jargão orgânico

Adler aplica este termo à "linguagem somática" (sintomas) que o neurótico usa para expressar um protesto masculino. Segundo Adler, a consciência do ego, na crian­ça, está em conflito com os fatos do seu meio ambiente. Assim, a criança deseja ser grande e poderosa, mas na realidade é pequena e fraca. Por conseguinte, ela constrói todas as suas atitudes agressivas de modo a constituírem uma só atitude de protesto masculino contra os sintomas de fraqueza (feminilidade), como ter­nura, subordinação e, o que é mais importante, as manifestações de inferioridade orgânica. Contudo, a criança com predisposição neuró­tica esforça-se, além disso, por adquirir uma arma eficaz, associando à sua inferioridade orgânica aqueles traços de caráter que se origi­naram em sua consciência de ego – isto é, obstinação, necessidade de afeição, limpeza exagerada, pedantismo, cobiça, avareza, ambi­ção etc. Assim, para granjear atenção e afeição, um epilético psicogênico conseguiu que a maioria de seus "ataques" fossem precedidos de obstipação, preocupando assim a família ­tudo isso para neutralizar a sua degradação. Deste modo, o protesto masculino usa, para se expressar, uma linguagem somática ou jargão orgânico. Como expressou num sonho um dos pacientes de Adler, "a minha doença tem ori­gem no meu sentimento de inferioridade".

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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