Psicologia da Saúde

A psicologia da saúde cultiva a idéia de que a saúde e a doença resultariam da inter-relação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. O sujeito é visto de uma forma mais completa, levando-se em consideração todos os aspectos inerentes de sua vida. Diferente de outras vertentes da psicologia, esta enfatiza sua atuação na prevenção, representando uma forma alternativa à biomedicina, contrapondo-se ao modelo médico tradicional, onde o paciente não teria papel ativo.

Conceitos de saúde
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), saúde é “o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas ausência de doenças ou enfermidade”.

Já a 8ª Conferência Nacional de Saúde definiu saúde como sendo “a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio-ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde”.
 
Diante disso, percebe-se que vários são os fatores e condições que envolvem a questão da saúde, englobando o homem e seu ambiente social.

Campos (1996) conclui que “a saúde não significa apenas ausência de doenças, pois para se ter saúde é necessário ter prioritariamente condições econômicas, ambientais, habitacionais e educacionais”.
 

Breve histórico da psicologia da saúde
 
No Brasil há um grande número de psicólogos com diferentes orientações teóricas, que desenvolvem trabalhos na área da saúde. A atuação do psicólogo brasileiro nesta área teve seu marco inicial na década de 1950, ocorrendo um intenso desenvolvimento na década de 1970, nas áreas acadêmicas de graduação e pós-graduação, publicação de artigos, encontros científicos de caráter regional e nacional, e implementação de práticas.
 
Na década de 1980, a psicologia da saúde vivenciou um momento de grande produtividade, tanto no Brasil quanto em outros países da América. Em nosso país, no ano de 1983, aconteceu o primeiro encontro de psicólogos da área hospitalar. Ainda nesta década, verificou-se uma crescente busca das instituições públicas municipais, estaduais e federais de profissionais capacitados especificamente na psicologia da saúde e suas sub-áreas, para composição dos seus quadros funcionais em hospitais, ambulatórios, unidades básicas de saúde, centros de saúde e programas de orientação, prevenção e educação para saúde. Na década de 1990, houve o crescente reconhecimento da importância do psicólogo da saúde em equipes de caráter interdisciplinar.
 

A atuação do psicólogo da saúde
 
A atuação do psicólogo da saúde pode ocorrer em diferentes contextos: ambulatório, enfermarias, serviços de pronto-atendimento e emergência, unidades de terapia intensiva (UTI), centro cirúrgico, centro de saúde-escola, comunidades e faculdades.
 
Dentre as atividades desenvolvidas por este profissional, destacam-se: a avaliação de pacientes candidatos a diferentes procedimentos cirúrgicos; atendimento psicoeducacional; grupos para modificação de comportamentos de risco; avaliação e delineamento de programa de intervenção para pacientes com dificuldades em aderir ao tratamento proposto pela equipe de saúde; avaliação neuropsicológica para diagnóstico e proposta de intervenção; atuação multidisciplinar com outros profissionais de saúde; auxílio na reabilitação de pacientes com deficiências físicas; intervenções para o controle de sintomas (como, por exemplo, pacientes submetidos à quimioterapia); atendimento em psicologia pediátrica e saúde do trabalhador.
 

Equipe Multiprofissional: É possível a inserção do psicólogo?

Segundo, RODRIGUES e FALSETTI (citado em ROMANO, 1990, pág. 79) “O primeiro fator que identifica uma equipe multiprofissional passa a ser a percepção, a crença de seus integrantes de que o conhecimento não é algo isolado e fragmentado. Quando as atividades são competitivas, os conflitos são freqüentes e não simulados, porque nenhuma profissão consegue sentir a necessidade de tolerar o outro”.
 
Como o trabalho em conjunto não significa que todos devam saber de tudo ou que todos façam tudo, a idéia de equipe remete antes a um campo de acolhimento, de subjetivação, em que cada profissional tem um lugar.
 
O que nos une enquanto equipe não são as tarefas específicas, mas o método de investigação comum. Eles têm uma visão ainda mais pessimista do trabalho possível em equipe multiprofissional. Refere-se que o mais freqüente é o isolamento em seu saber de casa profissional, conseqüentemente compartimentalizando o paciente.
 

Ética no contexto hospitalar

Segundo, ROMANO (1990) “A reflexão sobre a ética é, sem dúvida de extrema importância para entendermos as relações do ser humano com a sua própria vida e entre sua vida e a dos seres humanos, que envolvem múltiplos aspectos. O profissional é um deles. A ética para Aristóteles, expressa um modo de ser, uma atitude psíquica, aquilo que o homem traz dentro de si na relação consigo próprio, com o outro e com o mundo.”
 
Conhecer as atribuições de outros profissionais é de extrema importância, principalmente quando nosso trabalho pretende estar se inserindo numa equipe multidisciplinar. É essencial que o nosso campo seja preservado, caso contrário não estaremos respeitando eticamente outros profissionais e nem por eles fazendo-nos respeitar.
 
É necessário que a relação com outros profissionais, dentro desse espírito, se dê num patamar de respeito e consideração dos valores de cada especialidade profissional.
 
Os códigos de ética são o resultado de reflexões sobre a atividade profissional. Por isso, o psicólogo inserido no contexto hospitalar tem muito a contribuir, uma vez que constantemente se depara com situações- limite. Num segundo momento, a sistematização das respostas poderá modificar as normas de conduta, por ter valor das virtuais experiências possíveis, resultado de uma práxis ética de uma profissão que escreve sua própria história.
    

Comunicação profisional-paciente
 
A comunicação profissional-paciente é um outro aspecto relevante na formação do psicólogo da saúde, tanto em relação à comunicação psicólogo-paciente quanto à comunicação dos demais profissionais com o paciente. A eficácia da comunicação é fundamental para a compreensão e satisfação  do paciente (ou cliente) em relação ao profissional .
 
Uma relação de comunicação bem-sucedida é aquela que envolve clareza e adequação da linguagem na transmissão das informações, o mínimo de assimetria possível entre o profissional e o paciente e a participação ativa desse paciente nas ações e decisões que envolvem seu tratamento.
 
Independentemente da instituição onde esteja exercendo suas atividades (hospitais, escolas, comunidades etc.), o psicólogo da saúde pode atuar como mediador da relação entre os profissionais e os pacientes/clientes, facilitando a compreensão e a execução dos procedimentos recomendados. Ele pode realizar também uma intervenção mais direta com os profissionais da instituição, com a finalidade de instrumentalizá-los na comunicação mais clara e eficiente com os pacientes/clientes.       
 

O atendimento psicológico
 
O papel do psicólogo no atendimento é possibilitar que por meio do atendimento, a pessoa doente possa identificar recursos pessoais para enfrentar essa situação nova e ameaçadora que é a doença, favorecendo dessa forma o curso do tratamento.
 

A importância do psicólogo na equipe

 
A pessoa doente sempre é paciente de vários profissionais. Isso significa que ela é manipulada por várias pessoas e responde a constantes “interrogatórios”.
 
O psicólogo deve olhar para o paciente como um todo, como alguém que está sujeito a vários olhares. Como essa pessoa se sente nesse lugar, o que pensa sobre o que os outros fazem com ela, o que pensa sobre sua doença, como vivencia esse momento.
 
Cabe ao psicólogo revelar para a equipe informações sobre o paciente que transcenda ao foco específico de cada profissional, acolher também as dificuldades da equipe em relação a determinado paciente e atuar como intermediador, tentando traduzir essa dificuldade tanto para o paciente quanto para a equipe e ajudá-los a encontrar uma forma de resolver e lidar com essa dificuldade.
 
O psicólogo deve ter sempre a preocupação de revelar algo para a equipe sobre o paciente, de forma que essa informação possa possibilitar à equipe uma visão mais ampla do paciente, e dessa forma administrar-lhe um tratamento melhor.
 

Considerações finais

Através das pesquisas realizadas constatamos que a psicologia da saúde surgiu da necessidade de promover a saúde e de pensar o processo saúde-doença como um fenômeno social.
 
É preciso que futuros profissionais possibilitem o desenvolvimento da reflexão crítica acerca do papel do psicólogo, e de sua inserção e identidade profissional.
 
Como profissional da saúde é necessário que o psicólogo, observe, ouça e perceba atentamente o que é dito e o que não é, para assim oferecer, no campo da terapêutica humana, a possibilidade de confronto do sujeito com sua angústia e sofrimento na fase de sua doença, buscando separar os momentos de crise.

Referências bibliográficas

AGUIAR, Alba. A formação em psicologia da saúde. Revista Científico. Salvador: FRB/. Ano 4. V.1. Janeiro-junho, 2004.

CAMPOS, T. Saúde: uma área para diferentes profissionais. Pontifícia Univ. Católica de São Paulo (PUC-SP), 1996.

ROMANO, Bellkiss W. Princípios para a prática da psicologia em hospitais. 1990.

 

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