Sentimentos espirituais (ou da personalidade)

Para Max Scheler os sentimentos espirituais surgem do mesmo ponto de onde emanam os atos espirituais. Não são mais estados do ego. Na serenidade de ânimo, por exemplo, parece apagado tudo o que é modo de estar. São sentimen­tos absolutos e parecem nublar com suas Iuzes e suas sombras todos os conteúdos da vida psíquica. São tão absolutos que não podem se apoiar em determina­dos valores. Se estamos desesperados por algo não possuímos o autêntico desespero, que, como a bem-aventurança, não vem de coisas deste mundo. Quando estes sentimentos existem realmente se fundem com o ser mesmo; são modos de ser em lugar de modos de estar. Neles se lança o valor da pessoa mesma, não este nem aquele valor determinado.

A estratificação dos sentimentos é, sem dúvida, um bom princípio de classificação, mas, não podemos ver as camadas sentimentais como reinos isolados. O princípio da totalidade da vida psíquica domi­na a vida sentimental mais que qualquer outro setor. Os sentimentos são "qualidades complexas" da vivência total; vale dizer, como o fundo sobre o qual desliza o resto da vida psíquica (percepção, pensamento, etc.), fundo que há de se examinar como uma estrutura variável, mas sempre única, em um momento determinado.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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