Ato não-moral em clínica

Já que o ato clínico é uma situação de suspensão da moral, isto é, um ato não-moral, neste momento o que reina é a ética profissional do psicoterapeuta. Cada um na sua profissão: o juiz de direito julga conforme a legislação civil e penal de seu país, o profissional de saúde, segundo seu código de ética. Por exemplo, chegam a um Pronto Socorro, lotado e somente com uma sala e equipe para atender um único caso, dois feridos à bala em estado grave. O socorrista fica sabendo que um paciente é vítima de assalto, e que foi baleada pelo outro, que é o assaltante, e que acabou sendo ferido por um policial. Qual dos dois deverá ser atendido. Neste momento não cabe um julgamento moral ou legal dos indivíduos. Os dois são pacientes e o julgamento é da área médica. Será socorrido aquele que tiver maior chance de sobrevivência, não importa qual dos dois seja. O mesmo vale para um advogado que seja defensor público, e que tenha de atender a um réu com graves antecedentes criminais, e sob o qual incidem suspeitas comprováveis. Pela Constituição Federal, todo cidadão tem direito à defesa em um Estado de Direito. Não caberá ao advogado de defesa, naquele momento, fazer juízo moral, ele tem de cumprir seu trabalho. Somente o juiz de direito é quem poderá dar a sentença, ao término do andamento do processo jurídico.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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