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Dicionário

psicose

Um estado da personalidade em que "alguma coisa" des­conhecida assume possessão da psique em um maior ou menor grau e defende sua existência não intimidada pela lógica, persuasão ou vontade. O inconsciente invade, assumindo o controle do ego consciente, e, uma vez que o incons­ciente não tem funções organizadas nem centralizadas, a conseqüên­cia é que existe uma confusão psíquica e um caos psíquico. Se a estranha linguagem metafórica do inconsciente puder ser comunicada à consciência, porém, então, a psicose pode ter um efeito curativo. Quando a energia reprimida assim liberada pode ser canalizada proveito­samente, a personalidade consciente tem acesso a novas fontes de poder para a regeneração.

Estas idéias, originalmente apresentadas por Jung em 1917, porém reconsideradas e reformuladas diversas vezes, representam uma abordagem da psicose da perspectiva da psicologia profunda: e, muito embora, nas décadas recentes, o comportamento psicótico tenha provado ser manejável através da administração de drogas modernas, as condições psíquicas associadas a tais estados não se alteraram. O ataque de psicose pode ser súbito, muito embora a erupção possa ter estado a preparar-se durante muito tempo. E, embora uma neurose possa ocultar uma psicose, o material suscitado por uma neurose é, em geral, compreensível em termos humanos, ao passo que o da psicose não é. Aqui, uma fantasia incontrolável deixa-se soltar.

No que concerne à etiologia, Jung encontrava dificuldade para dizer que via na predisposição psicológica inata de uma pessoa alguns dos determinantes de sintomas posteriores, porém não a causa única da psicose. Se uma con­dição psicótica é acessível à psicoterapia, pode-se fazer uma tentativa de fortalecer o ego o bastante para que os conteúdos psíquicos possam ser integrados. Entretanto, se não fosse feita nenhuma elaboração, a opinião de Jung era de que, com toda probabilidade, o processo simbólico permaneceria caótico e fora de controle. Embora muitas vezes seja possível que um observador de fora, analista ou psiquia­tra, compreenda formas psicóticas de expressão, o mecanismo com­pensatório normal da psique fica perturbado de tal modo que se verifica uma enérgica intrusão de imagens inconsciente. Paradoxalmente, o mesmo processo instável da intru­são pelo simbolismo inconsciente ocorre em ocasiões de intensa ins­piração criativa e conversão religiosa; mas, em ambos os casos, não existe um continente não-pessoal com força suficiente (obra-de-arte ou ritual) para que estabilidade e um senso de propósito possam ser mantidos até que um equilíbrio individual se restabeleça e um significado se torne aparente.

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