histeria

Embora Jung aponha seu usual comentário sobre a supe­restimação que Freud faz do papel da sexualidade, não discordava de muitas das opiniões de Freud sobre a histeria.

As de que os sintomas histéricos são um retorno de lembranças re­primidas sob uma forma diferente, de que são simbólicos e podem ser elucidados por meio da análise, de que existe um excesso problemático de energia psíquica (normalmente sexual) e de que a etiologia da histeria deverá ser encontrada no fun­damento pessoal do paciente. É estranho como o acréscimo habitual de Jung do coletivo ao inconsciente pessoal não é feito quando ele discute a histeria. Talvez isso se deva ao fato de que a maioria de seus escritos sobre o assunto data de seu período psiquiátrico inicial, quando muitas vezes eram as teorias de Freud que ele estava demons­trando ou discutindo. Os interesses mais primitivos psiquiátricos iniciais de Jung estavam no campo geral de estados de consciência ou semiconsciência alterada (fenômenos "ocultos", sonambulismo, histeria).

A contribuição de Jung pode ser resumida como segue:

(1) O Teste de Associação de Palavras – mostrava o papel central do segredo na histeria (isto é, o proibido, e, daí, a natureza sexual das fantasias do histérico era re­velada).

(2) Na histeria, a tendência natural da psique de se dividir em complexos relativamente autônomos escapou de controle, de modo que um complexo/complexos invadiram e possuíram o corpo. Uma forma de desintegração da per­sonalidade verificou-se e os sintomas somáticos da histeria podem ser considerados os representantes simbólicos de tais complexos pa­tológicos.

(3) Usando a tipologia, Jung concluiu que a histeria pode ser vista como um distúrbio extrovertido (a esquizofrenia é intro­vertida). A razão por que os histéricos tendem a envolver outras pessoas em suas dificuldades é que eles projetaram essas dificuldades sobre o mundo externo (daí, extrovertido). O efeito que o histérico tem sobre o mundo imediato é uma indicação do estado interno dessa pessoa. Um exemplo simples desse aspecto seria que uma paralisia histérica das pernas exigiria do paciente buscar auxílio de outras pessoas para andar. Que outra demonstração poderia ser mais nítida do estado regressivo do paciente e de suas necessidades infantis não satisfeitas?

(4) Em virtude disso, os histéricos com freqüência manifes­tam-se como figuras de liderança. Hitler era um exemplo disso, na opinião de Jung. A propósito do nazismo, Jung escreveu sobre uma "histeria coletiva" em que um grande grupo separa uma parte de si mesmo que então funciona "fora de controle". As dissociações de Hitler e as do povo alemão naquela ocasião coinci­diram.
Apesar do que Jung diz no item (4), para muitos ele também foi um simpatizante do Partido Nacional-Socialista e admirador de Hitler. Apesar de Jung ser suíço, e não alemão, ele também teria sofrido da tal "histeria coletiva" que ele afirma.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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