leitura, incapacidade de

Este termo inclui várias entidades clínicas de etiologia e necessidade de tratamento manifestamente diferentes. Também chamado de distúrbios específicos do de­senvolvimento. "No número total de casos tratados por nós, que hoje soma cerca de 250 crianças e adoles­centes, verificamos que apareceram três grupos principais:

"1.º Aqueles casos em que o atraso de lei­tura se deve a uma lesão cerebral, declarada, que se manifesta por déficits neurológicos substanciais. Nesses casos, existem dificuldades afásicas importantes claramente demonstráveis, que são semelhantes às síndromes disléxicas em adultos. Um exemplo é o do menino de nove anos de idade que sofreu um sério ferimento na cabeça, com coma prolongado, seguido de hemiparesia direita e afasia expressiva.

"2.º Os casos sem história ou dados clínicos importantes que sugerem doença neurológica, mas nos quais o atraso na leitura é considerado primário. O defeito parece estar na capacidade básica para integrar material escrito. Com base em resultados que apresentaremos mais adian­te, suspeita-se de um déficit neurológico e, como o defeito é básico ou biológico em sua origem, demos a estes casos o nome de retarda­mento primário de leitura.

"3.º Aqueles casos que mostram retardamento na leitura, com base em testes padronizados, mas em que não parece haver defeito algum na capacidade básica de aprendizagem de lei­tura. Essas crianças possuem um potencial normal para aprender a ler mas ele não foi utilizado, em virtude de fatores exógenos, entre os quais são comuns a ansiedade, o negativismo, o bloqueio emocional e oportunidades limita­das de escolaridade. Diagnosticamos estes casos como retardamento secundário de leitura." O fato de não se fazer a distinção entre esses tipos principais de incapacidade para a leitura redundou em confusão entre os pesquisadores neste campo, e inúmeros termos foram criados para descrever vários tipos de defeitos de lei­tura; muitos desses termos freqüentemente se referem ao mesmo conceito. Entre esses termos correntemente usados citaremos: cegueira yo­cabular, simbolambliopia congênita, tifolexia congênita, amnésia visual verbal, dislexia con­gênita, alexia do desenvolvimento, analfabetia partialis, bradilexia, estrefossímbolia, dislexia constitucional e dislexia específica.

No grupo primário acima descrito, "o defeito parece fazer parte de uma perturbação mais ampla na integração. Os nossos resultados sugerem que estamos lidando com uma discre­pância do desenvolvimento e não com uma lesão cerebral adquirida. As áreas específicas de dificuldade, manifestadas nos exames clíni­cos, são as comumente associadas à disfunção parietal e parietal-occipital".

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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