Dirija sem medo

O presente artigo traz à tona um tema muito presente no cotidiano do trânsito – o medo de dirigir. Atualmente, o carro tornou-se um elemento essencial em nossa vida e essa necessidade acentuou-se pelo individualismo vivido diariamente. Portanto, cabe lembrar que dirigir torna-se uma atividade indispensável para muitas pessoas, significando independência e facilidade para as atividades do dia-a-dia.
Convém destacar que o acentuado desenvolvimento industrial do último século propiciou aumento considerável da frota de veículos em circulação em todo o mundo, e, paralelamente, aumentou o desejo de adquirir um carro como meio de transporte.
Além desta procura, cresce cada vez mais, a busca da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), documento necessário para conduzir um veículo no trânsito. Sendo assim, os locais destinados à avaliação encontram-se com grande demanda e as pessoas precisam se submeter a diversos testes para obterem a tão esperada CNH.
Porém, muitas delas apresentam certa dificuldade em ser aprovadas para a direção veicular devido a alguns fatores importantes. Dentre eles, dois chamam a atenção por ser percebidos com muita freqüência pelos avaliadores: a ansiedade e o medo perante o momento avaliativo, e conseqüentemente o sofrimento por parte do candidato a motorista.         
E o que seria então a ansiedade?
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) –  uma sensação desagradável de apreensão e inquietação, acompanhada pelos sintomas corporais como taquicardia, sudorese, tremores, palpitações, mãos frias, dentre outros. É um sinal de alerta que serve para avisar sobre um perigo iminente, podendo ser uma resposta normal ou patológica, dependendo de sua intensidade e duração. No entanto, o medo segundo a Psicologia, é uma emoção que protege o indivíduo. Então, como entender este paradoxo?        

O medo sempre acompanhou e ser humano e ele existe como uma forma de defesa da vida, contudo, em toda a emoção, há limites. Quando há sentimentos exacerbados de ansiedade e medo simultaneamente, estamos diante da fobia. A fobia é conhecida por ser uma modalidade de medo que persiste, que acontece em grau excessivo e “irracional” e surge sempre quando a pessoa  encontra ou antecipa uma vivência que causa ameaça a sua segurança.        

Mediante estudos e depoimentos de pessoas que nos procuram como forma de auxílio no processo de habilitação, evidencia-se a mesma queixa – o sentimento de incapacidade, derrota, vergonha e stress frente às avaliações e resultados obtidos.      

Considerando que o processo para obter a CNH envolve várias etapas, desde a montagem do processo até chegar ao exame prático de direção veicular, e, que a duração deste processo é de um ano, muitas pessoas não finalizam todas as etapas em tempo hábil e precisam dar início a um novo processo, devido ao fato de repetir uma série de vezes os testes, em função dos sentimentos de ansiedade, medo, ou até mesmo fobia.        

Diante disso, percebe-se a necessidade de um trabalho voltado às pessoas que enfrentam tal realidade. A atuação da psicologia, nesse momento, torna-se fundamental, visto que, geralmente o medo de dirigir vem acompanhado de elevada autocrítica e preocupação com o olhar das outras pessoas. Assim, acreditando que é possível reverter esse quadro e que o auto-conhecimento possibilita à pessoa ter maior controle da situação, nossa proposta é a da Psicoterapia como forma do sujeito compartilhar com o profissional suas dificuldades, seus fatores circunstanciais e pessoais, buscando a superação desse momento por meio de estratégias psicológicas, além de propiciar mudanças em outros aspectos da sua vida.      

A Psicoterapia é constituída por etapas importantes, que vão desde a entrevista até atividades práticas com o carro, envolvendo profissionais especializados na área de trânsito. Desta forma, trabalhando os aspectos emocionais e práticos, é possível superar o medo, reduzir a ansiedade e resgatar os aspectos positivos da personalidade.

Referências bibliográficas

DORNELES, C. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed sul, 2002.
SILVA, A.B. Mentes com medo: da compreensão à superação. Integrare, 2006.
CORASSA, N. Vença o medo de dirigir: como superar-se e conduzir o volante da própria vida. São Paulo: Editora Gente, 2000. 

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