Seis 'Fórmulas de Sucesso Financeiro' Comentadas

À medida que aprendemos Finanças Pessoais, (que não é uma disciplina científica, mas ouso dizer que está mais para uma reflexão filosófica), ouve-se diversas receitas e máximas de como lidar com o dinheiro. A maioria dessas “receitas de bolo” é repetida muitas vezes pelos peritos de Finanças sem que eles saibam ao certo a origem da mesma ou até que ponto ela está correta. Algumas são mais precisas e estipulam até mesmo valores e porcentagens e é sobre essas que vou tratar neste artigo.

A seguir, comento seis dessas precisas "fórmulas de sucesso" em Finanças Pessoais, comentadas por mim:

1) Investimento: "Retire 10% de sua renda mensal assim que a obter e invista esse valor".

Talvez a origem dessa fórmula esteja na tradição religiosa do dízimo. Vai saber… O fato é que diversos peritos em Finanças Pessoais repetem isso, e diversos livros de auto-ajuda (como "O Homem Mais Rico da Babilônia" e "Pai Rico Pai Pobre") fazem coro com eles.

O princípio por trás parece ser o de "poupar ativamente". Isto é, ao invés de esperar o final do mês para ver quanto dinheiro sobra para investir (poupar passivamente), separar um montante (10%, aproximadamente) e fazer a operação logo no início do mês, tornando assim o hábito de investir uma prioridade que vem mesmo antes de gastar. Separar a parcela da renda e investir é um treino de disciplina bem maior que esperar sobrar!

OBS: Nada impede, claro, de aplicar essa fórmula e investir também eventuais sobras do final do mês, perfazendo assim mais que 10% da renda mensal.

2) Risco: "Diminua o valor de sua idade do número 90. O resultado é a porcentagem de seu dinheiro para investimentos que deve ser usado para comprar ações"

Há quem repita essa fórmula usando 100 e 80 como parâmetros. No fundo isso não importa. Importa é que ela nos ensina que quanto mais jovens somos mais devemos aceitar riscos. Se tenho 25 anos, por exemplo, devo investir no mínimo 65%, digamos, do meu portfólio em ações (mais do que isso já é bem arriscado, o que pode dar muito certo ou muito errado). Particularmente, eu acrescentaria a essa fórmula duas variáveis: a existência de dependentes e patrimônio que envolva despesas. Pessoas jovens devem aprender a aceitar riscos, uma vez que não tenham dependentes e grandes despesas ainda. Da mesma forma, pessoas com dependentes e grandes patrimônios devem aprender a arriscar menos.

3) Reserva para Emergências: "Mantenha o equivalente a 1 ou 2 meses de sua renda na Poupança, para saques emergenciais".

Essa fórmula diz a respeito a ser previdente e estar preparado para emergências. O valor (1 ou 2 meses de renda) parece servir apenas para gastos eventuais, como consertar o carro ou pagar às pressas uma viagem. O enunciado parece dizer: "Tudo bem gastar algum dinheiro em emergências. Mas não gaste muito. Se for gastar muito (o equivalente a muitos meses de sua renda) pare e pense bem antes". Essa fórmula também nos diz que a poupança tem por utilidade ser apenas uma reserva para emergências. O dinheiro deve circular! Isto é, deve ser investido e não poupado em demasia.

4) Dívidas: "Você sabe que tem reais problemas com dívidas se elas ultrapassam 15% do valor do seu patrimônio, ou comprometem mais que 15% de sua renda mensal".

O valor, 15%, parece ser arbitrário. É apenas uma medida rigorosa para que as pessoas entendam que não é nada bom ter dívidas. Nunca dever mais que 15% do que se tem é uma meta saudável e exigente, pois muitas pessoas são ávidas em contrair dívidas.

5) Despesas: "Se suas despesas puderem ser cortadas em 20% e você, de um modo geral, manter a mesma qualidade de vida, é porque está gastando errado, está desperdiçando com supérfluos"

A receita do pão-duro? Na verdade o enunciado não está nos dizendo que supérfluos são coisas que devem ser evitadas. Implicitamente está, na verdade, que eles devem constar sim nas despesas cotidianas. Contudo dentro de uma faixa tolerável. Comprometer a metade do orçamento do mês com cuidados com beleza e diversões extravagantes não parece nada salutar, não?

6) Riqueza: "Você sabe que é rico se parar de trabalhar agora e seu patrimônio render mais dinheiro que o que você precisa para viver o resto de sua vida"

A expectativa de vida do país é de, digamos, 80 anos e você tem 40, então você é rico se parar de trabalhar e se empenhar em seus investimentos e obter passivamente seu rendimento numa quantidade suficiente para os próximos 40 anos, sem diminuir sua qualidade de vida. Parece uma definição muito boa de riqueza. Há outras. A minha favorita, contudo, é "Você sabe que é rico quando sua única preocupação material é 'Onde irei jantar hoje?' "

Concluindo…
Não existe isso de "fórmulas de sucesso", sejam elas financeiras, profissionais ou (muito menos!) pessoais. Mas certamente seguir certas regras auto-impostas é um caminho para obter melhores resultados, principalmente se essas regras estão adaptadas à sua vida particular.

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