Pós-modernidade

O existencialismo surge como uma reação ao racionalismo iluminista que pretendia resolver todos os problemas a partir da racionalidade clássica. Ocorre que hoje em dia o contexto cultural é outro: estamos na chamada Pós-Modernidade onde uma das características é a de um irracionalismo e relativismo abrangentes.

Portanto, nestes dias, as correntes do existencialismo estão deslocadas e o seu contexto não se repete. Conseqüentemente o estudioso que se inicia no existencialismo poderá não compreender inteiramente seus objetivos e descaracterizá-lo, situando-o como uma escola pós-moderna relativista e indutora de irracionalismos das mais variadas faces.

O existencialismo é uma postura intelectual de crítica ao racionalismo radical e não um programa de justificativa da pós-modernidade. Se há sobreposição de existencialismo e pós-modernidade, aquele se torna desconfigurado e as conseqüências clínicas serão interferências ateleóticas – sem finalidade – que podem induzir aos graves problemas de alianças perversas entre analista e analisando.

Por outro lado, as psicoterapias sinteto-existenciais não são relatos inteiramente racionalizados, ou seja, não são descrições racionais exclusivas e a interferência do psiclínico transita pelo discurso racional.

Concluímos, portanto, que quando o existencialismo está descontextualizado existe o perigo real de ser descaracterizado levando a um irracionalismo extremado de condutas não-operativas clinicamente, ou a um racionalismo infrutífero, pois pernicioso.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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