Estudo trata da intervenção psicossocial em saúde e da formação do psicólogo

Um estudo realizado por João Leite Ferreira Neto, da Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais, discute os temas "intervenção psicossocial" e "formação do psicólogo", acerca de um caso de intervenção em uma escola pública da cidade de Belo Horizonte; a análise do caso baseia-se na obra de Michel Foucault, além da reflexão sobre a formação em psicologia, associada a essa experiência.
Um estudo realizado por João Leite Ferreira Neto, da Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais, discute os temas "intervenção psicossocial" e "formação do psicólogo", acerca de um caso de intervenção em uma escola pública da cidade de Belo Horizonte; a análise do caso baseia-se na obra de Michel Foucault, além da reflexão sobre a formação em psicologia, associada a essa experiência.

Doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP e professor do mestrado em Psicologia na PUC Minas, Ferreira Neto focou sua pesquisa na intervenção realizada em uma escola estadual – de 1a a 4a série -, e tinha como vizinha uma unidade de saúde municipal, onde trabalhavam os profissionais responsáveis pelas ações. Tal prática de intervenção já havia ocorrido há mais de uma década – entre 1992 e 1994 – e foi retomada com o intuito de atualizar diversas questões que tratam da atuação e da formação dos psicólogos, especialmente nas chamadas "novas áreas de atuação".

Outras pesquisas apontam para um número crescente de psicólogos atuando na saúde pública; no entanto, muitos deles têm que atuar em outras áreas que demandam conhecimentos diferentes, entre os quais se destacava o atendimento de crianças com problemas de aprendizagem e/ou comportamento; em grande parte dos casos, não havia uma real necessidade de atendimento clínico, o que acabava desenvolvendo um movimento de psicologização ou medicalização de seus problemas.

Para o estudo, foi criado um grupo multidisciplinar (GM), composto por funcionários da escola e do centro de saúde, e cujo propósito era discutir tanto problemas de aprendizagem quanto questões relativas à sexualidade, disciplina e outras dificuldades da Escola, através da leitura e discussão de diversos textos sobre o assunto. Simultaneamete às reuniões do grupo, os psicólogos e pediatras começaram a atender os casos dos alunos considerados problemáticos pelas professoras. No entanto, nenhum aluno foi recebido sem antes haver uma discussão prévia do caso no GM

Segundo o autor, houve dificuldades durante todo o processo. A primeira delas era a rotinas exaustiva de trabalho, tanto na escola quanto no centro de saúde. Outro elemento que dificultava a atividade era a desvalorização, por parte dos poderes públicos, dos funcionários da educação e da saúde, através do pagamento de baixos salários e das condições precárias de trabalho. Resultado disso são as greves, que acarretavam longas interrupções no trabalho do GM. A formação precária ou quase nula das professoras também prejudicou o projeto.

Ferreira Neto explica que o projeto teve duas etapas bem definidas. A primeira consistia na centralização de ações e da reflexão no GM. Na segunda, as ações retornaram a seus lugares específicos, preservando-se assim a autonomia de ambos. Após a experiência, a escola passou a ter uma preocupação maior com a educação do corpo docente e funcionários, além de um maior reconhecimento de fatores institucionais e pedagógicos. Para a equipe do centro de saúde, foi possível apreender o efeito das práticas de promoção de saúde, além da contenção na demanda "artificial" de consultas médicas e psicológicas. Além disso, Ferreira Neto explica que a análise da experiência indicou a necessidade de uma nova reflexão a respeito da direção dada a esse tipo de trabalho.

Para mais informações a respeito do estudo:

Psicologia & Sociedade

Por Carla Destro para RedePsi

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