fetiche

Objeto material de qualquer espécie (ídolo, amuleto, talismã) que encarna qualidades mis­teriosas e sobrenaturais, e do qual se pode espe­rar auxílio em momentos cruciais.

Em psiquiatria, dá-se o nome de fetiche ao objeto de amor da pessoa que sofre da parafilia chamada fetichismo – geralmente uma parte do corpo ou algum objeto pertencente ou associado ao objeto de amor. O fetiche substitui o objeto de amor e, embora possa ocorrer ativi­dade sexual com o objeto de amor, a satisfação somente é possível se o fetiche estiver presente ou, pelo menos, for fantasiado durante tal ativi­dade. Também é típica do fetichista a habilidade para obter satisfação exclusivamente do fetiche, na ausência do objeto de amor. Os fetiches mais comuns – sapatos, cabelos compridos, brincos, peças do vestuário íntimo, pés – são símbolos penianos ou servem para evitar a com­pleta nudez da mulher; e o fetichismo é assim considerado um meio de negar os medos de castração. Tal negação da falta de um pênis na mulher, por parte do homem adulto (e quase todos os fetichistas são homens) pres­supõe um grau de divisão do ego da pessoa que ordinariamente só se encontra em casos de um ego defeituoso ou seriamente limitado. O termo também é usado, de maneira mais imprecisa, com referência a regras e convenções que são aplicadas de forma distorcida ou respeitadas indevidamente.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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