crime e distúrbio mental

Não existe relação inva­riável entre crime e distúrbio mental, embora os criminosos como grupo tenham maior inci­dência de anormalidades psíquicas do que os não-criminosos. Numerosos estudos mostraram que um certo grau de retardamento mental é registrado, com freqüência inesperadamente

elevada, em reclusos (20 % a 25 %, em vez dos esperados I % a 3 %): embora esses dados pos­sam indicar que o retardado é deficitário em sua capacidade de controle de impulsos agres­sivos ou outros impulsos anti-sociais, eles po­dem igualmente indicar que o retardado é me­nos hábil em escapar à detenção, mais suscetí­vel, em virtude de se deixar sugestionar mais facilmente, de ser influenciado por outros para que aja contra a sociedade, e/ou está sofri­velmente equipado para se defender quando é levado a tribunal.

Outros distúrbios com uma incidência de cri­me mais alta do que o esperado são a esquizo­frenia, a epilepsia e outros distúrbios cerebrais orgânicos, o alcoolismo (especialmente os esta­dos de intoxicação aguda e patológica), o uso e abuso de tóxicos, episódios amnésicos e esta­dos de fuga. A maior proporção de delinqüen­tes habituais, entretanto, não pertence a qual­quer dessas categorias, mas enquadra-se no gru­po qualificado como personalidade anti-social ou psicopática. Muitos indivíduos pertencentes a este grupo tiveram um desenvolvimento emo­cional interrompido, aprenderam um estilo de vida delinqüente em ambientes psicossociais desfavoráveis, não tiveram modelos adequados a uma identificação construtiva e tiveram que recorrer a modelos de subculturas desaprova­das (na terminologia de Erikson, difusão da identidade maligna), e/ou foram criados numa sociedade que despertou neles expectativas, mas lhes negou a oportunidade de satisfazerem essas expectativas.

Um dos principais interesses do psicopatologista, no que se refere ao crime e ao distúrbio mental, assim como ao criminalmente insano gravita em torno da questão de responsabilidade do acusado pela ação criminosa que se alega ter ele cometido.

           

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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