pintura

Na análise ou auto-análise, é o registro de imagens internas em forma visual. As imagens podem derivar de sonhos, imaginação ativa, visões ou outra forma de fantasia.

Em fins do século XIX, na Europa central, surgiu um interesse pelas pinturas dos doentes mentais; sem dúvida, Jung estava ciente deste fato. Nos primórdios de sua carreira, começou ele próprio a pintar ou esculpir e continuou a atividade por toda a sua vida.

Também encorajava seus pacientes a pintar e interpretou as pinturas em alguns de seus artigos (ver, sobretudo, "A Study in the Process of Individuation", CW 9i; "The Philosophical Tree", CW 13). Um arquivo de pinturas de analisandos é mantido no Instituto C. G. Jung, Zurique.

Os comentários de Jung sobre o valor psicológico de uma tal pintura punham ênfase tanto no processo como no produto. A pintura é mediadora entre o paciente e seu problema. Com a pro­dução de uma pintura, uma pessoa ganha alguma distância de sua condição psíquica. Isso porque, para o paciente perturbado, quer seja neurótico quer psicótico, um caos incompreensível e incontrolá­vel é objetivado através da pintura.

Freqüentemente uma diferenciação entre a pessoa e sua pintura pode ser considerada como o início de uma independência psicoló­gica. Enquanto retratando uma fantasia, continua-se imaginando-a de forma sempre mais completa e com mais detalhes.

Neste caso, não se representa a própria visão ou o próprio sonho, mas se está pintando a partir dessa visão ou desse sonho; daí, a psique consciente tem oportunidade de interagir com o que irrom­peu inconscientemente.

A abordagem inicial da pintura é o oposto daquela da imagi­nação ativa. O indivíduo não se esforça por descobrir ou liberar conteúdos inconscientes, mas participar deles na obtenção de uma expressão plena e consciente. Jung adverte que, quanto menos ma­terial inicial, maior é o perigo de que os dados sejam considerados como resolvidos demasiadamente cedo ou os julgamentos sejam for­mulados em termos morais, intelectuais ou diagnósticos.

Deve-se ter grande cuidado ao lidar com pinturas e sua interpretação, tanto da parte do pintor como do analista. Jung agia de forma coerente com o ponto de vista de que a pintura era pro­priedade do paciente (como o sonho) e o relacionamento primário a ser promovido era entre o próprio pintor e sua interpretação ima­ginativa das figuras retratadas.

Adeptos de Jung usaram a pintura como um meio de encorajar a liberação do afeto reprimido, lado a lado, ou inclusive, com as finalidades diagnósticas. Séries de pinturas muitas vezes podem ser vistas como tendo um desenvolvimento seqüencial ou narrativo ex­pressivo de uma condição psicológica em transformação.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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