Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)

Introdução

Considerando a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas de promoção de saúde e prevenção de doenças no envelhecimento, que proporcione qualidade de vida às pessoas idosas, uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, voluntários, foi formada, composta pelos profissionais acima citados, visando o desenvolvimento de um projeto denominado AMI – Avaliação Multidisciplinar do idoso. Este projeto é desenvolvido junto às dependências do Hospital São Julião, em Campo Grande – MS, e tem como público alvo idosos assistidos no ambulatório do Hospital, com idades acima ou igual a 60 anos . Seu desenvolvimento se dá por meio do enfoque teórico-metodológico previsto pela Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) (COSTA, 2005), que, por sua vez, baseia-se em escalas e testes quantitativos, compostos por.questionários semi-estruturados, contendo escalas, avaliações, exames clínicos e inventários. 

Apresentando a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)  

No final da década de 1930, foram elaborados os conceitos e parâmetros iniciais sobre a necessidade e importância de uma avaliação geriátrica  especializada. No contexto que envolva diagnóstico, diminuição da mortalidade e morbidade e reabilitação dos mesmos (COSTA; MONEGO, 2003).

Segundo as autoras, este tipo de avaliação é conhecida, atualmente, como Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) que é definida  como um processo diagnóstico multidimensional freqüentemente interdisciplinar,  associada a elementos clínicos (exames tradicionais), avaliação social, funcional, nutricional e neuropsicológica, possibilitando a determinação de deficiências ou habilidades, objetivando formular um plano terapêutico e de acompanhamento a longo prazo.

De acordo com Costa (2005, p.60), a Organização Mundial da Saúde (OMS), utiliza três diferentes domínios para determinar dano ou lesão que provocam disfunções nos pacientes idosos: 

1. Deficiência (impairmant) – Anomalia ou perda da estrutura corpórea, aparência ou função de um órgão ou sistema;

2. Incapacidade (disabily) – restrição ou perdas de habilidade;

3. Desvantagem (Handicap) – restrições ou perdas sociais e/ou ocupacionais experimentais pelo indivíduo.  

A autora esclarece que, embora este tipo de exames clínicos detecte deficiências e incapacidade, a AGA não é uma avaliação isolada e sempre deve acompanhar o exame clínico  tradicional.

Entretanto, pode-se ordenar o grau de incapacidade e propor medidas de reabilitação que tragam vantagem de adaptação do Idoso, resultando em uma intervenção, seja ela de reabilitação, de aconselhamento ou indicação de internação hospitalar ou em uma instituição de longa permanência.

Ainda segundo a autora, na AGA são avaliados os seguintes parâmetros:  

1) Equilíbrio e mobilidade: Parâmetro que avalia os idosos em relação às tendências a instabilidade postural, alterações de marchas e riscos de quedas, a fim de avaliar as dificuldades de equilíbrio e locomoção existentes por este grupo.

2) Função cognitiva: Avalia se o paciente possui algum tipo de alteração (Demência, delírio e depressão) que resulte em dependência  e perda da autonomia. Além de possibilitar a detecção de forma precoce alterações cognitivas.

3) Deficiências Sensoriais: Avalia se o paciente possui algum tipo de comprometimento visual e/ou auditivo que dificulte sua capacidade de executar as atividades da vida diária e faz aumentar o risco de declínio funcional.

4) Condições emocionais / presença de sintomas depressivos: Avalia a existência manifestações de depressão e demência, que podem comprometer a capacidade funcional e cognitiva do paciente.

5) Disponibilidade e adequação de suporte familiar e social: Verifica as associações da vida familiar  e social com os fatores negativos que esta podem representar alterando e muitas vezes prejudicando as condições clinicas e o estado funcional do idoso.

6) Condições ambientais: Observa as interferências ambientais, desvantagem e limitações que podem diminuir a capacidade funcional do idoso;

7) Capacidade funcional – Atividade da Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais da vida diária (AIVD): Avalia as dificuldades de execução das atividades diárias, fatores estes que muitas vezes impossibilita o idoso de cuidar de si próprio  e viver de forma independente.

8) Estado e risco nutricional: Verifica após avaliação subjetivas do estado nutricional. Avaliações: da história clinica e psicossocial, dos hábitos de tabagismo e de etilismo, do estado funcional, do exame físico, dos exames laboratoriais de forma individual analisando o perfil de cada idoso.

Assim a AGA deve fazer parte do exame clínico do idoso, principalmente daqueles em situações especiais: viúvos, moram sozinhos, que residam em instituições de longa permanência, portadores de múltiplas doenças crônicas, muito idosos (superior a 80 anos), etilistas, portadores de múltiplas doenças crônicas, em uso de inúmeros medicamentos e que apresentem um ou mais dos seguintes quadros: insuficiência cognitiva, instabilidade postural, incontinência, iatrogenia e imobilidade (RUBESTEIN; RUBESTEIN, 1998 apud COSTA, 2005).

Uma vez que, esta Avaliação possibilita intervenções (individuais ou populacionais), seja ela de reabilitação, aconselhamento, internação ou albergamento em asilo, exigindo respostas no que diz respeito especialmente às políticas de saúde e políticas sociais dirigidas à população idosa, com o intuito de preservar sua saúde e  a qualidade de vida dos idosos (COSTA, 2005).

A melhoria das condições de saúde e a crescente expectativa de vida no mundo, bem como no Brasil, acarretou o crescimento da população de terceira idade.

Este segmento da população passa por um processo natural de envelhecimento, gerando modificações que podem provocar algumas doenças e também alterações fisiológicas do organismo, diminuindo sua capacidade física e cognitiva (RUWER; ROSSI; SIMON, 2005; ARGIMON; STEIN, 2005).

A população geriátrica possui suas particularidades caracterizadas pela perca da capacidade funcional e da autonomia, dados estes que muitas vezes se torna mais relevante do que somente o diagnóstico da doença. Deste modo as equipes de saúde devem estar aptas a desenvolver, um processo diagnóstico que seja multidimensional, interdisciplinar que objetive a formulação de um plano terapêutico e de acompanhamento a longo prazo, verificando as capacidades e os aspectos psicosociais, deste grupo.

Este tipo de avaliação é conhecida como Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) (COSTA; MONEGO, 2003). Segundo as autoras, este exame clínico contempla novos componentes funcionais que permitem reconhecer deficiências, incapacidades e desvantagens que os pacientes idosos apresentam, qualifica e identifica os indivíduos  que são  frágeis  e de alto risco, para  o estabelecimento de medidas preventivas, terapêuticas e reabilitadoras  reversíveis.

Referências bibliográficas

ARGIMON, Irani I. de Lima; STEIN, Lilian Milnitsky. Habilidades cognitivas em indivíduos muito idosos: um estudo longitudinal. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.21, n.1, p.64-72, 2005.

COSTA, Elisa Franco de Assis. Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). In: LIBERMANN, Alberto et al. Diagnóstico e tratamento em cardiologia geriátrica: Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). 1ª Edição. Barueri: Editora Manole, 2005.  

COSTA, Elisa F. A.; MONEGO, Estelamaris T. Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). Revista da UFG. Goiânia, v.5, n.2, 2003.

RUWER, Sheelen Larissa; ROSSI, Angela Garcia; SIMON, Larissa Fortunato. Equilíbrio no idoso. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. São Paulo, v.71, n.3, p. 298-303, 2005.

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