drogas, fase da Dependência Orgânica (“Craving”) das

Nesta fase o indivíduo dificilmente conseguirá libertar-se sozinho da droga, devido à sindrome de abstinência, ou seja, o paciente sente uma série de sintomas físicos quando tenta parar com a droga e, portanto, ele se verá obrigado a repetir o uso da droga independentemente dos efeitos psíquicos ou físicos que a droga traz.
O paciente já não tem domínio sobre sua vontade e os efeitos da droga não são mais aqueles que sentia quando a utilizou pela primeira vez. Esta fase poderia ser subdividida, porém, a questão que mais preocupa é a instalação da dependência física, desde a sensibilização, a tolerância, os efeitos indesejáveis, o craving, a depleção neurotransmissora e, principalmente, a síndrome de abstinência, associada ao aparecimento de seqüelas.
Seria incompleta a definição dessa conduta se a mesma não fosse relatada dentro de um conjunto histórico-social, pois é nesse exato ponto que estão enraizados os processos que compõem a prática drogadictiva.
Classificar como utópica a existência de uma sociedade onde todos buscam a completa realização e têm como objetivo principal produzir e não consumir é o mesmo que tornar impossível uma meta capaz de extinguir as severas conseqüências das drogas.
O drogadicto é o modelo individual resultante do meio em que vive. Suas características são o reflexo das relações coletivas existentes em seu mundo. A droga estando em suas posses, ele a vê como uma chave que abre uma seqüência de portas que são destrancadas avidamente. Mas a cada porta aberta, uma anterior se tranca e ele continua a abrir, acreditando se libertar, por assim isolar-se do mundo que o "prende", sem perceber que, na verdade, tal atitude o faz prisioneiro de si mesmo. O próprio adicto é seu pior adversário.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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