fase pré-ambivalente

A primeira fase do estágio oral, quando ainda não existe concepção algu­ma de objetos. À medida que a sexualidade infantil se desenvolve, passa por diversos está­gios associados às várias zonas erógenas. A libido organiza-se sucessivamente em torno dessas zonas erógenas. O estágio mais antigo da sexualidade infantil é o oral, em que a libido está organizada em torno da boca, dado que as primeiras experiências de tensão e satisfação da criança são as da fome e sua saciação.

O desenvolvimento do amor objetal está inti­mamente interligado ao desenvolvimento da sexualidade. Quando a sexualidade infantil se desenvolve, o tipo de relações com o objeto muda, pois associado a cada estágio e relacio­nado com a zona erógena específica em torno da qual a libido está sendo organizada temos um tipo diferente de relacionamento com os objetos. Os estágios de amor objetal, antes de se atingir a fase de amor real, são considerados ambivalentes, pois neles o processo de se obter satisfação destrói o objeto. Isso baseia-se prin­cipalmente na natureza fisiológica das erogenei­dades oral e anal, que constituem os modelos usuais para essas relações objetais. Por exem­plo, no estágio oral, o propósito libidinal é incorporar o objeto, ou seja, pô-Io na boca. "Contudo, a incorporação destrói objetiva­mente o objeto."

A incorporação oral é a primeira relação objetal, dado que a primeira consciência de um objeto foi o anseio de algo já conhecido da criança, algo que poderia satisfazer suas neces­sidades, mas não está presente no momento. E a saciação da fome foi a primeira dessas neces­sidades.

Antes de surgir esse conceito de objeto, a criança ainda não tinha consciência do mundo exterior a ela; tinha somente consciência de sua própria tensão e relaxação. Assim, como na primeira fase do estágio oral o erotismo não tinha objeto, não podia existir uma atitude ambivalente em relação ao objeto. Conseqüen­temente, esse primeiro período desprovido de objeto do estágio oral, no desenvolvimento da sexualidade infantil, é conhecido como a fase pré-ambivalente. Foi assinalado que, na fase pré-ambivalente, o prazer erótico oral é obtido não só através da saciação da fome mas tam­bém pela estimulação da membrana mucosa oral erógena. Isto é facilmente observado na sucção do polegar. Assim sendo, essa fase pré­-ambivalente também é caracterizada como "o estágio oral primitivo de sucção da organização libidinal" ou "estágio auto-erótico" no desen­volvimento do amor objetal. (Fenichel)

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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