idéias delirante/obsessiva/prevalente

Examinemos com cuidado o diagnóstico diferencial entre três situações muito próximas – os distúrbios do conteúdo do pensamento:

1ª. Pensamento delirante – faz  perder a capacidade crítica do paciente no que diz respeito ao seu conteúdo temático psicopatológico. Aliás, a grande característica aqui encontrada é a da mais absoluta convicção delirante.

2ª. Pensamento obsessivo – conjunto de idéias que se impõe ao psiquismo de maneira obrigatória, compulsória, sem margem de escolha, de maneira  egodistônica, isto é,  contra a vontade do paciente, em dissonância com o seu ego.  A crítica está parcialmente perdida, mas, nem sempre. Esse neurótico vive grande sofrimento ao se observar executando rituais absurdos. Em contraste com a convicção delirante, a obsessão vem acompanhada de uma verdadeira neurose da dúvida que corrói o paciente. Ao examinar inúmeras vezes se a porta da rua está trancada, observa-se que lhe falta o conceito da evidência. É bom lembrar que essa dúvida é imposta pela doença, bem diferente do céptico que a usa sistematicamente por ideologia, por opção livre.

3ª. Pensamento prevalente – conjunto de idéias superestimadas pelo indivíduo, que por  extrema paixão, tem sua crítica comprometida, e se torna razão-de-ser do mesmo; é egossintônico, isto é, cooptado pela vontade. Exemplos: vegetarianismo, seitas evangélicas neopentecostais, ideologias sócio-políticas etc., tendo como traço principal o fanatismo.  O fator cultural desempenha aqui um papel fundamental.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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