, a paciente, a família e o estagiário de fisioterapia.

Ao analisar funcionalmente as contingências, discriminou-se que a paciente apresentava comportamento “poliqueixoso” devido às fortes dores no joelho; as respostas evocadas pelo estímulo “dor” tinha como conseqüência a esquiva da paciente para com o tratamento fisioterápico. Sendo assim, o objetivo do tratamento psicológico foi investigar as contingências que mantinham o comportamento de sentir dor. No atendimento com a família, notou-se a variável da ausência dos medicamentos. Então, por meio da assertividade, foi discutido com a família o comportamento em déficit, assim sendo, orientada para que buscasse os remédios no posto médico, bem como medicar a paciente em horários e quantidade adequada evitando a esquiva do tratamento fisioterápico. No entanto, mesmo com a medicação a paciente ainda se queixava, emitindo comportamentos verbais como: “vai doer, eu tenho certeza que vai doer, melhor você nem tocar”, ou ao tocá-la, a paciente gritava, fazendo com que o estagiário não realizasse seu trabalho, agindo assim, a paciente mantinha o controle da situação. Desta forma, a psicologia ajudou-a a discriminar que a dor não tinha relação com o toque, mas com a falta de medicamento. O estagiário foi orientado a não manter, através de reforço negativo, o comportamento da paciente, dando funcionalidade ao seu comportamento. A intervenção psicológica propiciou a adequação da paciente às sessões de fisioterapia permitindo assim, dar continuidade ao tratamento. Assim, percebeu-se uma evolução no quadro clínico da paciente, bem como a diminuição das queixas, a permissão do toque e a adesão da família, que passou a medicar corretamente a paciente evitando estímulos aversivos (a dor).

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