Afinal, quem é esse ser? A mulher

Falar do feminino em psicanálise sempre gera uma certa polêmica. Afinal quem seria esse sujeito psíquico que nem o velho Freud disse saber explicar em toda sua complexidade. Quem seria esse ser que nasce “apaixonada”(ligada) por alguém do mesmo sexo(gênero) e após sentir sua perda enquanto possibilidade de completá-la totalmente, sai esperançosa em busca de seu par, investindo corajosamente em duas direções, uma tentando resgatar de outra forma seu objeto de amor perdido, e outra, fazendo dele seu rival na disputa justamente por aquele que as separou?

“Com a menina, é diferente. Também seu primeiro objeto foi a mãe. Como encontra o caminho para o pai? Como, quando e por que se desliga da mãe? Há muito tempo compreendemos que o desenvolvimento da sexualidade feminina é complicado pelo fato de a menina ter a tarefa de abandonar o que originalmente constituiu sua principal zona genital – o clitóris – em favor de outra, nova, a vagina. Agora, no entanto, parece-nos que existe uma segunda alteração da mesma espécie, que não é menos característica e importante para o desenvolvimento da mulher: a troca de seu objeto original – a mãe – pelo pai. A maneira pela qual essas duas tarefas estão mutuamente vinculadas ainda não nos é clara.” (3)

Que ser intrigante esse, que cresce à revelia de saber de sua falta, que progride apesar de um “não possuir” sem esperanças quanto ao simbolo que organiza a cultura e o poder. Cresce ganhando espaço junto a tudo que teima em vitimá-la, submetê-la, subjugá-la. Cresce amando a mesma mão que a segura e teima em mantê-la sob controle por não alcançar um entendimento sobre sua capacidade intrínseca de ser incontrolável, indômita, segundo o próprio articulador da psicanálise, que sabemos que, em sua vida, esteve sempre fascinado e cuidado por muitas mulheres, desde Amália, sua mãe, passando por Marta sua grande paixão e companheira de uma vida até por Lou, Marie,sua filha Anna e tantas outras que marcaram com garbo sua trajetória. Logo de início debruçou-se sobre seus sofrimentos em Anna O, Dora, Elisabeth, Katarina, e desde sempre possibilitando um lugar para as grandes pesquisadoras mulheres em psicanálise.


“Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar”

Citado por Marie Langer, situaremos a conceituação “sociedade falocêntrica” em Gregory Zilboorg. Diz ela sobre a submissão da mulher e a fase da história onde isso passa a ser questionado:

“Foi a revolução francesa, com seu lema de igualdade, que pôs pela primeira vez em dúvida que esta subordinação fosse natural e inalterável. Contudo, nas classes média e alta não se produziu modificação alguma de imediato a respeito, enquanto que na classe baixa o papel da mulher nunca havia diferido tanto daquele.”(1)


Sustenta ainda Langer(1) que a mudança da mulher da classe operária se deu no século XIX, enquanto que a das mulheres das classes média e alta só teriam se efetuado a partir da Primeira Guerra Mundial, foram chamadas à participação no trabalho fora de sua casa e de certa maneira a um abandono quanto a depêndencia total, alimentada pelo financeiro, quanto aos seus maridos. Ao fim da guerra essas mudanças já teriam se tornado irreversíveis.

Foi em meio a todas essas mudanças que nasceu e se desenvolveu a psicanálise de Freud e seus(as) colaboradores(as).

Diz Langer:

“Terminou a guerra. Voltaram os homens e se encontraram com uma mulher independente economicamente, consciente de seus valores, de cabelo cortado à “garçonne” e com uma liberdade sexual comparável à do homem. Ao não implicar conseqüências biológicas para ela, o ato sexual corria o risco de converter-se somente em fonte de prazer, de ter perdido transcedência e adquirido autonomia”.


Essa mulher que na verdade existiu desde sempre em todas, por todos os tempos anteriores a esses episódios, mas que permanecia “oculta” em modelos sociais que eram formulados no sentido de negar a essa mulher a força da palavra “autonomia”, que resultaria no seu acesso ao desejo ou ao impulso irrefreável de realizá-lo.

Grandes escritores como Flaubert, como está em sua obra “Madame Bovary”, puderam antecipar toda essa força que se organizava no feminino esperando a hora de seguir e colocar-se frente às organizações dessa sociedade erigida em torno do “phalo”.

“O suicídio, após adultério, cometido na Normandia pela mulher de um oficial de saúde serve de tema para Flaubert, que começa a publicar "Madame Bovary" em 1856 na Revue de Paris, narrativa que se transforma em livro em 1857 (1857/1993), após a absolvição do autor no processo em que foi acusado de "ofensa à moral pública e religiosa", no qual, em resposta à pergunta de quem teria sido o modelo do personagem, Flaubert pronunciou a frase histórica: "Madame Bovary c'est moi". Ele dedicou os últimos anos de sua vida a um romance que deixou inacabado: "Bouvard e Pécouchet" (1881/1981)”.(A)


Sublinharemos uma análise da personagem feita em uma passagem do artigo contido no link (A) para seguirmos em nossa narrativa desse texto:

“A paixão é a paixão que a agora Madame Bovary precisa, sempre quis, e dela se alimenta; é ela que dá sentido à sua vida, dela depende como de uma droga. E é pela falta dela, no casamento com Charles, que esta relação definhará. Mas paixão pelo quê, por quem?”


Ou ainda em outro trecho:

“Como num grito de vitória, dizia para si mesma: "Tenho um amante! Um amante!" (p. 178), que poderíamos traduzir: "Tenho um falo! Um falo!”


Madame Bovary viverá amores apaixonados, tórridos, totalmente investidos de sexualidade até que se deparará com a decadência provocada pela sua condição dependente, pela falta do dinheiro que fora investido na vivência dessas paixões que retornavam sempre para construção de sua própria mais-valia, e no exercício de sua autonomia. Despojada de tudo, devendo dinheiro e desprezada por seu antigo amante, Madame Bovary intenta o último movimento de seus impulsos e ataca seu objeto, pelo suicídio, no mais magnífico exemplo do que Freud nos apresenta em seu texto “Luto e Melancolia”.


Madame e seu objeto ambivalente masculino:

“Acossada pelas ameaças de Lheureux, que vendera suas promissórias para outro comerciante, igualmente inescrupuloso, o qual pretendia mover ação judicial para arrematar a casa de Emma como paga de suas dívidas, desespera-se nossa personagem ao ver-se insultada com as propostas libidinosas do notário da cidade: "Sou digna de pena mas não estou à venda!" (p. 318).

Mas, em seguida, oferece-se ao preceptor Binet, que a repele: " – Senhora! Como pode pensar!" (p. 321).

Tudo isso não era pior do que se render a Charles: "A idéia da superioridade de Bovary em relação a ela a exasperava*" (p. 319).*grifo nosso

Parece-nos mesmo que Charles sempre representou o Outro (o pai-ideal), a quem ela buscava sempre diminuir, sobrepondo-se a ele, como a seus amantes, tratando-os como crianças tolas, como objetos.” (A)

Conclui o autor(A) sobre Flaubert:

“Flaubert, que permaneceu fiel a um amor impossível da juventude e que, durante boa parte da vida, se isolou do contato social para dedicar-se à produção de sua obra, parece-nos ter feito de sua própria insatisfação, de sua própria falta, a razão de seu gênio”.

Nessa grande obra que revolucionou seu tempo, parece estar escrita toda trajetória da mulher fazendo frente ao mesmo tempo ao seu irrefreável desejo de ser e existir e a todos os dispositivos sociais que a convidam, acolhem e gratificam no sentido da construção de uma identidade onde seus impulsos fiquem a serviço do outro, escolhido ou não por ela. Quando não consegue dar conta desse acordo dentro de si, como está tão bem descrito nos males que sofre a grande Senhora Bovary, adoece.

“Fliess, o que é que você diria se eu contasse que toda a minha nova teoria da histeria era conhecida e tinha sido publicada centenas de vezes, e há vários séculos? Você se lembra como eu sempre disse que a teoria medieval da possessão demoníaca, sustentada pelos tribunais eclesiásticos, era idêntica à nossa teoria de um corpo estranho e de uma divisão na consciência, tudo se resumia a substituir o demônio por uma fórmula psicológica?”[1] Data e Assinatura; Viena, 17 de janeiro de 1897, Sigmund Schlommo Freud

Poderemos aí pensar na perseguição cruel feitas as mulheres acusadas de bruxaria e possessão, como talvez a perseguição ao feminino que deseja, que desobedece, que se apaixona.

“Chegar até a eliminação física daquelas pessoas cujas únicas armas eram o sexo e a palavra, mostra bem a que ponto elas eram consideradas ameaçadoras para a ordem estabelecida e para os discursos em vigor.” (D)

“Freud (1897/1986), por sua vez, não se enganou ao reconhecer nas bruxas de pios teólogos e de zelosos juristas o papel de ancestrais e precursoras das histéricas de doutos médicos, estabelecendo, além disso, um paralelo entre a sina reservada às mulheres e o lugar atribuído aos judeus nas sociedades ocidentais (FREUD, 1909/1941). Ele se deixou ser ensinado por essas "bocas de ouro"(D) (LACAN, 1991) que foram suas primeiras pacientes, que não teriam tido direito à palavra em nenhum dos discursos tradicionais e que a medicina de seu tempo só estava pronta para acolher com reserva”.


Então poderemos supor que é na busca por autonomia que a mulher parte para a construção de sua identidade, tendo essa como meta. A partir desse dado, cada história feminina, cada cultura que a contém, determinarão possibilidades diversas, desde a questionada independência feminina contemporânea até a busca pelo homem “provedor”, que a devolveria a esse lugar “submetido”, ou ainda em outra leitura possível, a devolveria ao seu lugar de “filha”. Nos dias atuais esse submeter-se não passa necessariamente pela dependência financeira, muitas vezes passará pelo estabelecimento de relações de completa dependência emocional, de amores obsessivos ou ainda outras formas de fazer alianças no sentido do “necessitar” o Outro para “saber de si”.

Essa mulher que hoje a cultura ainda busca deixar sob controle através de ideais românticos da busca pela parceria e promovendo ainda para ambos, homens e mulheres, a separação entre afeto e atividade sexual livre e satisfatória, como é tão bem estudado e elaborado por Freud em seu texto “Uma escolha de Objeto feita pelos Homens”(1910) que consta em sua obra completa fazendo parte dos textos que se intitulam de “Contribuições À Psicologia do Amor”.

 


(Aldo Zanetti – link L)

Vejamos algumas considerações do velho Freud sobre essas questões como um resumo da idéia central do texto que aqui queremos ressaltar:

“No amor normal, o valor da mulher é aferido por sua integridade sexual, e é reduzido em vista de qualquer aproximação com a característica de ser semelhante a prostituta. Por conseguinte, o fato de que as mulheres com essa característica sejam consideradas pelos homens do tipo em questão como objetos amorosos do mais alto valor parece constituir acentuável desvio do normal”


“Um homem do tipo que estou descrevendo, que sabia como conquistar suas mulheres, com métodos inteligentes de sedução e argumentos engenhosos, não media esforços, no decorrer dessas aventuras, para manter a mulher, pela qual estava apaixonado no momento, no caminho da `virtude’, emprestando-lhe traços de sua própria constituição.”


“No entanto, exatamente essa relação do contraste agudo entre a `mãe’ e a `prostituta’ nos animará a investigar a história do desenvolvimento desses dois complexos e da relação inconsciente entre os mesmos, já que, há muito tempo, descobrimos que o que, no Consciente, se encontra dividido entre dois opostos, muitas vezes ocorre no Inconsciente como uma unidade.”

Entendidos esses aspectos nesse texto poderemos passar com menos resistências para o texto II das “Contribuições À Psicologia do Amor” que tem o titulo sugestivo de “Sobre a Tendência Universal À Depreciação na Esfera do Amor”(1912). Vejamos então alguns trechos:

“Nos casos que estamos considerando*, duas correntes cuja união é necessária para assegurar um comportamento amoroso completamente normal, falharam em se combinar. Podem-se distinguir as duas como a corrente afetiva e a corrente sensual.”

*(refere-se Freud aos casos de impotência psíquica)

Explicando a origem dessa divisão:

“Essas fixações afetivas da criança persistem por toda a infância e continuamente conduzem consigo o erotismo, que, em conseqüência, se desvia de seus objetivos sexuais. Então, com a puberdade, elas se unem através da poderosa corrente `sensual’, a qual já não se equivoca mais em seus objetivos. Evidentemente, jamais deixa de seguir os mais primitivos caminhos e catexizar os objetos da escolha infantil primária com cotas de libidos, que são agora muito mais poderosas. Neste ponto, no entanto, defronta-se com obstáculos que, nesse meio tempo, foram erigidos pela barreira contra o incesto; em conseqüência, se esforçará por transpor esses objetos que são, na realidade, inadequados, e encontrar um caminho, tão breve quanto possível, para outros objetos estranhos com os quais se possa levar uma verdadeira vida sexual. Esses novos objetos ainda serão escolhidos ao modelo (imago) dos objetos infantis, mas com o correr do tempo, atrairão para si a afeição que se ligava aos mais primitivos.”

“A principal medida protetora contra essa perturbação a que os homens recorrem nessa divisão de seu amor consiste na depreciação do objeto sexual, sendo reservada a supervalorização, que normalmente se liga ao objeto sexual para o objeto incestuoso e seus representantes. Logo que se consuma a condição de depreciação, a sensualidade pode se expressar livremente e podem se desenvolver importantes capacidades sexuais e alto grau de prazer. Há um outro fator que contribui para esta conseqüência. As pessoas nas quais não houve a confluência apropriada das corrente afetiva e sensual geralmente não demonstram muito refinamento nas suas formas de comportamento amoroso; elas retiveram suas finalidades sexuais perversas, cuja não-realização é sentida como uma grave perda de prazer e cuja realização, por outro lado, só parece possível com um objeto sexual depreciado e desprezado.”

Recomendamos a leitura dos dois textos em sua íntegra, contudo para nossa abordagem aqui, essas passagens são mais do que suficientes para a continuidade de nossa análise.

Essa cisão e fragmentação interna traria tanto para homens quanto para mulheres aspectos existentes em sua vida amorosa, e determinará para ela, a mulher, uma escolha sempre muito precoce de um papel, que a orientará também para a realização de sua gratificação sexual adulta, ou ainda uma segunda cisão entre papel social e atividade sexual. Uma coisa e outra se atravessarão em um amálgama quase sempre inseparável. As relações de objeto feminina então guardariam também alguma passagem por essa separação que Freud postulou para algumas escolhas masculinas.

Poderemos pensar que, talvez, as questões que envolvam os sofrimentos e adoecimento das relações amorosas, não deixem de ser atravessados sempre, pelas premissas colocadas nessa análise que Freud realiza sobre a 'impotência psíquica' e que remeterá a uma cisão entre o afeto e a gratificação sexual, tanto para homens quanto para as mulheres, com características ao mesmo tempo semelhantes e ao mesmo tempo opostas. Acreditamos que essa divisão dará lugar a muitas e diferenciadas formas de vivências, inscritas sempre em modelos locais de cultura, mas tendo pontos comuns que poderão ser encontrados em organizações sociais absolutamente diferentes. Homens e mulheres desde sempre são convidados à essa cisão e fragmentação interna, restando sempre uma busca que resulta em frustração, seja de uma esfera ou outra e transformando a relação homem-mulher em palco e matriz do lugar que essa mulher poderá ocupar frente a integridade do seu desejo, tendo aí também determinações em seu papel social.

Feita essa análise voltemos então para o estudo do feminino, sabendo desde já, que essa mulher é convidada desde muito cedo a escolher por um papel social que estará intrinsecamente ligado ao seu papel sexual, ou ao desenrolar de sua atividade de gratificação afetivo-sexual.


A mulher sua sexualidade e seus bloqueios

Nessa troca de objeto que a menina já faz desde cedo, o que disso determinaria uma escolha da mulher adulta frente aos seus impulsos sexuais propriamente ditos e organizados sob a primazia do genital? Essa é a pesquisa que segue criando várias vertentes de análise sobre o feminino. Sua sexualidade é inscrita em conjunto com a construção de um papel social que fala de uma função de cuidar, zelar, gerar vida, organizar e de certa maneira submeter-se a um mundo organizado pelo masculino, onde a ordem fálica ditará papéis e funções a serem cumpridas por ambos os gêneros e a relação entre eles.

Seguindo em seu desenvolvimento psicossexual a menina logo encontrará os ditames superegoicos em relação a vivência de seu corpo, desde muito cedo sexualizado e coberto por preceitos de ocultação ou supervalorização, esta última, presente na modernidade, por ideais estéticos que constroem sua auto-imagem

Algumas culturas submetem esse corpo pela ocultação do mesmo e outras pela banalização dele, pela exposição para a depreciação de objeto. Se essas não são características presentes apenas no feminino, podemos por outro lado pensar que, para as mulheres, elas aparecerão enquanto algo que servirá para submeter seu desejo, então já atrelado a toda sua função social.

Na contemporaneidade poderemos observar o crescimento de vários e graves disturbios alimentares, predominantes no gênero feminino, como talvez decorrentes dessa busca pela valorização da imagem corporal enquanto construção de identidade social(sexual-afetiva). Não é um corpo formado para o prazer e gratificação sensorial, mas um corpo para ser apresentado e aceito enquanto entrada para padrões de status social.

A partir desses aspectos poderemos seguir e pensar um pouco em relação a ausência do orgasmo para um número grande de mulheres, embora como nos diz Marie Langer, esses números possam variar muito de acordo com a análise estabelecida.

“Estas oscilam entre 40% e 90% das mulheres. Esta discrepância provém de quem se escolhe pra fazer a estatística – mulheres sadias ou que buscam o ginecologista, de tal ou qual nível social etc -, das diferentes maneiras de interrogatório, como também dos diferentes conceitos e definições de frigidez” (1)

Consideramos a análise do tema feita resumidamente por Langer no capítulo de seu livro “Maternidade e Sexo”(1 – cap. “Frigidez”), bastante apropriada e levanta aspectos fundamentais para se pensar sobre essa questão feminina. Embora nas abordagens mais contemporâneas talvez estejamos aqui mais voltados para o que se nomeia 'anorgasmia feminina', uma vez que muitas mulheres possuem o desejo necessário para iniciar o ato sexual, retirando dele grande prazer, porém com a ausência do orgasmo.

Em Freud já encontraremos uma análise bastante apropriada sobre o tema e que aponta para questões fundamentais ligadas ao Édipo feminino. Após avanços e retrocessos sobre a temática, Freud lançará luz sobre esse estudo ao entender que para a menina, a primeira relação de amor, assim como para o menino, se dá em relação a mãe, que ela também marcará suas relações futuras e seus investimentos sexuais.

“Nas meninas, o complexo de Édipo é uma formação secundária. As operações do complexo de castração o precedem e preparam”

Langer também apontará para essa formulação freudiana como importante para se entender não somente a sexualidade feminina e sua problemática, como a relação que haveria entre ela e a maternidade, desde cedo interligadas.

Como nos aponta a autora, muitas definições para frigidez são levantadas, a definição que escolheu, nos parece bastante abrangente e atual e pertence ao pesquisador E. Blergler.

“O ato sexual normal inclui três fases para a mulher. Primeiramente, seu genital se umedece e se produz uma ereção e pulsação do clitóris. Ao prazer no contato físico, os beijos e abraços, segue o desejo da penetração do pênis. Depois, começa o desejo pelo início das fricções. A mulher é consciente do incremento gradual destas e quer que continuem. Simultaneamente, ou talvez mais amiúde um pouco depois do orgasmo do companheiro, se produz o orgasmo mulher e vai acompanhado por contrações da musculatura involuntária da região pélvica e genital. O orgasmo é seguido por uma sensação de relaxamento da tensão sexual. Em contraste com o apaixonamento do homem que cede mais rapidamente, o da mulher perdura durante mais tempo. Por isso, também depois do orgasmo quer permanecer unida ao homem, ficar abraçada a ele e guardar seu pênis dentro dela”(1)

Muitos dos aspectos sublinhados por essa descrição apontam para o que ainda hoje se pensa a respeito do prazer feminino, embora saibamos que em se tratando de sexualidade não há como se estabelecer padrão para o que se chama prazer. Sabemos também que hoje, discute-se bem mais no sentido que o prazer da mulher é um misto entre o prazer do clitóris e vaginal, toda a região pélvica deverá estar envolvida na hora do orgasmo, o chamado orgasmo vaginal seria então algo proveniente de uma excitação de toda região genital. Apesar disso, as etapas que esse pesquisador descreve serão bastante apropriadas, se levarmos em consideração o sentido do desejo pela penetração, que acontece em determinado momento do ato sexual.

A “censura” que sempre houve em torno do chamado prazer do clitóris, talvez esteja mais de acordo com toda conceituação masculina que se ergueu como interpretação para o que se estabeleceu chamar de “pequeno pênis” ou “pênis rudimentar” na mulher, o que nos leva a pensar na fantasia de algo não desenvolvido, menor, com menos valor, assim como a posição social onde a mulher sempre foi colocada.

Langer resumirá a frigidez feminina em:

“(a)A mulher fixada à satisfação clitoridiana, que rejeita sua feminilidade…(b)O mesmo ocorre com a mulher intensamente ligada a objetos incestuosos, porque para ela o gozo adquire um caráter proibitivo. – (c)A mulher masoquista que não pode se abandonar durante o ato sexual porque teme a realização de suas fantasias cruéis.(d)A menina frustrada oralmente repete mais tarde em sua vida sexual estas primeiras experências traumáticas. Para seu inconsciente, sua vagina pode representar sua boca faminta e o pênis, o seio frustrante; ou pode temer que o pênis, através de sua vagina, aspire como uma boca o interior de seu corpo”(1)

Mas o mais interessante destacado por essa autora será a relação estabelecida, antagônica mesmo, entre a sexualidade livre e a que fica submetida a uma noção de ausencia de interesse genital pela mãe e que “fazem com que sinta prazer unicamente na maternidade. A figura do pai foi demasiadamente fraca para romper a união extremamente prazerosa de mãe e filha”(1)

É necessário um pai forte e carinhoso para afastar essa filha de sua gratificação na relação com a mãe e para que possa investir agora em direção a outro objeto, no caso a figura do pai, equacionando finalmente o Édipo com o desejo de dar ao pai um bebê.

Mas em sua conclusão a autora concordará com Helene Deutsch em que “não existe orgasmo vaginal sem a aceitação psicológica da maternidade”.

Poderemos pensar em como na atualidade o conflito de construção do prazer da mulher se concentrará na realização de suas buscas pessoais ou na maternidade, criou-se então um antagonismo que devolve a mulher para uma escolha psíquica angustiante e paralisante.

No entanto, a mulher que renuncia totalmente à maternidade geralmente não será feliz nem capaz de pleno gozo sexual”, isto porque, por essa tese, será na maternidade, através da sua relação com o filho, que poderá recuperar grande parte das frustrações ou benefícios ocorridos em sua relação com sua mãe, possibilitando dessa maneira o livre curso de sua feminilidade.

Nessa temática segue a mulher construindo uma sexualidade atrelada sempre a seu papel social e as funções que desempenhará em seus vínculos com o mundo externo.

Seguindo nessa análise poderemos então voltar nosso olhar para a questão também levantada por Freud em relação a uma possível ausência de prazer na mulher, ligada a uma hostilidade dirigida ao homem. Diz:

“Por trás dessa inveja do pênis, manifesta-se a amarga hostilidade da mulher contra o homem, que nunca desaparece completamente nas relações entre os sexos e que está claramente indicada nas lutas e na produção literária das mulheres 'emancipadas'”.(2-D)

De alguma maneira a mulher estaria fadada a criar um amalgama entre sua condição feminina no sexual e sua luta por direitos sociais “iguais” ou simétricos aos masculinos. Para isso sacrificaria sua condição feminina da maternidade ou a viveria de maneira culpada, angustiante, além de sobrecarrega-la, o que intensificaria seu conflito e hostilidade em relação ao masculino.

Em Freud:

“Consideramos como reação normal que a mulher, em seqüência à introdução do pênis, abrace o homem, apertando-o contra ela no auge da satisfação, e observamos essa atitude como expressão de sua gratidão e prova de sujeição duradoura”(2 – C)

Estaríamos então pensando o prazer feminino atrelado a uma aceitação de um papel de submetimento a ordem do masculino, pensaríamos a falta de prazer como uma resistência a esse papel frente a distribuição dele no social? Haverá mesmo uma compreensão sobre a sexualidade feminina ou será ela realmente uma questão ainda não totalmente compreendida?

Em Freud encontraremos, por exemplo, a seguinte passagem sobre a questão da fisiologia feminina:

“Acreditamos que estamos justificados em supor que, por muitos anos, a vagina é virtualmente inexistente e, possivelmente, não produz sensações até a puberdade. É verdade que recentemente um crescente número de observadores tem comunicado que os impulsos vaginais estão presentes mesmo nesses primeiros anos. Nas mulheres, portanto, as principais ocorrências genitais da infância devem ocorrer em relação ao clitóris. Sua vida sexual é regularmente dividida em duas fases, a primeira das quais possui um caráter masculino, ao passo que apenas a segunda é especificamente feminina. Assim, no desenvolvimento feminino, há um processo de transição de uma fase para a outra, do qual nada existe de análogo no homem. Uma outra complicação origina-se do fato de o clitóris, com seu caráter viril, continuar a funcionar na vida sexual feminina posterior, de maneira muito variável e que certamente ainda não é satisfatoriamente entendida. ”(1931). (3)

“Oficialmente, porém, apenas em 1953, com o célebre estudo feito por Alfred Kinsey, a ciência aceitou que era o clitóris, e não a vagina, o gatilho do prazer feminino. (F)

Até aqui, pelas colocações desse estudo, poderá parecer algo a ser queimado pelo movimento de afirmação feminina, porém esses são estudos e avaliações que têm sido produzidas ao longo do século passado (XX). O estudo sobre o prazer feminino geralmente carece da “fala” do feminino e é construído a partir de uma ordem fálica, ou falocêntrica (Gregory Zilboorg).

“Ao término de um século de freudismo, temos o direito de nos perguntar se o termo histeria não serviu para várias gerações de psicanalistas para abordar de viés e às vezes de través a questão tão espinhosa da feminilidade, como se ela tivesse tido que tomar esse caminho desviado para se fazer ouvir”. (D)

Embora se ataque com certa violência as teses levantadas por Sigmund a respeito do prazer feminino, com enfase na discordância ligada ao conceito de “inveja do pênis”, não poderemos deixar de pensar que foi ele, quem pela primeira vez deu lugar a se pensar o prazer da mulher como algo que revolucionaria, não apenas a vida individual de cada uma, mas também toda forma de relações entre o masculino e o feminino.

A histeria foi o grito feminino, o demoníaco das pulsões, o fazer o voltar o olhar para a existência do clamor sexual feminino, sem queimá-lo na fogueira. Estava lá o velho bruxo para ouvi-lo, e mais do que isso, para dar voz a ele. Ao mesmo tempo ao tomar para si essa consciência, a mulher avança em direção à conquista de espaços sociais, construindo uma nova inserção, equivocada ou não em alguns aspectos, ainda com certeza um avanço em termos de liberdade de movimento e expressão da mulher. Ao libertar o discurso sobre o impulso feminino, a psicanálise abriu as portas do desejo e da gratificação como possibilidade a serem construídas.

Ao dizer que a castração lançaria a mulher no desejar, ele, o velho bruxo, mostrou o caminho do traçado do desejo, não só para as mulheres, mas também para os homens, como arrematou tão bem seu seguidor francês, Jacques Lacan. Ninguém pode mais aspirar o falo, no máximo possuir seu símbolo, aceitando antes a inevitabilidade de não sê-lo pra ninguém, às custas da perda da razão, caso faça o contrário disso.


Complexo de Castração e seu simbolismo para o feminino

Já vimos anteriormente como Freud avança em sua teoria sobre o Édipo feminino ao lançar luz para o fato que as meninas, assim como os meninos, aprendem a amar com seu primeiro objeto, a mãe, ou quem cumpre essa função, a primeira relação formadora da matriz(1921/23). Avançará mais ainda no estudo que dá lugar ao que chamaremos de 3º Enfoque, ou o Édipo Estrutural(1931), desenvolvido e aprofundado depois por Lacan. Será, então, o Édipo da situação triangular de Freud com ênfase nas relações pré-edipianas e tendo a vivência do desmame como traços do Complexo de Castração; ou para Lacan, nos três tempos, ou quatro lugares na estrutura edípica – desejante, desejado, interditor e falo; assim como três funções: função mãe, função pai, função falo.

O Complexo de Castração perde sua leitura simplificada que remete ao medo de perder o pênis para os meninos e a “inveja do pênis” para as meninas e alcança a dimenção do símbolico, da constituição do sujeito desejante(Lacan). Volta então a colocar em simetria sua função para ambos os sexos. Será na desistência de completar o primeiro objeto de amor que o aparelho psíquico ganhará a noção do desejo, lido como falta em Lacan e produção permanente(maquínica) em autores como Guattari e Deleuze(“Anti-Édipo”) que não vêem no Édipo a questão central da psicanálise. Mais do que nunca a constituição bissexual estará evidenciada e transposta para a constituição do sujeito psíquico. O Édipo avança para ambos os gêneros sempre em duas direções, com posturas ativas e passivas, ou femininas e masculinas, ou ainda em leituras de positivo ou negativo. A castração lançará ao Édipo triangular e a posterior formação de investimento e identificação, apontando para uma priorização da orientação sexual, embora ainda seja certo afirmar que a constituição bissexual permanece latente em todos os casos.

Nessa entrada na situação triangular que Freud verá uma incompletude de compreensão sobre a formação da sexualidade feminina, visto que para o menino, não haveria a necessidade de abandonar seu primeiro objeto de amor para a entrada na triangulação, enquanto isso, para a menina, seria necessário o abandono desse primeiro objeto e o direcionamento do investimento em direção a função pai, que cumpriu também a função de interditar. Na dissolução desse complexo veremos fortemente marcada a entrada da cultura, através de seu herdeiro – o 'superego', que deixa de ser realizado pelas funções parentais e passa a ter existência para o psiquismo em seus aspectos conscientes e inconscientes.

Avança esse sujeito circundado pelas relações edípicas(pré-edípicas), imaginado e desejado.

“…e é assim que entendemos a fórmula segundo a qual toda criança que nasce é para sua mãe o aparecimento no real do objeto que falta à sua existência” (G)

Em muitas culturas e ao longo de todos os tempos, o feminino não é comemorado em seu aparecimento, diferente do que acontece com os varões. Hoje ao longo do nosso redondo planeta, encontraremos ainda verdadeiras atrocidades em relação ao nascimento da criança menina, como por exemplo na China, onde algumas pesquisas apontam para dados estarrecedores(vide links H e I) e a necessidade de uma implantação de punições para o aborto do feto feminino.

"A China proíbe identificar o sexo do feto durante a ultra-sonografia, mas basta um sinal do médico para saber se é um menino ou uma menina", conta Isabelle Attané, que publicou em 2005 "Une Chine sans femmes?” ("Uma China sem mulheres?”, editora Perrin). Hoje, diz ela, "a estimativa é que mais de 500.000 fetos femininos são suprimidos desta forma todo ano na China”. (I)

A organização falocêntrica nesses dados realizaria sua ação de perversidade mais contundente, sublinhando de maneira cruel a supremacia do dircurso masculino sobre o feminino. O aparelhamento tecnológico a serviço do ataque hostil do masculino em direção ao feminino, mesmo quando colocado pela própria mulher, dona do corpo que escolhe o aborto do feminino, talvez fundado em suas próprias questões de feminilidade e inserção nos dispositivos sociais.

“Não há outro traumatismo do nascimento senão nascer desejado*. Desejado ou não, dá no mesmo…”(Lacan – citado em G) *grifo nosso

Bem, voltemos ao nosso tema, se é que saímos dele, que envolve a questão levantada pelo Complexo da Castração e sua implicação na formação do psiquismo, agora entendendo que ele, de maneira direta, formula o símbolico tanto para o feminino quanto para o masculino, não havendo uma diferenciação até aí. Ao dar acesso ao chamado 'mundo simbólico' a interdição trabalha também, como já vimos anteriormente, naquilo que seria a função falo exercida pela criança perante sua mãe. É comum ouvirmos relatos femininos sobre a sensação de completude experienciada durante o período da gestação, o que implica muitas vezes em sentimentos masculinos de abandono ou inveja para o pai, assunto que pensamos ainda pouco explorado pela produção psicanalítica.

A título de exemplificação, poderemos pensar, na questão trazida pelo 'pequeno Hans' ao desejar dar um filho ao seu pai, que foi traduzida por Freud como a 'teoria cloacal' para o nascimento, com a fantasia de captação anal do pênis do pai e podendo gerar para ele, por meio disso, um filho. Supomos então, seguindo o rastro deixado pelo Édipo freudiano, a existência no desejo do menino de também gerar um filho para o seu pai, o que não estaria tão distante da fórmula proposta por Freud – Fezes –> falo(pênis) –> bebê. Essa fantasia do 'gerar masculino', envolta na mais profunda irrealidade, foi magistralmente apresentada pelo escritor Jorge Luis Borges em sua obra “Ruínas Circulares”, fica aqui como sugestão de leitura:

“o propósito que o guiava não era impossível ainda que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com integridade minuciosa e impô-lo à realidade”. (Borges)(J)

A fase fálica proposta por Freud organiza investimentos e identificações para ambos os sexos, mas deixa a marca na feminilidade traduzida segundo a leitura dessa fase, marcadamente pela inveja do pênis, traduzida por sentimentos de inferioridade(ou superioridade defensiva), inveja e medos.

“Para as meninas, a passagem da bissexualidade infantil para a feminilidade pressupõe uma articula ção necessária, na fase fálica,entre a inveja do pênis, dado primário, e o desejo de ter um filho como substituto do órgão masculino invejado/desejado. A feminilidade bem sucedida está marcada, então, pelo desejo de ter um filho/p ênis do pai. Esta concepção é mantida até o "Esbo ço de Psicanálise", último texto freudiano contendo referências à feminilidade”(K)

Diremos então que a identificação com o feminino marcará uma fantasia já atrelada ao gerar, zelar e cuidar, construindo via o desenvolvimento psicossexual a estrada por onde se desenvolverá a construção do posterior papel que desempenhará frente ao mundo real(externo).


Conclusão:

O presente estudo quis abordar alguns aspectos ligados a pesquisa psicanalítica sobre a questão do feminino. Sabemos que muitas outras análise têm sido feitas sobre o tema, não pretendemos, o que resultaria impossível, traçar uma leitura completa sobre ele, apenas levantar algumas considerações a respeito.

Trabalhamos todo tempo a partir da tese da sexualidade feminina constituída desde os seus primórdios em conjunto com a construção de uma função nos papéis sociais e um questionar, razoavelmente recente, que atravessa a sociedade contemporânea-ocidental sobre esse lugar feminino.

Pensamos essa mulher e ao pensar sobre ela, estaremos pensando também o papel que desempenhará o masculino frente a tudo isso. Muito do que vemos a partir dessa análise, talvez possa nos lançar alguma luz sobre a distância cada vez maior que se percebe nas relações afetivo-sexuais contemporâneas. Como também a uma “escolha” feminina da maternidade sem parceiro, onde o pai de alguma forma segue afastado de sua função junto a criança, ou ainda, em outra perspectiva mais esperançosa, é convidado a dividir o papel “feminino” em conjunto com a mãe.

Ao final, concordaremos com Langer, mas estendendo sua afirmativa para o que diz respeito também ao homem.

“De tudo que foi exposto pode-se deduzir a constelação familiar que garante à menina uma evolução sexual favorável”. (1)

Se aceitarmos essa tese, teremos que buscar meios para que as funções parentais possam encontrar seu lugar, de maneira mais equilibrada frente ao isolamento sexual-afetivo que hoje padecem muitos homens e mulheres.


Anseios

Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!…

Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar…

(Florbela Espanca)



Livros consultados:

1 – Maternidade e Sexo – Marie Langer

2 – Obras Completas de S Freud vol XI –

A – “Um Tipo de Escolha de Objeto feita pelos Homens”(Contribuições a Psicologia do Amor I)

B -“Sobre a tendência Universal à Depreciação na Esfera do Amor”(Contribuições a Psicologia do Amor II)

C – “O Tabu da Vigindade” (Contribuições à Psicologia do Amor III)

3- Obras Completas de S. Freud vol XXI – “A Sexualidade feminina”

4- Obras Completas de S. Freud vol XIX – “Dissolução do Complexo de Édipo”


Links:

A – A histeria em Freud e Flaubert

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2002000200014

B – http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3660&ReturnCatID=1781

 

C – http://claudia.abril.uol.com.br/materias/2225/

D – Histeria e Feminilidade – André Michels

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-14982001000100003&script=sci_arttext

E – http://www.estadosgerais.org/encontro/reflexao_sobre_a_dor.shtml

F – http://veja.abril.com.br/300501/p_102.html

G – clique aqui

H – http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=62254

I – http://www.mhorizontes.org.br/Paginas/mostra_informacao.asp?ID=99

J – Conto: “As Ruínas Circulares”

http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/esp/borges/ruinas.htm

K – http://borges.uiowa.edu/bsol/chaves.php

L – http://www.chess-theory.com/encprd03766_chess_practice_reflections_debates_arts.php

 

 

About Denise Deschamps

Psicóloga com formação em Psicanálise, Socio-Análise e Clínica Infantil – IBRAPSI/RJ; Formação em Psicoterapia de grupos- “ Psicólogos Associados; Supervisora Clínica em Psicanálise. Co-autora do livro “Cinematerapia – Entendendo Conflitos”.

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