Perseu

Acrísio, Rei de Argos, fora informado por um oráculo de que iria ser assassinado pelo neto. Decidiu, por essa razão, que sua única filha, Danae, jamais deveria ser mãe e trancou-a em uma torre de bronze sob forte vigilância. Contudo, nada é impossível para os deuses. Ela foi visitada por Júpiter sob uma chuva de ouro e se tornou mãe de uma criança a quem deu o nome de Perseu.

O pai, Acrísio, ficou, como é natural, extremamente furioso. Não podia executar a própria filha e o neto, porém esteve perto de fazê-Io. Largou-os em alto-mar em um barquinho sem mantimentos, esperando que se afogassem ou morressem de fome. Todavia, assim não entenderam os deuses. Os ventos e as ondas impeliram o barco para a pequena Ilha de Sérifo, onde mãe e filho foram encontrados por um pescador chamado Díctis, que, a despeito de sua pobreza, os tratou com bondade e deu-lhes um lar.

O rei da Ilha de Sérifo chamava-se Polídetes, e ele, quan­do Perseu cresceu, sentia ciúme e temor do rapaz. Sentia ciúme porque Perseu era mais forte, mais belo e mais intrépido que todos os outros jovens da ilha. Temia-o por desejar casar-se com Danae, contra a vontade desta, e sabia que enquanto Perseu estivesse em companhia dela, não conseguiria satisfazer seu desejo.

Assim sendo, imaginou um plano por meio do qual esperava desfazer-se de Perseu. Convidou todos os homens emi­nentes da ilha para uma grande festa, ficando entendido que cada um dos convidados deveria dar ao rei um presente de valor – um cavalo, uma armadura, ou um enfeite rico. Deli­beradamente, também convidou Perseu, sabendo que ele era por demais pobre para poder ofertar-lhe um presente. Quando todos os outros já haviam apresentado suas dádivas ao rei, Perseu, envergonhado por nada possuir para ofertar, disse-lhe que, embora fosse demasiado pobre para fazer como os demais, teria prazer em utilizar aquilo de que dispunha, apenas coragem e habilidade, prestando ao rei qualquer serviço que ele pedisse.

– Então, vai – disse Polídetes -, e traz-me a cabeça da Górgona Medusa.

Perseu ergueu-se e deixou o salão do festim. Sabia que se não fizesse o que o rei ordenara jamais poderia regressar a Sérifo; sabia, também, que o rei planejava destruí-lo, uma vez que ninguém permanecera vivo depois de ver as Górgonas. As Górgonas eram três monstros, um dos quais, Medusa, com sua cabeleira formada de serpentes, já tinha sido um ser humano. Elas viviam no fim do mundo e todos aqueles que as contemplavam viravam pedra.

Perseu poderia bem ter-se desesperado, mas os deuses o ajudaram. Plutão emprestou-lhe um capacete que tinha o poder de tornar invisível a quem o usasse. Minerva cedeu-lhe seu res­plandecente escudo, e Mercúrio suas sandálias aladas com as quais ele poderia voar pelo espaço, e também uma curiosa es­pada retorcida, cravejada de diamantes e tão afiada que podia cortar com facilidade qualquer metal. Minerva também en­sinou-lhe o caminho que teria de seguir e revelou-lhe alguns dos perigos que iria enfrentar.

Assim, Perseu despediu-se da mãe, que deixou sob os cuidados do bondoso pescador, Díctis. Depois amarrou aos pés as sandálias aladas, apanhou o capacete e o escudo, e voou por sobre terras e mares rumo ao extremo oeste.

Chegou a uma região jamais pisada por seres humanos.

Os únicos habitantes eram três bruxas solteironas, filhas de Fórquis e irmãs das Górgonas. Elas possuíam um só olho e um só dente para as três, tendo de se revezar para usá-los.

Perseu aproximou-se delas trazendo à cabeça o capacete que o tornava invisível, e, enquanto uma das velhas entregava o olho a outra, ele o arrebatou de suas mãos, dizendo que só o devolveria se lhe informassem onde viviam suas irmãs, as Górgonas.

Muito a contragosto, e com lábios trêmulos, elas ensinaram o caminho, e mais uma vez Perseu atravessou regiões distantes e desconhecidas, terras incultas e brenhosas, até chegar ao lugar em que habitavam as Górgonas. Logo percebeu que era ali, porque divisou pelos campos e estradas  figuras de homens e animais que haviam sido transformados em pedra com um simples olhar.

Pouco depois descobriu um trecho rochoso onde as três Górgonas estavam adormecidas, com suas longas asas dobradas debaixo do corpo. Aproximou-se delas invisível, tomando a maior precaução para não fitar diretamente a Medusa. Apenas via-lhe o rosto e a cabeleira formada de serpentes refletidos no escudo que carregava. Então, enquanto ela e as cobras encara­coladas dormiam, com um só golpe da espada afiada decepou­-lhe a cabeça, e, veloz como uma flecha, ganhou novamente o espaço.

Colocou a cabeça, ainda sangrando, em uma sacola que levara para esse fim. Da primeira gota   de sangue que caiu ao solo pedregoso nasceu uma criatura maravilhosa, o cavalo alado Pégaso. Esse belo e fogoso animal dirigiu-se através do ar ao Monte Hélicon, onde viviam as Musas, tornando-se seu animalzinho de estimação.

Por seu lado, Perseu transpunha rapidamente o espaço carregando a cabeça da Medusa. Ao voar sobre o deserto da Líbia, novas gotas de sangue tombaram ao solo. Dos pontos em que se entranharam na terra nasceram cobras, e por essa razão a Líbia ainda é infestada desses animais.

Impelido como uma nuvem pelos ventos e tempestades variáveis, via as terras lá embaixo ao voar sobre toda a Super­fície do mundo. Do norte gelado foi arremessado para o sul escaldante; muitas vezes as tempestades levavam-no para o poente e outras tantas para o nascente. Por fim, ao cair da

noite, aterrissou na região de Espéria, o reino do gigante Atlas, e pediu permissão para ali descansar até romper a aurora do dia seguinte.

Atlas era a mais enorme de todas as criaturas de forma humana. Ele governava a orla do mundo onde, ao crepúsculo, os exaustos cavalos do Sol mergulham no mar cintilante. Em seus jardins havia uma árvore de folhas douradas cobrindo galhos com maçãs de ouro, Perseu acercou-se de Atlas e disse:

– Senhor, deixai-me repousar aqui. Se alta estirpe vos significa alguma coisa, informo-vos que meu pai é Júpiter. Ou, então, caso vos atraiam grandes façanhas, creio que estareis interessado no que eu fiz. Por conseguinte, peço vossa hospi­talidade.

Atlas, contudo, recordou-se de que um velho oráculo dissera-lhe que um dia um filho de Júpiter ali chegaria para roubar-lhe os frutos de ouro, e por essa razão tinha construído altas muralhas rodeando o pomar, colocando lá um dragão para vigiar a árvore, além de proibir a entrada de estranhos em seu país. Portanto, respondeu a Perseu:

– Parte imediatamente! As tuas mentiras a respeito de Júpiter e das tuas façanhas de nada adiantarão.

Em seguida agarrou Perseu pelo braço e começou a botá-lo fora do palácio. Perseu resistiu, ao mesmo tempo, que procurava acalmar Atlas com linguagem bem educada; todavia, vendo que dessa forma nada conseguia, e que o gigante era demasiado forte para ele (quem poderia competir em força com Atlas?), disse:

– Nesse caso, já que não quereis prestar-me um favor insignificante como esse, vou dar-vos um presente diferente.

Virando o rosto para outro lado, Perseu ergueu à frente dele a medonha cabeça de Medusa. Imediatamente Atlas trans­formou-se em uma montanha do mesmo descomunal tamanho que ele tivera em vida. Sua barba e seus cabelos tornaram-se flo­restas; ombros e braços formaram ressaltos, a cabeça era o cume; seus ossos rochas. Em seguida (de acordo com a vontade dos deuses) ele se avolumou ainda mais em todas as direções, e o céu inteiro, com todas as estrelas, apoiou-se em seus ombros.

No dia seguinte, ao romper a aurora, Perseu tornou a calçar as sandálias, apanhou a espada retorcida e retomou a caminhada pelo espaço. Depois de passar por muitas regiões, chegou ao país dos etíopes, governado pelo Rei Cefeu. Ao olhar para baixo na direção do litoral, viu acorrentada a uma rocha uma jovem de rara beleza. Ela se mantinha tão imóvel que mais parecia uma estátua de mármore, não fossem os cabelos esvoaçando ao vento e as lágrimas que lhe rolavam pelas faces. Imediatamente apaixonou-se por ela, e tão fasci­nado ficou por sua formosura, que quase se esqueceu de bater as asas. Pousou bem próximo à jovem, perguntando-lhe quem era e por que se encontrava agrilhoada. A princípio ela não respondeu e teria coberto o rosto pudicamente com as mãos se estas não estivessem presas. Em prantos, a seguir contou-lhe sua estória, para que ele não imaginasse que fizera algo de errado. Estava sendo punida pelas palavras insensatas da mãe, Cassíope, que havia alardeado ser a filha mais bela que as deusas o mar, as Nereidas. Em conseqüência, Netuno, rei do mar, dera ordens a um temível monstro marinho para que devastasse a região. O pai da jovem, Rei Cefeu, tinha consultado o oráculo, sendo advertido de que teria de sacrificar a filha Andrômeda (assim se chamava a moça) ao monstro, No momento, acorrentada, aguardava que o monstro aparecesse. Fora pro­metida em casamento ao tio, Fineu, o qual nada fizera para socorrê-Ia.

Enquanto ela falava, Perseu viu o rei e a rainha, em meio a grande multidão, rumando em direção à praia, chorando e lamentando a sorte da inocente jovem. Andrômeda tinha mais razão de chorar, pois, nesse instante, um tremendo rugido elevou-se do mar, e um enorme monstro surgiu sulcando as

águas com o peito vigoroso. A moça soltou um grito de terror. Perseu foi imediatamente falar com seus pais.

– Meu nome – disse-lhes – é Perseu. Sou filho de Júpiter e Danae, a quem meu pai visitou envolto numa chuva dourada. Também fui eu quem matou a Górgona Medusa. Creio, portanto, que mereço ser o esposo de vossa filha. Agora, com o auxílio dos deuses tentarei salvá-la e a vós combatendo o monstro. Prometeis conceder-me a mão de sua filha em casamento, se eu salvar-lhe a vida?

Os pais de Andrômeda, sem se lembrarem da promessa já feita a Fineu, concordaram imediatamente, e Perseu ergueu­-se da terra pairando no espaço. O monstro, abrindo caminho pela água como um grande navio, já se achava ao alcance do arremesso de uma funda. Ele viu a sombra de Perseu na água e, enfurecido, começou a atacá-la. Mas Perseu, como uma águia arrojando-se do ar sobre uma serpente, mergulhou de ponta-cabeça e cravou sua espada até o cabo no ombro direito

do monstro. A fera ferida ergueu-se no ar e tornou a precipi­tar-se ao mar, agora arroxeado com seu sangue. Em seguida voltou-se e retorceu-se como um javali cercado por uma cerrada matilha. Perseu, com suas asas rápidas esquivou-se das horrí­veis mandíbulas e mergulhou repetidas vezes para fincar pro­fundamente a espada curva no enorme dorso, coberto de crustá­ceos, ou nos lados, ou ainda, no ponto em que começava sua cauda de peixe. A fera jorrava com ímpeto sangue e água da boca enquanto se debatia no mar; as penas das asas de Perseu molharam-se e ficaram pesadas, porém, apoiando-se parcial­mente a uma rocha que se projetava do oceano, ele cravou a espada três vezes no coração do animal. Os brados do povo aclaman­do a vitória do herói ressoaram por toda a praia e pelo céu. Cefeu e Cassíope saudaram Perseu como seu genro, e Andrô­meda, libertada dos grilhões, prontificou-se a ser sua esposa imediatamente.

Antes de se dirigirem ao palácio para a festa do casa­mento, Perseu lavou o sangue das mãos e do corpo nas águas do mar. A fim de que a cabeça da Górgona não se contundisse de encontro às pedras duras, ele fez um amontoado de algas marinhas para a cabeça repousar. O estranho poder da cabeça passou para as algas marinhas, que se tornaram rijas e pesadas como pedra. As ninfas do mar ficaram embevecidas com o milagre e trouxeram mais e mais algas marinhas e galhinhos, e, quando endureciam, carregavam-nos de volta ao mar. Essa ainda é a natureza do coral, que permanece como um raminho debaixo d'água e enrijece quando exposto ao ar.

Perseu construiu três altares aos deuses que o haviam ajudado, imolando neles uma vaca, um novilho e um touro. Em seguida reclamou a noiva, e logo tiveram início os prepara­tivos acelerados para a festa das bodas no gigantesco palácio dourado. Guirlandas recobriam as paredes, incensos aromáticos foram colocados nas fogueiras, músicos tocavam flautas e liras, ou cantavam ao som de harpas para os nobres etíopes que che­garam para o importante matrimônio.

Ao final do festim, depois de comerem e beberem até se fartarem, o rei pediu a Perseu que relatasse a estória de sua perambulação e como conseguira decepar a cabeça da Górgona. Perseu começou a contar, porém, quando estava na metade, escutaram de súbito, provindo do lado de fora das portas douradas, uma gritaria confusa e o entrechoque de armas, ruídos bastante inadequados a um banquete de casamento. As portas se abriram abruptamente e o irmão do rei, Fineu, em­punhando uma longa lança cinzenta, irrompeu no salão à fren­te de um grande bando de homens armados. Sustentando na mão a pesada lança, disse a Perseu:

– Aqui estou para vingar o roubo da minha noiva. Agora as tuas asas não poderão salvar-te, nem as tuas fábulas de Júpiter transformando-se em ouro.

Estava prestes a arremessar a lança, mas Cefeu pôs-se de pé e bradou:

– Irmão, que estás fazendo? B uma loucura pensar em tal crime. Se realmente merecesses minha filha, deverias tê-la salvo quando ela estava agrilhoada às rochas. Se não fosse por Perseu, a estas horas ela estaria morta. Assim, como pode alguém ter mais direito a ela que Perseu?

Fineu fitou-o sinistramente e pareceu hesitar se atiraria a lança primeiro no irmão ou em Perseu. Por fim, arrojou-a em Perseu, que desviou o corpo e ela foi cravar-se oscilando no banco em que estivera sentado. Perseu levantou-se, arran­cou a lança da madeira, e fez menção de arremessá-la contra Fineu: entretanto, o covarde Fineu já se refugiara atrás do altar. O Rei Cefeu ergueu as mãos e bradou aos deuses que esse ato de agressão era contrário à sua vontade e contra as normas de hospitalidade. Os homens que acompanhavam seu irmão eram em número imensamente superior aos seus, não pa­recendo existir esperança de salvação para ele, Andrômeda e Perseu. Todavia, embora invisível para todos, a deusa guer­reira Minerva achava-se presente, protegendo Perseu e forta­lecendo-lhe o coração.

Lanças começaram a ser atiradas como chuva pelo salão, passando ràpidamente pelos olhos e orelhas, ou atravessando couraças de armaduras, coxas e estômagos. Perseu, de costas à direita e à esquerda com a espada recurvada, abatendo homens como uma ceifadeira com gadanha sendo operada sobre capim espesso. Os nobres etíopes batalhavam a seu lado, e atrás deles estavam o rei e a rainha com a filha, bradando aos deuses e chorando. Logo todo o piso ficava banhado de sangue e o salão cheio de gritos dos feridos ou moribundos. O exer­cito de Fineu continuava entrando no palácio, e Perseu, com­batendo como um tigre, começou a sentir fraquejarem-Ihe as forças, por não terem fim os seus inimigos. Então, gritou:

– Já que me forçais a isso, vou fazer a única coisa que é possível. Todos os que são meus amigos virem a cabeça para outro lado!

E ergueu bem alto a pavorosa cabeça da Górgona. Enquanto falava, um dos mais fortes capitães de Fineu suspendeu a lança e berrou:

– Vá tentar tua mágica em outras pessoas, pois não nos assustas!

No exato momento em que assestava a lança para arre­messá-Ia, transformou-se em uma estátua de pedra, com a mão em elevação e imóvel. Outros também imobilizaram-se em seus lugares, alguns com os lábios semi-abertos, ou com bocas escan­caradas que vinham proferindo gritos de batalha; outros no ato de se desviarem do golpe de uma arma; e ainda havia os que mostravam olhares de perplexidade em suas faces de mármore. Duzentos tinham sobrevivido à peleja; duzentas estátuas, em atitudes várias, espalhavam-se agora pelos salões.

Quanto a Fineu, não havia visto a cabeça da Górgona, porem para todo lado que olhasse deparava com seus amigos e colegas transformados em pedra. Com a cabeça voltada e estendendo as mãos, disse:

– Perseu, tu ganhaste. Afasta, rogo-te, essa cabeça, essa cabeça horrível que faz homens virarem pedra. Reconheço que fui derrotado, como, também, reconheço que mereces Andrômeda. Nada peço, ó grande herói, exceto a minha vida.

Assim falou ele sem ousar olhar na direção de Perseu.

Este respondeu:

– Covarde, não vou matar-te com minha espada, mas te tornarei um monumento que perdurará por séculos e agradará os olhos de meu sogro e minha esposa.

Carregou a cabeça da Górgona até onde Fineu se achava e, apesar dos esforços deste para esquivar-se àquela visão, foi atingido por seu poder. As lágrimas de covardia que lhe ro­lavam pelo rosto apavorado converteram-se em pedra: as mãos suplicantes, as costas curvadas servilmente e o olhar abjeto foram fixados em mármore.

Vitorioso sobre os inimigos e seguro da posse da esposa, Perseu ainda precisava descobrir o que estivera acontecendo durante sua ausência à mãe na pequena Ilha de Sérifo, e lá chegou exatamente a tempo de salvar-lhe a vida; embora o bondoso pescador tivesse feito o que estava ao seu alcance para protegê-la, o Rei Polídetes continuara perseguindo-a, e, quan­do Perseu chegou à ilha, ela se havia refugiado no altar de Minerva. Perseu dirigiu-se imediatamente ao palácio, onde encontrou o rei inexorável e antagônico como sempre. Ele ameaçou o herói com violência e se recusou a acreditar que ele havia matado a Górgona.

– Nesse caso, convencei-vos com vossos próprios olhos e que essa convicção fique fixada neles – disse Perseu, e, erguendo a cabeça do monstro à sua frente, transformou o rei em pedra, fazendo com que o bondoso Díctis se tornasse rei em seu lugar.

Em seguida Perseu ofertou a Minerva em seu templo a cabeça da Górgona, passando a deusa a carregá-Ia presa ao escudo. Em companhia da mãe e da esposa, Perseu retomou ao seu ancestral reino de Argos, seguro de que agora, após suas importantes façanhas, o avô, Acrísio, o perdoaria, e ansioso por colaborar com ele em uma guerra em andamento. A caminho de Argos, parou em Larissa, cujo rei estava realizando competições esportivas. Perseu competiu no setor de arremesso de disco e o primeiro que lançou ultrapassou os limites do estádio e caiu entre os espectadores. Perseu entristeceu-se ao saber que o disco matara um ancião e mais penalizado ainda ficou ao constatar que não era outro senão seu próprio avô, Acrísio, o qual, tendo tomado conhecimento de que Perseu se achava em viagem de retorno a Argos, e ainda temeroso das palavras do oráculo, abandonara a região, mal sabendo que iria encontrar casualmente o neto pelo caminho.

Depois dessa ocorrência, Perseu recusou o reino de Argos. Primeiramente viveu por algum tempo nas proximidades, no imenso castelo de Tirins à beira-mar, e mais tarde fundou o reino de Micenas. Em Atenas foi-lhe erigido um templo, no qual havia um altar especialmente consagrado a Díctis, que tão bondoso se mostrara para com sua mãe.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra - Pós-doc em Filosofia Membro do Viktor Frankl Institute Vienna Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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