Questões do Masculino: Formação da identidade masculina

Grande é a batalha do homem para constituir-se como tal, pois o primeiro dever dele desde que nasce é não ser uma mulher. Para os meninos, separação e individuação acham-se vinculados a identidade de gênero, visto que a separação da mãe é essencial para o desenvolvimento da masculinidade.

A masculinidade define-se através da separação enquanto a feminilidade através do apego, sendo assim a identidade de gênero masculina é ameaçada pela intimidade, ao passo que a identidade feminina é ameaçada pela separação. E no caminho de constituir-se um homem, o menino irá buscar fora de si mesmo, referencias para a construção do modelo de comportamento masculino.

O trabalho e o desempenho sexual funcionam como as referências principais. Tanto uma quanto a outra referência, cria uma expectativa de êxito, de competição, de dominação. Mas por outro lado, o ideal masculino, faz com que o homem abrisse mão de qualquer traço de feminilidade e isso inclui suas necessidades afetivas. Exige-se que seja superior em relação aos outros.

A masculinidade é medida pelo compasso do sucesso, do poder e da admiração que provoca. Ele deve ser independente, exibir uma aparência de audácia, agressividade, mostrar-se capaz de correr todos os riscos, se necessário ser violento, para garantir sua supremacia sobre o outro.

Acompanham essa “hipervirilidade”: a violência pessoal e coletiva, as doenças, os riscos. A competição e o estresse, a obsessão pelo desempenho, aumentando muito sua fragilidade, diminuindo assim sua expectativa de vida em 10 anos, relacionadas à expectativa média de vida das mulheres.

Como a identidade masculina é ameaçada pela intimidade, assim o menino passa a acreditar que os homens não podem se permitir tocar, acariciar, sentir, rir e chorar, porque estes comportamentos seriam de uma mulher, da mãe. “Além do que lhe é verbalmente passado: O homem não chora”,” Isso é coisa de veado.",” parece uma mulherzinha.".

Por causa disto, os homens vivem uma segmentação polarizada do que é o masculino e o feminino, o sexual e o afetivo, o trabalho e o prazer.

Experenciam seus afetos com uma incapacidade para entrega e com apelo eminentemente sexual. Por ter como único código amoroso, o da sexualização de seus afetos, se o homem está próximo de uma mulher ele a vê como um objeto sexual. Devido ao fato de terem sido acostumados a ser meros observadores da trama afetiva, os homens seduzem, ao mesmo tempo em que procuram evitar envolvimento.

Parte dos problemas hoje emergentes da relação homem-mulher surge a partir do significado que a representação da mulher tem para o homem, impedindo ao homem, motivado mais pelo significado, do que pelas experiências reais de trocas, contatos e descobertas.

Concluindo, o homem desde que nasce é cobrado para que se torne um homem, afastando-se da mãe, para não ser como ela. Deverá também, não demostrar seus sentimentos, suas fraquezas, seus medos, suas emoções. Seu afeto reprimido deverá ser convertido em energia sexual e ele deverá “conquistar” as outras mulheres, pois "ter" mulheres, é o jeito de não "ser" uma delas. Ao objetivar a mulher, evita o encontro e o envolvimento entre eles.

Não deve demonstrar seu amor por outros homens também, sob o risco de ser considerado um homossexual. Deve ser forte e potente no trabalho e na sua vida sexual. O tempo todo lhe é lembrado que é um homem, mas não lhe ensinaram a descobrir quem é ele: o que sente, do que gosta, a quem ama a quem deseja.

 O homem necessita resgatar a capacidade de sentir e expressar os afetos, contribuindo assim para a transformação desde homem e deste pai, motor fundamental na criação de novos homens mais inteiros, mais próximos de seu verdadeiro "eu".

Conclusão: A atração heterossexual não é natural, nem inata, não fazendo sentido pensar em uma masculinidade que viria ao mundo com o bebe. Masculinidade é subjetividade adquirida independente do sexo anatômico do sujeito. A construção da masculinidade é um trabalho constante e a presença do Pênis não constitui nenhuma garantia tangível .

Referências Bibliográficas:
 
Badinter, Elizabeth. XY: sobre a identidade masculina. Rio de janeiro: Nova fronteira, 1993.

Gilligan, Carol . Uma voz diferente : a psicologia da diferença entre homens e mulheres da infância à idade adulta. Rio de janeiro: Rosa dos Tempos,1982

Freud Sigmund. Obras Completas. Ed. Imago. !987

Nolasco, Sócrates. Identidade Masculina: um estudo sobre o homem de classe média. Dissertação de mestrado. Departamento de Psicologia, PUC – RJ. 1988

About Dra. Rita Maria Brudniewski Granato

Trabalho na profissão de Psicologa Clínica, há 28 anos, tenho meu próprio consultorio. Fiz formação Psicanlitica, na SPCRJ, sou especializada em Psicologia Clínica.
Atendo criança, adolescente , adulto e casal.

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