herói

Um motivo mitológico que corresponde ao self inconscien­te do homem; de acordo com Jung, "um ser quase-humano que sim­boliza as idéias, formas e forças que moldam ou dominam a alma". A imagem do herói incorpora as mais poderosas aspirações e revela a maneira pela qual são ideal­mente compreendidas e realizadas.

O herói é um ser transitório, uma Personalidade Mana. Sua forma humana mais aproximada é o sacerdote. Numa visão in­trapsíquica, ele representa a vontade e capacidade de procurar e suportar repetidas transformações em busca de totalidade ou significado. Portanto, às vezes parece ser o ego; outras vezes, o self. É o eixo ego-self personificado.

A totalidade de um herói implica não somente a capacidade de resistir, mas também sustentar conscientemente a tremenda tensão dos opostos. De acordo com Jung, isso se consegue sob o risco de regressão e intencionalmente expondo-se ao perigo de ser "devo­rado pelo monstro materno", não uma só vez, mas muitas vezes, um processo da vida inteira que se inicia na tenra infância. O monstro materno era identificado por Jung como a psique coletiva.

Discutindo o motivo do herói, Jung enfatizava sempre os pe­rigos. Uma figura de tal magnitude não pode ser integrada em sua plenitude, porém exige um delineamento analítico mais cuidadoso e uma diferenciação. O valor da imagem está em seu funcionamento intrapsíquico. É fácil ver o absurdo da identificação com a imagem do herói, porém, quando este arquétipo se constela, humor e senso de proporção faltam com freqüência. Ocorre então uma caça à imagem do herói, feita com a maior seriedade, dando-se precedência à meta e não à jornada, o que leva a uma superintelectualização e um esforço artificialmente cons­ciente por objetivos somente exeqüíveis gradativamente e por meio de diálogo com o próprio inconsciente do indivíduo.

Como Jung corretamente previa um arquétipo com tal apelo co­letivo amplamente difundido iria inevitavelmente encontrar uma ex­pressão coletiva e atrair a projeção. Por ser recente como pro­fissão e por causa do dinamismo de seus primeiros intérpretes, a psicologia analítica tinha tido de enfrentar esse problema. Por causa da atração e contágio numinosos, a tendência foi depreciar o motivo, nos últimos anos.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

Comments are closed.