Niso e Cila

Niso era o rei de Megara, seu reino passava por um momento de conflito com o Reino de Creta liderado pelo rei Minos. O conflito já durava aproximadamente seis meses e Megara só não foi tomada devido a um decreto, no qual a posse da cidade iria se concluir somente no momento que fosse cortada uma mecha do cabelo do rei Niso.

Niso tinha uma filha cujo nome era Cila, ela se apaixonou pelo seu inimigo. Tal sentimento foi gerado pela observação de Cila do alto da torre da cidade, dali ela começou a interpretar a hierarquia do exército, o sentimento de amor tomou seu coração, a partir daí Cila não sabia se apoiava seu pai ou seu amado, mas a sua vontade era que Minos tomasse o reino de seu pai.

Cila tomada pelo amor ficou disposta a tudo, mesmo que fosse necessário trair seu reino e seu pai, foi nesse momento que ela começou a indagar-se de que forma poderia favorecer o exército inimigo de Minos, abrir os portões seria difícil devido à permanência dos soldados que os guardavam, as chaves estavam em posse de seu pai.

Mas mesmo com as barreiras encontradas, Cila pensava que para uma mulher que possui um amor tão grande e verdadeiro não existiriam portões ou muralhas nesse mundo que a impedisse de fazer aquilo que pudesse levá-la ao encontro de seu amado. Cila teve outra idéia, já que o decreto propunha que o corte da mecha púrpura do cabelo significava a tomada do reino, ela decidiu fazê-lo, então entrou nos aposentos de seu pai e cortou seu cabelo para que fosse entregue ao exército de Minos, querendo assim agradá-lo. 

Assim, ela atravessou a cidade e logo foi levada ao rei Minos, se apresentou como filha de Niso e disse: entrego-te as mechas púrpuras de meu pai, a cidade e o reino e não quero nenhuma recompensa senão o seu amor.

Minos teve uma atitude surpreendente, ao afastar-se dirigiu-lhe palavras de repulsa, disse que ela deveria ser destruída pelos deuses e que não deveria existir lugar no mundo que pudesse repousá-la, que ela era infame e logo a expulsou, ao ouvir essas palavras entrou em desespero, lamentando a ingratidão de seu amado.

Quando o navio de Minos deixou o litoral ela se agarrou ao leme, então uma águia marítima, que era seu pai metamorfoseado, a atacou com bicos e garras; ela soltou o leme do navio e estando prestes a cair ao mar uma divindade a transformou em um pássaro sendo assim punida pelo seu erro.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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