caráter (2)

No uso corrente, equivale aproximada­mente à personalidade; consiste na totalidade do comportamento que pode ser observável e da experiência interior descrita subjetivamente. Inclui os padrões de comportamento caracterís­ticos (e, em certa medida, previsíveis) que cada pessoa desenvolve, consciente e inconsciente­mente, como seu estilo de vida ou modo de ser, adaptando-se ao seu meio ambiente e mantendo uma relação estável e recíproca com o meio humano e não-humano. O caráter ou persona­lidade reflete a natureza do sistema de defesa psicológica da pessoa, suas manobras autoplás­ticas e aloplásticas, e as defesas do ego, que ela emprega automática e habitualmente a fim de manter a estabilidade intrapsíquica. O caráter é a agência por cujo intermédio as forças pes­soais interiores e as forças ambientais exteriores se conjugam, são criticamente avaliadas e sob cuja influência a pessoa age; por outras pala­vras, é um ajuste entre as pulsões internas, as reivindicações do superego e as exigências da realidade. Uma vez que o caráter ou persona­lidade é ego-sintônico, deve ser reconhecido que qualquer diagnóstico de distúrbio de caráter ou perturbação da personalidade constitui funda­mentalmente um diagnóstico social e é realiza­do, não pela própria pessoa, mas por outros que consideram o comportamento dela destru­tivo, assustador, rebelde, inconformista ou de algum outro modo desviante.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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