complacência somática

O grau em que a estrutura orgânica do individuo coincide com o seu me­canismo psicológico na expressão sintomática de suas defesas patológicas. Nos sintomas de conversão, por exemplo, toda a catexia das pulsões repreensíveis é condensada numa fun­ção física definida. A capacidade da função afetada para absorver essa catexia constitui a sua complacência somática. A função pode ser escolhida porque o órgão em questão apresen­ta um locus minoris resistentiae (inferiorida­de de órgão), ou porque a erogeneidade da parte afetada corresponde às fantasias inconscientes que buscam expressão (como no caso de uma pessoa com fixações orais que, quando os sin­tomas se desenvolvem, apresentará principal­mente sintomas orais), ou por causa da situação em que ocorreu a repressão decisiva (o órgão ou função sob a mais elevada tensão no mo­mento decisivo é suscetível de se tornar a sede do distúrbio), ou ainda por causa da capacida­de do órgão para simbolizar a pulsão incons­ciente em questão (assim; órgãos convexos como a mão, nariz e seios, podem simbolizar o pênis e representar desejos masculinos).

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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