BRISSAUD, Édouard (1853-1909)

Brissaud nasceu a 15 de abril de 1553 em Besançon, e teria se destinado à Escola Cen­tral, se a guerra de 1870 não lhe tivesse dado a ocasião de ser voluntário em uma ambulân­cia móvel e assim tomar gosto pela medicina. Residente dos Hôpitaux de Paris em 1875, aluno de Broca, de Fournier e de Charcot, preparador de anatomia na Salpêtrière, chefe de clínica de Lasègue em 1880, foi aprova­do como professor em 1886. Titular em 1889 da cátedra de história da medicina, passou, um ano mais tarde, para a de patologia médi­ca, substituindo Charcot na Salpêtrière de­pois do falecimento deste. Admitido a 18 de maio de 1909 na Academia de Medicina, morreria de um abscesso cerebral, sete meses depois, a 19 de dezembro, apesar da interven­ção tentada por seu amigo Sir Victor Horsley.

Embora seus trabalhos se refiram ao conjunto da medicina, Brissaud foi antes de tudo neurologista. Participante assíduo dos congressos de medicina mental, estava per­suadido da necessidade de reunir as duas disciplinas. Conseguiu impor essa concepção em 1893, no congresso de La Rochelle, e a partir de 1894, o Congresso Anual de Medi­cina Mental se tornou Congresso dos Médi­cos Alienistas e Neurologistas da França e dos Países de Língua Francesa. A 28 de feve­reiro do mesmo ano, era publicado o primeiro número da Revue Neurologique, que ele fundou com Pierre Marie, com o apoio de Charcot.

Suas preocupações na patologia mental eram resolutamente organicistas, quer se tratasse do estado mental dos parkinsonia­nos, da idiotia mixedematosa, dos tiques, do "torcicolo mental" ou da ansiedade paroxís­tica, ancestral da nossa doença do pânico, que ele atribuía a uma neurose do pneumo­gástrico. Sua contribuição mais importante para a psiquiatria é a descrição da sinistrose, termo que propôs em 1908 para designar uma patologia que surgiu com a lei de 9 de abril de 1898, sobre a indenização dos acidentes de trabalho, e que ele definiu como "um estado psicopático especial (…) que procede unicamente de uma interpretação errônea da lei e consiste em uma espécie de delírio ra­ciocinante, fundado sobre uma idéia falsa de reivindicação'" imputável "não ao acidente, mas ao acidentado".

Brilhante, culto, bom professor, Brissaud estaria à altura da sucessão de Charcot. Pre­feriram Raymond. Sua imaginação, sua iro­nia, seu anticonformismo (usava a gravata chamada lavallière, recusava a casaca e fazia parte da Liga dos chapéus pequenos, em oposição à tradicional cartola, sem dúvida trabalharam contra ele. Entretanto, todos os que conviveram com ele concordavam: esse humorista bon vivant era essencialmente um homem angustiado e pessimista.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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