Psicose Infantil

Segundo os estudos realizados por Bezerra et al(sd) apud Honorato (2005), as psicoses infantis foram ignoradas e negadas em sua existência durante séculos. Tiveram seus estudos impedidos por causa de superstições relacionadas a possessões diabólicas e bruxaria. Algumas crianças psicóticas foram encarceradas em jaulas destinadas a enfermos mentais e, na maioria dos casos, foram segregadas para fora das cidades, às vezes, sendo abandonadas por completo e à sua própria sorte. Foi tardiamente que os distúrbios mentais em crianças começaram a ser objeto de investigação empírica. Segundo as mesmas autoras, em 1960, psiquiatras britânicos conceituaram a psicose infantil através de critérios diagnósticos como: relacionamento prejudicado com as pessoas, confusão de identidade pessoal e inconsciência do eu, preocupação anormal com objetos, resistência a mudanças no ambiente, rebaixada ou elevada sensibilidade aos estímulos sensoriais, reação de ansiedade excessiva ou de ajuda em resposta a menor mudança, perturbação da linguagem e da fala, hiperatividade ou hipoatividade e desempenho não correspondente nos testes de inteligência entre a área de funcionamento normal a superior intercaladas e as áreas de atraso no desenvolvimento intelectual.
Para Ajuriaguerra e Marcelli (1986) apud Honorato (2005) as características do psicótico infantil listadas são: dificuldade para se afastar da mãe; problemas para compreender o que vê; alterações significativas na forma ou conteúdo do discurso, repetindo de imediato palavras e/ou frases ouvidas (fala ecolálica), ou empregando-se de forma idiossincrática estereotipias verbais ou frases ouvidas anteriormente, sendo comum a inversão pronominal, referindo-se a ela mesma usando a terceira pessoa do singular ou o seu nome próprio; alterações significantes na produção da fala com relação ao volume, ritmo e modulação; habilidades especiais; conduta socialmente embaraçosa; e negação da transformação da alimentação líquida para sólida ou bulimia não diferenciada incorporando qualquer objeto pela boca. As características da criança autista são: a perda do contato emocional e interpessoal, problemas de sociabilidade, isolamento intenso e agressividade. Observa-se que as crianças não respondem as carícias, palavras e nem às atenções dos adultos. Em contraste com a apatia frente às pessoas, a criança parece fascinada por objetos giratórios. Preocupa-se com que o ambiente fique conservado de forma inalterada. Passa muito tempo jogando com objetos repetitivamente. É indiferente às palavras e a qualquer som emitido por outras pessoas. Porém pode dar atenção ao ruído de uma porta ou ao barulho de um avião. Possuem hipersensibilidade ao toque e aos sons (ABC da Saúde, 2006).

De acordo com Vasques et al (sd) no Brasil são poucos e recentes os estudos sobre crianças que apresentam autismo e psicose infantil, por isso uma parcela significativa dos profissionais desconhece o que sejam estes transtornos fazendo com que a maioria dessa população não tenha serviços e possibilidades de atendimento, além da desinformação e o preconceito que acabam contribuindo para uma situação de desamparo e exclusão social, sobretudo daqueles menos favorecidos economicamente.
 

Referências:
 
ABC da Saúde e Prevenção Ltda. 2006
Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?44 acesso em: 06 mai. 2007
 
Honorato GM, Gebara AC. Alguns aspectos que podem ser identificados no psicodiagnóstico de Psicose Infantil, in. PsiqWeb, Internet. 2004
Disponível em http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=30&art=108 acesso em: 05 mai. 2007
 
VASQUES, C. K; et al. Transtornos Globais do Desenvolvimento e Educação:um Discurso sobre Possibilidades. Sd
Disponível em: acesso em: http://www.rizoma.ufsc.br/pdfs/343-of4-st2.pdf  06 mai. 2007

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