Depressão no idoso

Resumo:

A depressão é o problema psicológico mais comum no idoso. Embora seja comumente negligenciada no idoso, ela é, na realidade, bastante tratável. O importante seria a identificação das causas,pois é possível encontrar todos os tipos de depressão entre os idosos, desde a recorrência da depressão bipolar, depressão maior crônica, distúrbio distímico agravado pelas condições de vida, distúrbios de ajustamento a outros transtornos orgânicos, afetando dramaticamente a resposta do paciente idoso à reabilitação. A atividade física, quando regular e bem planejada, contribui para minimização do sofrimento psíquico do idoso deprimido, além de oferecer oportunidade de envolvimento psicossocial, elevação da auto-estima, implementação das funções cognitivas, com saída do quadro depressivo e menores taxas de recaída. O objetivo deste artigo foi realizar uma revisão bibliográfica sobre depressão em idosos, fazer uma abordagem global e relacionar aos benefícios da atividade física.

Introdução

O envelhecimento é hoje um fenômeno universal, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. No Brasil, impressiona a rapidez com que tem ocorrido, visto que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano de 2025, a população idosa no Brasil crescerá 16 vezes, contra cinco vezes da população total. Isso classifica o país como a sexta população do mundo em idosos, correspondendo a mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (OMS, 2006). Esse aumento da população idosa esta associado à prevalência elevadas de doenças crônico-degenerativas, dentre elas aquelas que comprometem o funcionamento do sistema nervoso central, como as enfermidades neuropsiquiátricas, particularmente a depressão. Embora o envelhecimento mental possa apresentar um lentificação dos processos mentais, isto não representa perdas de funções cognitivas.

Todo ser humano em qualquer fase de sua vida pode experimentar sintomas depressivos. Nos idosos a probabilidade de padecer desta doença é ainda maior, pois apresentam inúmeras limitações e perdas, tendo como conseqüências sentimentos de autodepreciação (ZIMERMAN, 2000).

A depressão é o problema psicológico mais comum no idoso. Embora isso também seja verídico em outras faixas etárias, a depressão permanece comum um problema significativo encontrado por  profissionais que trabalham com o idoso.

Frequentemente se observa que o idoso deprimido passa por uma importante piora de seu estado geral e por um decréscimo significativo de sua qualidade de vida. A gravidade da situação reflete-se na alta prevalência de suicídio entre a população de idosos deprimidos (BALLONE, 2001).

A atividade em geral, seja física ou de outra ordem, é uma variável frequentemente citada na literatura como sendo de grande relevância para qualidade de vida na velhice.

O exercício físico, o chamado aeróbio, realizado com intensidade moderada e longa duração, propicia alívio do estresse ou tensão, devido a um aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas que agem sobre o sistema nervoso, reduzindo o impacto estressor do ambiente e com isso pode prevenir ou reduzir transtornos depressivos, o que é comprovado por vários estudos (STELLA, 2002).

Contudo, não adianta ter só habilidade física e esquecer da emocional e social. O exercício físico deve ter estratégias que associem a ação mecânica com a ação mental, contribuindo para a melhora global das habilidades do idoso e evitando o declínio que naturalmente acompanha a velhice.

A importância em se diagnosticar esse quadro, é que, ao se estabelecer à terapia indicada, devolve-se ao indivíduo a capacidade de amar, pensar, interagir e cuidar de pessoas, trabalhar, sentir-se gratificado e assumir responsabilidades.
Neste artigo são apresentados as características do idoso deprimido, os modelos de depressão, a prevalência, tratamento medicamentoso e os benefícios da atividade física.

Metodologia

Para a realização deste estudo, escolheu-se como eixo condutor a pesquisa bibliográfica que permitiu uma investigação a partir do material já elaborado, livros e artigos científicos relevantes para o objeto do estudo, que teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre depressão em idosos, fazer uma abordagem global e relacionar aos benefícios da atividade física.

Desenvolvimento e envelhecimento 

Segundo a Psicologia do Desenvolvimento, fazer uma definição do desenvolvimento não é uma tarefa fácil, pois esta está de certa forma relacionada ao desenvolvimento infantil, apesar de não se restringir às faixas etárias e que tem sido vista como o desenvolvimento dos indivíduos ao longo de sua vida, principalmente no envelhecimento.

Assim sendo, um processo ao longo da vida, o tempo não pode ser tomado como um para padrão de comportamentos, muito menos tomar uma idade cronológica, pois o tempo não é uma variável de comportamento. Com isso, a Psicologia do Desenvolvimento não se interessa pelas mudanças em função do tempo, e sim, pelos processos intra-organísticos e a influencia do meio externo ao indivíduo dentro de uma determinada faixa de tempo (BARROS, 2002).

No caso da velhice e do envelhecimento, a Psicologia do Desenvolvimento tem estudado esta fase da vida do ser humano na busca de resolver uma ambigüidade: se o envelhecimento é processo de desenvolvimento ou um processo de perca do desenvolvimento.

Por muito tempo o envelhecimento foi considerado como o caminho contrário ao desenvolvimento, pois era visto como sinônimo de doença e de um problema a ser resolvido. Esta era uma visão limitada e unidimensional sobre o envelhecimento. Com o avanço dos estudos e pesquisas, assim como de discussões, tem-se chegado a desenvolver um conceito sobre a velhice e desenvolvimento onde seriam processos concorrentes onde na velhice estes processos são tidos como perdas, e a evolução, no caso de uma criança são tidos como ganhos (BIAGGIO, 1988). Esta visão traz consigo a idéia multidimensional nos processos de desenvolvimento e envelhecimento, buscando compreender os processos envolvidos em ambos os casos e dar respostas mais adequadas que garantam bom desenvolvimento e bom envelhecimento dos seres humanos.

Os critérios adotados para se estabelecer o início e os eventos no ciclo vital dependem de parâmetros sociais, e não do tempo cronológico, pois este serve apenas para indicar os processos de desenvolvimento e de envelhecimento, usando a escala de tempo como referencial.

De acordo com Neri (2001), o desenvolvimento e o envelhecimento podem ser analisados como uma seqüência de mudanças previsíveis, de natureza genético-biológica, que ocorrem ao longo das idades e por isso são chamadas de mudanças graduais por idade.

Dessa forma, o envelhecimento compreende os processos de transformações do organismo que ocorrem após a maturação sexual e que implicam a diminuição gradual da probabilidade de sobrevivência.

O envelhecimento causa a diminuição da plasticidade comportamental, o que também diminui a capacidade de reagir e recuperar-se do efeito de eventos estressantes, no entanto, os mecanismos de auto-regulação, mantêm-se intactos na velhice, ou seja, há uma continuação do funcionamento psicossocial e bem estar subjetivo, mesmo na presença de doenças e de outros fatores externos, que são considerados incompatíveis com a satisfação, por pessoas mais jovens.

Há também o desenvolvimento de um equilíbrio entre os ganhos e as perdas. Assim, a definição do que é ganho e do que é perda é bem controlada psicologicamente.

Ainda assim, o desenvolvimento pode assumir direções diferentes, onde ocorra crescimento em um domínio, e declínio em outro. Por exemplo, pode ter um declínio na memória operacional, e um crescimento na memória declarativa. Pode também progredir com respeito ao controle das emoções e sentimentos.

Neri (2004, p.44) ressalta que “o envelhecimento é uma experiência heterogênea, isto é, que pode ocorrer de modo diferente para indivíduos e coortes que vivem em contextos históricos e sociais distintos”. Essa diferenciação depende da influência de circunstâncias histórico-culturais, de fatores intelectuais, de personalidade e da incidência de patologias durante o envelhecimento normal. Assim, segundo a autora o estudo do desenvolvimento e do envelhecimento exige a contribuição de várias disciplinas como a psicologia, a biologia e as ciências sociais para que haja uma compreensão coerentes dos fenômenos evolutivos.

Velhice e conceitos gerais 

Conforme Neri e Freire (2000), ser idoso é um fim que afeta a todos, não há como escapar. Embora o idoso esteja levando uma vida mais produtiva que no passado, o declínio de certas capacidades prejudica a qualidade de vida.
          
Embora a expectativa de vida tenha aumentado, a duração da vida não. Isso porque os avanços nas pesquisas biomédicas e a introdução de aperfeiçoados tratamentos de saúde, permitiram que mais pessoas atingissem o fixado limite para a duração da vida, mas passando dos 85 anos, as pessoas morrem de velhice, apesar de muitos esforços, parece difícil prolongar por mais tempo nosso tempo de vida (OMS, 2006).
           
Nota-se que o desejo de controlar o envelhecimento é um anseio legitimo. A rejeição à terceira idade é um mecanismo de defesa natural do homem, mas sua aceitação como realidade junto a compreensão de que se pode ser plenamente feliz em qualquer idade é o melhor caminho para a longevidade.
          
O envelhecimento bem-sucedido é visto como uma competência adaptativa do individuo, ou seja, a capacidade generalizada para responder com flexibilidade os desafios resultantes do corpo, da mente e do ambiente. Esses desafios podem ser biológicos, mentais, autoconceituais, interpessoais ou socioeconômico. Essa competência adaptativa é multidimensional, é emocional, no sentido de estratégias e habilidades do individuo, para lidar com os fatores estressores, cognitiva, em relação à capacidade para a resolução de problemas, e comportamental, no sentido de desempenho e da competência social. (NERI, 2004)
           
Como competência adaptativa, o envelhecimento envolve a preservação e a expansão das reservas para o desenvolvimento pessoal. Está relacionado à qualidade de toda uma vida, o que depende dos acontecimentos vivenciados pelo individuo desde a gestação e de sua herança genética e dos fatores socioculturais, dessa forma os indivíduos envelhecem de forma mito diferenciada, dependendo de como organizaram suas vidas, das circunstancias históricas e culturais em que vivem e viveram, da ocorrência de doenças durante o envelhecimento e da interação entre fatores genéticos e ambientais.
           
Todo esse conjunto de fatores dará condições diferenciadas para cada individuo lidar com as perdas e as transformações decorrentes do envelhecimento, ou seja, para adaptar-se às transformações ocorridas em si e no meio em que está inserido. Considerando tais aspectos, pode-se concluir que o envelhecimento humano é um processo individual e diferenciado em relação às variáveis mentais, comportamentais, comportamentais e sociais.
           
Zimmerman (2000, p.19) afirma que a maior parte das características dos velhos não são peculiares a uma faixa etária, uma pessoa não passa a ter determinada personalidade porque envelheceu, ela simplesmente mantém ou acentua características que já possuía antes.

Envelhecer pressupõe alterações físicas, psicológicas e sociais no individuo. Tais alterações são naturais e gradativas, é importante salientar que essas alterações são gerais, podendo se verificar em idades mais novas ou mais avançada e em maior ou menor grau de acordo com as características genéticas de cada individuo e principalmente com o modelo de vida de cada um.
           
A experiência mostra que assim como as características físicas do envelhecimento, as de caráter psicológico também estão relacionadas com a hereditariedade, com a história e com a atitude de cada individuo.
           
As pessoas mais saudáveis e otimistas tem mais condições de se adaptarem às transformações trazidas pelo envelhecimento, elas estão mais propensas a verem a velhice como tempo de experiência acumulada de maturidade e liberdade para assumir novas ocupações e até mesmo de liberação de certas responsabilidades.
           
É preciso ver o envelhecimento como um processo que vai ocorrendo de forma gradual. Desde que nascemos estamos envelhecendo um pouco a cada dia. Uma pessoa não se torna velha de um dia pro outro, assim como não vai dormir criança e acordar adolescente, nem de adolescente passar a ser adulto de repente, tudo é um processo. Se soubéssemos nos adaptar às mudanças físicas, psíquicas e sociais que vão ocorrendo conosco ao longo da vida, o envelhecimento aos poucos irá se tornando uma realidade. Talvez seja necessário mudar comportamentos, adquirir novos hábitos e criar outra postura. É preciso ter coragem para enfrentar a terceira idade, para superar as perdas, continuar amando e tendo prazeres na vida.

Desde crianças devemos ser preparados para envelhecer e para olhar a velhice como uma etapa que depende da forma como nos comportamos ao longo da vida.
           
Se formos um adulto saudável e feliz, provavelmente seremos um velho com as mesmas características. Nem mesmo as doenças e as dificuldades físicas afetaria nossa afetividade e maneira de encarar a vida de acordo com a visão mais ou menos positiva que tivemos no mundo. Flexibilidade e equilíbrio são duas condições fundamentais para um envelhecimento sem traumas.

Aspectos Psicológicos

Além das alterações no corpo, o envelhecimento traz ao ser humano uma série de mudanças psicológicas.

Segundo estudos internacionais, 15% dos velhos necessitam de atendimento em saúde mental, e dentro desses !5%, 2% das pessoas com mais de 65 anos apresentam quadro de depressão, que muitas vezes não são percebidos pelos familiares e cuidadores, sendo encarados como características naturais do envelhecimento (NERI, 2004). Além de estarem sujeitos à depressão, os idosos são atingidos por estados de paranóias, hipocondria e outros transtornos.
O bem estar psicológico na velhice está relacionado à auto-estima, auto-conceito e auto-imagem, conceitos estes que desenvolvem parte de nossa personalidade, eles são essenciais para envelhecermos com saúde mental, pois na velhice é exigido uma auto-aceitação das próprias limitações em varias situações da vida, e nesta aceitação e o gostar de si próprio surge a paciência com as limitações que aparecem no decorrer do envelhecimento, mas para que tudo isso seja possível é necessário saber de quem gostar e a quem compreender. Não se trata de um excesso de valorização da nossa própria pessoa, de arrogância ou egocentrismo, e sim gostar daquilo que somos, reconhecendo e valorizando nossas habilidades e também aceitando nossas limitações.

Construir a identidade é diferenciar-se dos outros com uma impressão digital, que não se trata de um processo rápido mas exige tempo e experiência de vida, uma vez que conseguimos nos separar dos outros temos nossa própria identidade e o segundo passo é integrar-nos a outros, isso significa que a pessoa idosa assim como qualquer outra necessita saber quem é e também fazer parte de um grupo, pertencer ao meio para compartilhar os valores que possui.

Durante o envelhecimento todas as pessoas sofrem mudanças físicas, como rugas, cabelos brancos e mais ralos. Isso pode abalar a auto-estima de alguns, pois a aparência física é bastante valorizada pelos meios de comunicação, por outro lado algumas pesquisas mostram que quando se busca um relacionamento significativo, ela não é um fator importante, pois podem ser compensados, pois cada pessoa pode trazer para o relacionamento, suas qualidades, seus valores, sua capacidade de ouvir e compreender o outro, estes são fatores muito atraentes (ZIMERMAN, 2000).

Para que o idoso mantenha sua saúde mental é necessário encarar o futuro com esperança, mantendo uma saúde positiva para com a vida, manter a mente ativa, viver um dia de cada vez sem preocupar-se exageradamente com o futuro, manter o senso de humor, procurar não guardar magoas, ter um bom relacionamento com a família e grupos sociais, manter atividades que proporcione estimulo psicológico como afeto, sentimento de identidade, capacidade de tomar decisões e adaptar-se à novas situações.

Depressão na Terceira idade
 
Os idosos, por apresentarem características bastante peculiares das demais faixas etárias, requerem uma avaliação de saúde mais cuidadosa, a fim de identificar problemas subjacentes a queixa principal. Portanto faz-se necessário priorizar, no seu atendimento, a avaliação multidimensional, geriátrica abrangente ou avaliação global.

Muitas pessoas classificam a característica predominante da depressão com o humor deprimido, sentimentos de tristeza, desesperança, além da perda de interesse e prazer em atividades previamente prazerosas.
De acordo com Porcu et. al., (2002), em pacientes idoso, além dos sintomas comuns, a depressão costuma ser acompanhada por queixas somáticas, hipocondria, baixa auto-estima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do sono e do apetite, ideação paranóide, e pensamento recorrente de suicídio.

Em idosos deprimidos há maior probabilidade de sintomas somáticos inespecíficos, tais como suores, náuseas e palpitações, quando apresentam um transtorno de ansiedade conjuntamente com o quadro depressivo. Esta somatização produzida pela ansiedade concomitante à depressão tem importância clínica, já que esses pacientes podem confundir tais sintomas somáticos com efeitos colaterais de medicamentos, agravamentos de outras doenças.

De um modo geral, a clínica da depressão nos idosos é mais variada e atípica que no adulto jovem. Os idosos apresentam freqüentemente sintomas depressivos que nem sempre se ajustam aos requisitos necessários para categorias diagnósticas das classificações tradicionais (CID.10 e DSM.IV) (MIGUEL FILHO; ALMEIDA, 2000). Os sintomas mais freqüentes costumam ser inquietação psicomotora (depressão ansiosa), sintomas depressivos (insuficientes para categorias de diagnóstico formal), somatizações variadas, sinais de alterações vegetativas, perda da autoestima, sentimentos de abandono e dependência, eventuais sintomas psicóticos, déficit cognitivo variável, idéias de ou suicídio. Assim, é necessário um encaminhamento psicológico.

Os psicólogoss podem encontrar duas categorizações da depressão, sendo eles o episódio depressivo maior ou depressão endógena que deve apresentar pelo menos cinco dos seguintes sintomas, presentes durante um período de duas semanas, humor deprimido, interesse ou prazer acentuadamente diminuído, perda ou ganho de peso quando não em dieta, insônia ou hipersonia, retardo ou agitação psicomotora, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, capacidade diminuída de pensar ou de concentrar e pensamentos recorrentes de morte (BALLONE, 2001).

Zimerman (2000) enfatiza que no transtorno de adaptação com humor deprimido, depressão reativa ou secundária, os critérios são a presença de sintomas emocionais ou comportamentais em resposta a estressores, identificáveis que ocorrem dentro de 3 meses do início dos estressores, sintomas ou comportamentos clinicamente significantes como: angustia acentuados, comprometimentos significativos no funcionamento social ou ocupacional.

Modelos de depressão

Segundo Miguel Filho e Almeida (2002) cinco dos modelos mais freqüentemente citados são o modelo cognitivo, o modelo do desamparo aprendido, o modelo interpessoal, neurobiológico e o de recursos sociais.

Cognitivo: Ocorrem erros de processamentos de informações resultando em uma estimativa excessiva do estímulo negativo e em uma subestimativa dos estímulos positivos.

Modelo do desamparo aprendido: A motivação diminuída e as percepções de incontrolabilidade dos eventos pela pessoa deprimida, onde o resultado pode ser um comportamento excessivamente passivo, a falta de motivação de a depressão do paciente.

Modelo interpessoal: Frequentemente atribuída a experiências ou relacionamentos interfamiliares adversos na infância.
Neurobiológico: Transtornos da transmissão das catecolaminas e transmissão serotoninérgica cerebral deprimida.
Modelo de recursos sociais: Enfatiza os efeitos do ambiente sobre o indivíduo.

Tratamento Medicamentoso

Embora existam muitos tratamentos farmacológicos para depressão, os medicamentos utilizados para tratar a depressão maior podem ser divididos em cinco categorias principais: inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), antidepressivos tricícliclos ou tetracíclicos (ATC), antidepressivos heterocíclicos, inibidores da recaptação de serotonina /norepinefrina e inibidores da monoaminoxidase (IMAO).

A escolha de um antidepressivo para uma determinada pessoa depende de muitos fatores, inclusive a resposta prévia, doenças clínicas concomitantes e outros medicmentos utilizados pelo paciente.Geralmente, o uso dos ISRS e dos antidepressivos heterocíclicos e preferido no idoso.

Psicoterapia

Tem como objetivo proporcionar apoio emocional ao idoso, reduzindo sua ansiedade e aumentando sua confiança e auto-estima. Citaremos as técnicas mais utilizadas para o trabalho com o idoso.

Psicoterapia Breve – Técnica bastante utilizada, por ser dinâmica, flexível e de tempo limitado.Ela tem limites elásticos para incluir elementos de psicoterapia de apoio, psicoterapia reeducativa (terapia cognitiva) e psicoterapia reconstrutiva (psicanálise).

Terapia Cognitiva – É uma técnica de tempo limitado, que inclui confrontação, educação e explicação, essa tríade chama de cognitiva da depressão.Busca uma abertura para o futuro, questiona com o paciente seus conceitos alterados a respeito de si próprio, do futuro e do mundo ao redor tentando alterar a tríade.
Terapia da revisão de vida – Indicada para resolver problemas antigos, aumentar a tolerância do conflito, aliviar culpas e medos, aumentar a criatividade, generosidade e aceitação do presente.

Terapia de Grupo – O grupo funciona como um espaço no qual o idoso encontra proteção para as angústias decorrentes das perdas.

Atividade Física como Tratamento

A Atividade Física regular deve ser considerada como uma alternativa não farmacológica do tratamento do transtorno depressivo. De acordo com Stella et. al. (2002) o  exercício físico apresenta, em relação ao tratamento medicamentoso, a vantagem de não apresentar efeitos colaterais indesejáveis, além de sua prática demandar, ao contrário da atitude relativamente e passiva de tomar uma pílula, um maior comprometimento ativo, por parte do paciente que pode resultar na melhoria da auto-estima.

A atividade física colabora para a formação de redes sociais além é claro, dos benefícios corporais e fisiológicos.

Na indicação ou elaboração de um programa de exercícios físicos, é necessário um planejamento rigoroso, levando em consideração objetivos específicos e a avaliação dos riscos de lesão de cada indivíduo. Atividades que estimulem a consciência corporal e cognição devem ser incentivadas. Exercícios na água podem ser uma boa opção para idosos que necessitem de relaxamento, diminuição da tensão articular e ganho de amplitude nos movimentos.

A atividade física colabora para a formação de redes sociais além é claro, dos benefícios corporais e fisiológicos. Os índices de depressão são menores em idosos que praticam atividade física, estudos comprovam melhora no aspecto emocional, como aumento da auto-estima, humor, sensação de bem-estar, diminuição da ansiedade e da tensão.  Miranda e Godeli, (2003) ressalta que em pesquisa realizada com mulheres demonstrou que as sedentárias apresentaram índices de depressão e patologias mais elevados quando comparadas as praticantes de dança. Outro estudo realizado no Japão com indivíduos de idade entre 65-70 anos praticantes de exercícios diários demonstrou que os idosos reduziram os sintomas de depressão.

Considerações Finais

Existem muitos fatores que podem desencadear ou mesmo predispor ao aparecimento do estado depressivo. Seus principais sintomas são: tristeza duradoura e profunda, acompanhada de desânimo, apatia, desinteresse, não dorme bem, falta de apetite, queixam-se se coisas como fadiga, dores na cabeça e nas costas. Têm pensamentos ruins, como idéia de culpa, inutilidade,  perdem o gosto pela vida, e em casos mais extremos a depressão pode vir acompanhada pelo risco de suicídio.

Suas causas podem vir de fatores biológicos, psicológicos e sociais, podendo ser um relacionado a outro. A depressão nos idosos, pode vir acompanhada de outros problemas físicos, o que acaba mascarando a doença, fazendo com que as pessoas não dêem atenção, pois acham que não é nada grave, e não descobrem na verdade o que realmente e passa.

Outro fator que pode levar à depressão nos idosos estão relacionados, sobretudo, à morte de parentes, de amigos, irmãos, assim como perdas financeiras, perda de status e de papéis sociais. Esse tipo de situação leva as pessoas acreditarem que sua morte pode não estar muito longe, o que faz com que alguns idosos passem a aproveitar mais a vida, enquanto outros, diante talvez do " desespero", não conseguem mais formular perspectivas de vida.

A depressão produz com freqüência uma queda na imunidade, diminuindo a resistência física às doenças (destaque para as doenças infecciosas e o câncer). A depressão severa na pessoa idosa pode apresentar um estado confusional semelhante a que ocorre com a demência

Os medicamentos antidepressivos (chamados antidepressivos tricíclicos) atuam nos neurotransmissores permitindo uma recuperação do equilíbrio químico do cérebro. Alguns psiquiatras também utilizam a eletroconvulsoterapia, porem, por razões culturais, o uso de eletrochoques é visto como um recurso traumático e cruel, quando na realidade é o contrario. Se for bem-indicado, ele dá excelentes resultados, sem traumas para o paciente.

O acompanhamento psicoterápico permite complementação do tratamento medicamentoso, propiciando a recuperação da qualidade de vida do idoso.
A realização de atividade física regular é muito eficiente no tratamento da depressão, como também pode ser utilizado para estimulação, de jogos de memória, passeios, discussões, leitura e conversas com o objetivo de aumentar a auto-estima. O apoio da família nesse momento é de extrema importância para obter bons resultados, já que nesse período da vida muitos idosos se sentem, e são desprezados e rejeitados tanto pela sociedade, quanto pela própria família.

Referências Bibliográficas

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BIAGGIO, A. M. B. ,Psicologia do Desenvolvimento. 15ª ed. Petrópolis, Vozes, 1988

MIRANDA, M.L.J.;GODELI,M.R.C.S. Musica, atividade física e bem-estar psicológico em idosos.R. brás. Ci. E Mov.2003; 11(4):87-94

MIGUEL, FILHO EC; ALMEIDA OP de. Aspectos Psiquiátricos do Envelhecimento. IN:Carvalho Filho ET de, Netto MP, Organizações. Geriatria: Fundamentos, Clinica e Terapêutica.São Paulo: Atheneu; 2000.  

PORCU, M.et al. Estudo comparativo sobre a prevalência de sintomas depressivos em idosos hospitalizados, institucionalizados e residente na comunidade.Acta Scientiarum.Maringá, v.24, n. 3, p.713-717, 2002.

STELLA, F. et al. Depressão no Idoso: Diagnóstico, Tratamento e Benefícios da atividade física. Motriz, v. 8, n. 3, p. 91-98, 2002.

BALLONE, G.J. Depressão do Idoso, 2001. .Disponível em: < htt:// www.psiqweb.med.br/geriat/ depidoso.html>.Acesso em : 10 de novembro de 2007.

NERI, A. N., Desenvolvimento e envelhecimento: Perspectivas Psicológicas, Biológicas e Sociológicas. Campinas: Papirus, 2004.

__________ Maturidade e Velhice: Trajetórias individuais e socioculturais. São Paulo: Papirus, 2001

NERI, A. N ; FREIRE, S. A. , E por falar em velhice. São Paulo: Papirus, 2000ZIMERMAN, G., I., Velhice: Aspectos biopsicossociais – Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

About Kamilly Rosa Figueiredo

Pedagoga, formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC

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