Cisão sujeito-objeto em Jaspers

Para Jaspers: Cisão sujeito-objeto – o pensamento humano, eterno prisioneiro da cisão sujeito-objeto, que ele mesmo cria e é, ao mesmo tempo, sua condição essencial, nem pode renunciar à totalidade nem alcançá-la. Uma totalidade que não fosse nem sujeito nem objeto, que englobasse os dois termos, única a merecer o nome de ser, escapa-lhe. É do fundo deste englobante inatingível que surge a cisão humanamente criadora do sujeito e do objeto. Mas, para o pensamento, ela é uma cisão insuperável. Se a objetividade, cujo sujeito devaneia quando trata de descobrir no mundo a totalidade do ser, está irremediavelmente ligada à subjetividade e dela dissociada, se o mundo, com totalidade, é assim negado, o pensamento é afastado para outra tarefa bem diferente. Perdida a esperança de atingir o mundo em si, que seria o ser, o pensamento deverá esclarecer a sua própria situação, em relação à qual se constitui a objetividade do mundo. Ora, esta situação se esclarece pela própria experiência dos limites, contra os quais esbarra a busca da totalidade do mundo como suposta totalidade do ser.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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