casamento terapêutico

Como auxiliar do trata­mento, certos clínicos, provavelmente bem-in­tencionados, mas desavisados, aconselham real­mente o casamento a seus pacientes. De um modo geral, isso é racionalizado da seguinte maneira: o casamento funciona como um im­pulso ou catalisador para o paciente, forçando o surgimento da maturidade emocional. Via de regra, esses pacientes procuraram tratamento pela expressão física sintomática de distúrbios de origem psicogênica neurótica, gravitando ge­ralmente em torno de várias formas de impo­tência psicogênica, no caso do homem, e de frigidez e aversão sexual nas mulheres. Quando essas pessoas, confiantes no bem-intencionado conselho do clínico, concretizam ativamente a receita de casamento, as intimidades específi­cas que colocam à prova o caráter na situação conjugal, sobretudo na esfera sexual, logo pre­cipitam os sintomas de suas inadequações emo­cionais caracterológicas. Como meio terapêu­tico, o conselho de "casar" é comumente con­tra-indicado ou desnecessário.

A melhor garantia para o desenvolvimento de problemas conjugais é duas personalidades imaturas "apaixonarem-se" e casarem. Inver­samente, quando duas pessoas maduras sentem­-se mutuamente atraídas e casam, são grandes as probabilidades de felicidade conjugal. Um dos critérios de maturidade mínima para o ca­samento consiste em que as pessoas assumam a responsabilidade por sua própria escolha e casem "movidas por seus próprios sentimen­tos".

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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