choque psicodramático

"Um procedimento que ao lançar um paciente recém-saído de uma psicose de volta a uma reexperiência do ataque psicó­tico, constitui um tratamento de choque psico­dramático. O paciente é solicitado a mergulhar de novo na experiência alucinatória quando esta ainda está bem nítida em sua mente. Não se pede que ele a descreva; deve representá-Ia em atos. Coloca o corpo na posição em que estava então e age como agiu então. Pode escolher quaisquer membros da equipe a fim de recriar a situação alucinatória. Isto faz do procedimen­to um 'psicodrama'. Geralmente, o paciente ma­nifesta uma resistência violenta contra ser jo­gado de novo na experiência dolorosa de que acabou de escapar. Fazer isso, apesar de um medo violento, produz um 'choque'.

Atuar ao nível psicótico num momento em que ele ainda está extremamente sensível à síndrome mental dissipada, faz com que o pa­ciente aprenda a controlar-se. É um treinamen­to para domínio de invasões psicóticas, não através de análise, mas através de uma reconsti­tuição das experiências psicóticas de ato em ato, de papel em papel, de alucinação em aluci­nação, até que toda a esfera da psicose seja projetada no palco terapêutico. É uma terapia preventiva. O paciente é treinado para desenvol­ver controles espontâneos com os quais possa evitar a súbita deflagração de uma invasão psi­cótica. O procedimento produz um efeito catár­tico. O procedimento psicodramático, diferen­ciado de outros métodos de choque que deixam o paciente desarticulado e sem ação, insiste em que o paciente reproduza com o seu próprio corpo aquele mundo fantástico em que ele esteve perdido."

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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