Falso Self

Falso Self é o nome que Winnicott dá a uma 'pseudo-personalidade'. A personalidade (ou seu 'centro', o 'self' – também conhecido na língua portuguesa como 'si mesmo') se desenvolve, segundo ele, a partir das experiências que vão sendo armazenadas na memória do indivíduo. O 'self' é fruto de um somatório dessas experiências, das quais o bebê extrai, lá pelas tantas, um denominador comum a todas elas: um 'eu' que vive essas experiências. O self é verdadeiro caso as experiências vividas tenham sua origem na espontaneidade do bebê, e falso se a origem for externa, a vontade (ou decisão) da figura materna, por exemplo. O 'self' verdadeiro expressa a natureza própria e singular do indivíduo, enquanto o 'self' falso expressa o que esse indivíduo aprendeu com as pressões e intrusões (invasões) da figura materna, que, ao sobrepor seu gesto ao do bebê, inibe sua espontaneidade e lhe informa como ele deve ser. O 'self' falso é, inevitavelmente, submisso: às vezes a submissão é à vontade genérica do 'outro', mas pode acontecer também que essa submissão é restrita a uma ou algumas pessoas, resultando numa personalidade que, obedecendo a um comando 'embutido' nos âmagos da memória, trata de sobrepor-se a todos aqueles a quem ela não se submete.

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