Queridos e Odiados

Acabo de ler o artigo da coluna “Colunista Convidado” no Jornal O Globo de domingo, 17/02/08. O colunista Chaim Samuel Katz fala sobre amizade e de família. Salvo todos como “amizade é a família que escolhemos” e a crença de que há nisso alguma vantagem; vejo também que muitas vezes escolhemos um amigo ou somos escolhidos por eles, sem nem ao menos entender as razões.

Escolhemos errados quando um amigo nos decepciona? Escolhemos errado quando somos traídos ou quando mantemos uma amizade da qual desconfiamos? Por que? Porque traçamos paralelo entre amizade e família?  O que têm em comum? Existe diferença entre amizades masculinas e femininas? Um homem e uma mulher podem ser amigos sem interesses sexuais? Escolhemos amigos que sejam espelhos de nós mesmos ou buscamos nessas pessoas aquilo que nos falta?

Nesse artigo do jornal, o autor, que também é psicanalista, além de escritor, afirma que “ser amigo é ser sempre outro e, o mais importante, o melhor amigo é também o outro de si mesmo, pois a amizade modifica os amigos”. Quem nunca teve a impressão, ao avaliar uma amizade de longa data o quanto de mudança ela carrega consigo? Da mesma forma, quem nunca sentiu diante de um amigo que não se vê há anos, que nada mudou? Que continuam tendo a mesma intimidade de sempre? Escolher amizades que nos façam bem, que nos puxem pra cima e compartilhem conosco o lado bom e também o, difícil da vida é algo que se aprende em casa.

Está relacionada com a nossa auto-estima e o quanto nos amamos. Funciona mais ou menos assim, se me acho uma pessoa bacana, boa amiga, também acho que mereço boas amizades e pessoas que me tratem bem e cuidem de mim. Do contrário, se acho que não tenho valor, acredito também que toda amizade é um favor pra mim, e que devo agradecer por ter aquela pessoa negativa ao meu lado. Ao menos não estou sozinha em minhas dores. Bobagem. Não há solidão maior do que a compartilhada. Mesmo entre amigos. Ah!, família. É nesse espaço que aprendemos, ou não, o nosso valor. E é exatamente a partir daí que podemos descobrir o valor dos nossos amigos.

Uma família afetuosa e sensível cria filhos fortes, adultos fortes, mesmo que ocorram discussões entre seus membros ocasionalmente. Não há nada de errado nisso. Os irmãos se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Queridos amigos, odiados amigos. Amada família, odiada família. É por isso que continuo acreditando que o oposto do amor não é o ódio. O oposto do amor é a indiferença, nua e crua. Fria. Morta.

One Response to Queridos e Odiados

  1. Celi Lins 23 de outubro de 2013 at 2:42 #

    OTIMOO