O envelhecimento da população: um fenômeno global

O período do ciclo de vida, marcado por mudanças físicas ligadas ao envelhecimento, é chamado de senescência, que começa em épocas diferentes para cada indivíduo. As teorias de envelhecimento biológico dividem-se em dois grupos: as teorias que sustentam que o corpo humano irá falhar em determinado ponto, chamadas de teorias de programação genética, e as teorias de taxa variável, que sugerem que o ambiente e o estilo de vida possuem um papel importante (PAPALIA; OLDS, 2000).

Segundo Lima-Costa, Matos e Camarano (2006), a população idosa apresenta um crescimento sem precedentes na história. Ao redor do mundo já são 476 milhões de pessoas com 65 anos ou mais de idade. Prova disso são os dados da população norte-americana, aonde mais de 33 milhões de pessoas chegaram aos sessenta e cinco anos em 1994 (11 vezes mais do que no ano de 1900), passando a representar 12,5% da população. Estima-se que até o ano de 2050, cerca de 80 milhões de pessoas completará 65 anos nos Estados Unidos. As taxas de mortalidade para adultos mais velhos declinaram, sendo que as principais causas de morte, para pessoas com idade superior a 65 anos, são as doenças cardíacas, o câncer e os derrames (U. S. BUREAU OF THE CENSUS, 1995a apud PAPALIA; OLDS, 2000).

Os resultados obtidos por meio dos Censos Demográficos de 1991 e 2000 mostram que devido ao “continuado processo de transição para baixos níveis de mortalidade e de fecundidade, a população do Brasil caminha a passos largos rumo a um padrão demográfico com predominância de população adulta e idosa”. No Brasil, a população com 65 anos ou mais obteve um crescimento de 3,98% entre os anos de 1991 e 2000. Na região Centro-Oeste houve o maior índice de aumento da população nessa faixa etária, passando de 307.834 em 1991, para 497.429 em 2000, alcançando um aumento de 5,53% (IBGE/DPE/COPIS/GEADD, 2006, p.36).
Lourenço et al (2005, p. 312) afirma que nos últimos 30 anos a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida resultaram no aumento absoluto e relativo da população idosa brasileira: Estima-se que no ano de 2020, seus habitantes com 60 anos ou mais irão compor um contingente estimado de 32 milhões de pessoas. O crescimento desse segmento populacional situará o Brasil na sexta posição entre os países com maiores índices de envelhecimento humano.
O rápido crescimento da população de idosos, no Brasil, causa importante impacto em toda a sociedade, principalmente nos sistemas de saúde. Entretanto, a infra-estrutura necessária para responder às demandas desse grupo etário, quanto a instalações, programas específicos e recursos humanos adequados, quantitativa e qualitativamente, ainda é precária. 

Para Gazalle, Hallal e Lima (2004), devido à transição demográfica, o número de idosos vem crescendo no mundo todo. Entretanto, esta transição se dá de maneira diferente entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Segundo os autores, nos países desenvolvidos, o aumento da população idosa surge em conseqüência do aumento na qualidade de vida e da promoção de melhorias dos serviços de saúde, que proporcionou atendimentos de qualidade à esta população.
Já nos países em desenvolvimento, este aumento deveu-se a melhorias tecnológicas, que possibilitaram a cura de enfermidades antes fatais, sem, contudo, haver uma preparação da sociedade e dos serviços de saúde para os cuidados com os idosos.Esse aumento da população idosa alterará o ambiente físico, social, econômico e político, pois a população com maior idade irá se tornar mais influente nas eleições e no mercado de trabalho.
Países industrializados e aqueles em desenvolvimento, que presenciam em suas populações um número cada vez maior de idosos, preocupam-se com o custeio deste contingente. O envelhecimento da população possui diversas razões, como, principalmente, as taxas elevadas de imigração, desde o início até a metade do século XX, mais tempo de vida proporcionado pelos avanços da medicina, e a adoção de modos de vida mais saudáveis (PAPALIA; OLDS, 2000).
Baltes (1995 apud CARNEIRO; FALCONE, 2004, p. 119), afirma que o estudo do envelhecimento, a Gerontologia, tornou-se um dos principais eventos científicos do século XX, ocasionando um grande aumento na produção de trabalhos científicos sobre o envelhecimento. Para Battini, Maciel e Finato (2006), o envelhecimento populacional, acompanhado do progresso científico, favorece a mudança da mentalidade acerca da velhice, que passa a ser percebida como uma fase no desenvolvimento que não está ligada, exclusivamente, à incapacidades e perdas. Diante esta nova demanda, faz-se necessário a elaboração de estudos visando identificar fatores que colaborem para um envelhecimento de qualidade.

Referências bibliográficas

BATTINI, Elissa; MACIEL, Evelise Martinelli; FINATO, Mariza da Silva Santos. Identificação de variáveis que afetam o envelhecimento: análise comportamental de um caso clínico. Estudos de Psicologia. Campinas, v.23, n.4, p.455-462, 2006.
CARNEIRO, Rachel Shimba; FALCONE, Eliane Mary de Oliveira. Um estudo das capacidades e deficiências em habilidades sociais na terceira idade. Psicologia em estudo. Maringá, v.9, n. 1, p. 119-126, 2004.  
GAZALLE, Fernando Kratz; HALLAL, Pedro Curi; LIMA, Maurício Silva de. Depressão na população idosa: os médicos estão investigando? Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v.26, n.3, p. 145-149, 2004.
IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia Estatística/DPE-Departamento de Pesquisas/COPIS-Coordenação de População e Indicadores Sociais/GEADD- Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica. Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030. Rio de Janeiro, 2006.
LIMA-COSTA, Maria Fernanda; MATOS, Divane Leite; CAMARANO, Ana Amélia. Evolução das desigualdades sociais em saúde entre idosos e adultos brasileiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 1998, 2003). Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro,  v.11,  n.4,  p.941-950, 2006.   
LOURENÇO, Roberto Alves et al. Assistência ambulatorial geriátrica: hierarquização da demanda. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.39, n.2, p.311-318, 2005. PAPALIA, Diane P.; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 

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