A Saga do Herói: estratégia para superação de adversidades

Para o adolescente com fissura de lábio e/ou palato os conflitos vivenciados na adolescência podem ser mais acentuados. Sendo assim, desenvolveu-se um trabalho para se verificar a possibilidade da utilização de recursos míticos nas situações estressantes. A pesquisa foi realizada com 25 adolescentes, de ambos os sexos, com idade entre 14 e 20 anos, internados para tratamento cirúrgico, no HRAC/USP. Utilizou-se de uma entrevista semi-estruturada a qual embasou uma vivência. Os resultados mostram que maioria dos jovens entrevistados foi capaz de se identificar com a saga do herói, utilizando-se desta como estratégia para viabilizar habilidades de enfrentamento.
Para Bachega (1993, p. 1) “a adolescência é uma fase do desenvolvimento humano caracterizada por transformações biopsicosociais marcantes, determinadas por fatores genéticos e ambientais; é o período de transição entre a maturação dos órgãos sexuais e a idade adulta”. Por isso, segundo Takiuti (1988, citado por Bachega 1993) os adolescentes são espelhos da comunidade e quando lhes são atribuídas características e estigmas, aparece o reflexo no indivíduo. Isso quer dizer que, o adolescente se percebe conforme o modo como é visto ou tratado pela sociedade.

“Para os adolescentes com fissura lábio-palatal, além de todo o conflito pertinente à fase, existem àqueles que podem surgir devido ao seu problema (Andrade, D. e Angerami, E. L. S., 2001, p. 38)”. Isso pode ocorrer devido às identificações e idealizações que ocorrem na adolescência.
Para o jovem, o fato de ser diferente pode despertar o sentimento de inferioridade. Isso quer dizer que, o adolescente tende a modelar sua auto-estima conforme o modo em que percebe que é tratado pelas pessoas com quem se relaciona.

Para os indivíduos com deformidades faciais e dificuldades da fala, o relacionamento social pode ser gerador de estresse. Isso porque, conforme Bachega (1993), as fissuras lábio-palatais causam alterações físicas e funcionais no terço médio da face, e consequentemente, necessitam de um processo de reabilitação que deve se iniciar com o nascimento e perdurar até, aproximadamente vinte e um anos de idade.

Alguns optam por interrompê-lo, alegando satisfação com os resultados, porém, restringindo-se de contatos sociais. Muitos até abandonam os estudos e/ou desistem de lutar por uma oportunidade no mercado de trabalho. Contudo, há aqueles adolescentes que, mesmo com toda adversidade imposta pelo fato de ter uma fissura, dificuldade da fala e pelo longo tratamento, optam por enfrentar.

Esta trajetória de descobertas pode ser comparada com a saga do herói da mitologia grega, sendo definido como o mito do herói. Desta forma, “o homem é visto tanto à luz de sua problemática atual, como à luz de sua história; como um ser dotado de potencialidades” (Jung, 1985, p.15).
“Os sujeitos portadores de fissuras orais congênitas enfrentam muitas barreiras para atingir um desenvolvimento psicológico satisfatório”. (Andrade, D. Angerami, E. L. S. 2001). Isso pode ocorrer porque na adolescência existe a formação da imagem corporal. Assim, para um desenvolvimento psicológico adequado é necessário que o adolescente não desenvolva uma auto-imagem distorcida ou negativa.

Para Monteiro, M. R. (2002) os adolescentes são indivíduos que enfrentam uma profunda evolução, quer física, quer psicológica, alguém em busca de um herói que o acompanhe na descoberta de novos mundos e do seu próprio potencial. Através da identificação com o herói, o adolescente “vive” as mesmas aventuras, os mesmos perigos e supera os mesmos obstáculos que, ao nível psicológico, ameaçam o desenvolvimento psíquico. Isso quer dizer que, como o herói Teseu da mitologia grega, o adolescente com fissura de lábio e/ou palato enfrenta obstáculos. Obstáculos estes que podem ser representados pelas várias cirurgias para correção de seu problema.

Ainda conforme Monteiro, M. R. (2002), o herói que parte em demanda, quando regressa; se foi bem sucedido está psicologicamente transformado, já não é o mesmo indivíduo que partiu, mas alguém que atingiu um grau superior de sabedoria, que conseguiu aprender com a experiência vivida.
 
“Para que o herói inicie seu itinerário de conquistas e vitórias, o futuro bem feitor da humanidade vai desprender-se das garras paternas e ausentar-se do lar, por um período mais ou menos longo, em busca de sua “formação iniciática.” (Brandão,1987, p. 23).

A trajetória do herói em busca do desenvolvimento e a transformação após a experiência vivida pode ser comparada a resiliência.

Por resiliência entende-se o conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam o desenvolvimento saudável do indivíduo, mesmo este vivenciando experiências desfavoráveis. Envolve a interação entre eventos de vida adversos e fatores de proteção internos e externos ao indivíduo. “Estudos apontam que existem algumas variáveis que operam como protetoras à adversidade, são elas: as características de personalidade, como a auto-estima, flexibilidade, e habilidade para a resolução de conflitos, coesão e bom relacionamento na família, disponibilidade de suporte externo que encoraje e reforce as estratégias de coping, especialmente do grupo de pares, escola e comunidade. (Pesce, R. P. et al, 2005, p. 25).

Para Millar (1980, citado por Rodrigues et al 2000), o coping consiste de respostas, aprendidas ou não, que são adequadas para diminuir ou neutralizar condições adversas. Ou seja, pensamentos e atos utilizados para resolver problemas e diminuir o estresse.

Flach (1991, citado por Pinheiro D. P. N. 2004), descrevem o termo resiliência como forças psicológicas e biológicas exigidas para atravessar com sucesso as mudanças da vida. Para ele, o indivíduo resiliente é aquele que tem habilidades para reconhecer a dor, perceber seu sentido e tolerá-la até resolver os conflitos de forma construtiva. É quando o indivíduo, exposto as adversidades, violências e catástrofes, consegue se recuperar psicologicamente.

Tavares (2001, citado por Pinheiro D. P. N. 2004) afirma que, o desenvolvimento de capacidades de resiliência nos sujeitos pela sua capacidade de auto-regulação e auto-estima, ajuda as pessoas a descobrir as suas capacidades, aceitá-las e confirmá-las positiva e incondicionalmente, bem como, de se tornarem mais confiantes para enfrentar a vida do dia-a-dia por mais adversa e difícil que se apresente.

A partir disso, foi desenvolvido um programa de trabalho com o intuito de averiguar como a mitologia pode contribuir diante dos reflexos de eventos estressores na vida de adolescentes com fissura lábio-palatal, submetidos à cirurgia plástica para correção de nariz e/ou boca.
 

Objetivos

Averiguou-se as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos adolescentes diante do procedimento cirúrgico para a correção de boca e/ou nariz. Além disso, a possibilidade de recursos míticos serem utilizados para vencer as situações de vida estressantes.

Materiais e Métodos
 
A pesquisa foi realizada no HRAC/USP com 25 adolescentes de ambos os sexos, com idades variando de 14 a 20 anos, internados e submetidos à cirurgia plástica para correção do nariz e/ou da boca, localizados através da planilha de cirurgias.

O método utilizado foi qualitativo através de entrevista semi-estruturada.

O trabalho foi desenvolvido em dois momentos, sendo um antes e outro após a cirurgia. Inicialmente foi feita uma entrevista individualmente com os adolescentes em espera cirúrgica. A mesma constou de questões referentes à fissura, situação cirúrgica e expectativa de vida, bem como os meios utilizados para superar as situações estressantes. Cada questão da entrevista representou barreiras a serem superadas pelo herói em sua saga.

A seguir, foi realizada uma vivência com os entrevistados que haviam passado pela cirurgia, divididos em grupos de três adolescentes, na qual foi abordada a questão do enfrentamento de adversidades; expectativas e motivação para vencê-las. Para o desenvolvimento da vivência foi trabalhado o Mito de Teseu, por meio do qual, houve também elucidação das questões que foram levantadas na entrevista. Foi feita a exposição do mito de forma oral para o grupo, e em seguida uma discussão sobre os feitos deste, e o que significa ser herói para cada um.

Resultados

As questões da entrevista representam adversidades que o adolescente foi capaz de superar ou enfrentar adquirindo experiência, consideradas em analogia com as barreiras enfrentadas pelo herói Teseu em sua saga.

1.Como você vê a fissura?

Segundo White (1974, citado por Gimenez 1997) o enfrentamento refere-se à adaptação sob condições muito difíceis.  Segundo um jovem de 19 anos, sua fissura é algo que já foi corrigido, não se considerando um deficiente físico. “Faço teatro e meu diretor disse que eu mesmo chamava a atenção para minha fissura, hoje consegui superar isso”. “Estas condições ocorrem quando a pessoa enfrenta mudanças drásticas de vida ou problemas que exigem novas formas de comportamentos e provocam emoções ou estados afetivos desconfortáveis e quando o alívio destes estados exige adaptação”. (White (1974, citado por Gimenez 1997).A família também foi considerada um ponto crucial para que a fissura fosse vista pelo adolescente como uma característica sua, de acordo com Rodrigues (2000). “Desde o começo meus pais me ajudaram, comecei a tratar desde muito nova” (16 anos, sexo feminino). De acordo com Pesce (2005), o bom relacionamento em família serve para encorajar o jovem na superação de adversidades.

2. Como se sente perante esse problema?

As diferentes maneiras de se enfrentar as situações adversas dependerão do meio cultural, valores e crenças, habilidades e apoio social e recursos materiais. Alguns jovens podem avaliar a situação adversa, utilizando-se de sua capacidade de enfrentamento positivo, podendo perceber esta como menos assustadora, e com isso controlando-se emocionalmente. “Todo mundo gostaria de nascer perfeito, mas problemas todos têm, já sofri, mas me acostumei” (19 anos, sexo feminino). “Normalmente tento manter o bom humor”. (19 anos, sexo feminino). “Passei a aceitar minha nasalidade, coisa que melhorou” (19 anos, masculino).

3.Como age diante dos problemas encontrados em decorrência da fissura?

Por meio do enfrentamento positivo estes adolescentes podem ser considerados como resilientes, ou então, que vivenciaram o mito do herói, em termos de mitologia grega, conforme Brandão (1987). Por isso, de acordo com Ralha – Simões, (2001, citado por Pinheiro, 2004), o indivíduo resiliente parece de fato salientar-se por uma estrutura de personalidade precoce e adequadamente diferenciada, a par com uma acrescida abertura a novas experiências, novos valores e a fatores de transformação dessa mesma estrutura, que apesar de bem estabelecida, é flexível e não apresenta resistência à mudança. Como na fala de uma adolescente de 14 anos – “Fico chateada quando caçoam de mim, mas tento relevar. Quando criança era pior, hoje depois de várias cirurgias quase não reparam”.Diante das situações adversas, estes adolescentes demonstraram enfrentar positivamente, gerando alívio, gratificação, tranqüilidade e equilíbrio. Perante essa observação, torna-se pertinente frisar que o relacionamento com familiares e amigos, aspectos sociais e econômicos, interação com o ambiente e estilo das práticas parentais contribuem para que a pessoa supere uma crise.

4. Como vê o procedimento cirúrgico para o qual está se preparando?

Para alguns adolescentes, o procedimento cirúrgico pôde se percebido como estressor, ameaçador, perigoso, sofrido. Isso, através do relato destes – “na minha opinião não precisaria fazer, mas o médico solicitou. Estou com medo”. (19 anos, sexo feminino). Já os adolescentes considerados resilientes, foram capazes de enfrentar positivamente a espera cirúrgica demonstrando força, sucesso e motivação para prosseguir com o tratamento; características estas condizentes com o herói, que não desiste diante de um obstáculo. “Sinto muita força de vontade, pois estou realizando um sonho que está perto” (14 anos, sexo feminino). “Estava num dilema, porque cirurgia não dá para voltar atrás como algo que se erra e se apaga, mas pensei e decidi fazer” (19 anos, sexo masculino).De acordo com Pinheiro (2004), a resiliência não é uma qualidade que nasce com a pessoa e, ainda é muito mais do que uma simples combinação de condições felizes. Isso quer dizer que, as habilidades para se enfrentar positivamente as situações adversas são desenvolvidas ao longo da vida da pessoa. Por isso, que se devem considerar as qualidades próprias do indivíduo, o ambiente familiar favorável, como também as interações positivas entre estes dois. Para os adolescentes em questão essa capacidade de enfrentar positivamente foi reforçada por elementos do ambiente. Como explicita uma adolescente de 14 anos – “os profissionais nos preparam bem, com muita informação. Medo todos tem, mas o hospital dá apoio” (14 anos, sexo feminino). “Me sinto bem porque tiro todas as dúvidas” (15 anos, sexo feminino).  

5. O que você espera que essa cirurgia modifique em sua vida?

A motivação para fazer planos e agir diferente no futuro foi um dos pontos cruciais para que o adolescente pudesse enfrentar obstáculos, como também a capacidade de retirar experiência destes. Isso pode ser observado no relato de alguns deles – “vai mudar minha aparência física, com menos cicatrizes e com isso aumentar meus relacionamentos” (16 anos, sexo masculino). “Vai abrir muitas portas, como trabalho e amizades” (17 anos, sexo masculino). “Vai melhorar minha aparência, convivência com outras pessoas, depois que operar vou ficar normal” (18 anos, sexo masculino).

6. Como lida com o fato de se submeter a mais esta cirurgia?

Mechanic (1976, citado por Gimenez 1997), define o enfrentamento como um comportamento que demonstra a capacidade da pessoa para resolver problemas decorrentes das exigências e dos objetivos de sua vida, envolvendo o uso de habilidades diversas, técnicas e conhecimentos que a pessoa vem adquirindo ao longo de sua vida.As estratégias de enfrentamento podem poupar as pessoas de sofrer danos psicológicos, em virtude de experiências sociais nocivas. Por isso, o enfrentamento das adversidades, como as várias cirurgias, por estes adolescentes pôde contribuir para evitar, controlar ou prevenir que o nível de estresse pudesse gerar algum dano.Devido ao fato de uma cirurgia ser um procedimento evasivo, pode ser vista pelo adolescente como ameaça, porém, se este for capaz de enfrentar de maneira positiva, poderá ser vista como um desafio, conforme Andrade et al (2001). Grande parte dos adolescentes entrevistados demonstrou essa identificação através de sua ânsia por completar todas as cirurgias, perfazendo assim, a saga do herói – “Estou mais ciente dos procedimentos, da dieta, sei que não poderei sair à noite por um tempo” (19 anos, sexo feminino).

7. Como se vê depois de ter passado por várias cirurgias?

Como é ver esse processo chegar à fase final?

Esta questão vem representar o herói após superar os vários obstáculos encontrados em sua saga, em comparação com o adolescente que já enfrentou vários procedimentos cirúrgicos; e que como o herói apresenta-se prestes a alcançar seu apogeu, de acordo com Jung (1985). “É cansativo vir pra Bauru, mas quando chegar o final vai ser uma glória. Olho para trás e vejo que estou chegando ao fim, isso me anima” (14 anos, sexo feminino). “Vai dar saudade do Centrinho e das amizades que fiz. Sinto como um ponto final, venci as etapas mesmo com as pressões” (17 anos, sexo masculino).O enfrentamento positivo da situação cirúrgica pôde ser demonstrado pelos adolescentes como um desafio, algo a ser vencido, em comparação com a saga do herói, de acordo com Monteiro (2002). “Me vejo como uma pessoa que conseguiu passar por tudo, caindo e me reerguendo, vendo o que era melhor para o futuro e seguindo em frente. É muito bom estar completando mais uma fase, é uma sensação única” (17 anos, sexo feminino).  Os adolescentes denominados resilientes vêm de casas onde as regras são consistentes, os pais são competentes e afetuosos e disponíveis ao diálogo com os filhos. O resiliente possui autoconfiança, acreditando que terá oportunidades na vida, portanto apresenta boas expectativas para o futuro. (Pinheiro, 2004, p. 56)

8. O que cada cirurgia representou em sua vida?

Esta questão representa a evolução, ou seja, vem mostrar as aquisições que o adolescente foi tendo desde o início de sua trajetória com a cirurgia de queiloplastia, passando pela palatoplastia, alongamento de columela, queiloplastia secundária, enxerto ósseo alveolar, ortognática até chegar à rinoseptoplastia. Em cada cirurgia foi necessário que o adolescente enfrentasse situações adversas e estressantes, como a espera pela cirurgia, viagem até Bauru, rotina de internação, o jejum, a espera cirúrgica, o pré-anestésico, o caminho para o centro cirúrgico, o pós-operatório, a dieta e enfim, o resultado tão esperado, como explanado por Bachega (1993).

Todas estas etapas puderam ser enfrentadas de maneira positiva pelos adolescentes em questão, demonstrando também o aprendizado através da experiência.  “Representaram algo que temos que passar, mas que no final vencemos, mudamos. Trouxeram amadurecimento, transformação. Houve mudança na aparência e no psicológico. Meu caso não é o pior, nasci com todos os dedos e vou precisar deles porque quero ser médica. Todos nascemos sem alguma coisa e com alguma coisa” (14 anos, sexo feminino). “Me sinto como se tivesse nascido de novo, vida nova. Mudado tudo em meu interior e no exterior; sou mais feliz” (16 anos, sexo masculino). “Foi um grande passo na minha evolução tanto física como psicológica” (17 anos, sexo masculino). “Um marco, daqui para frente é outra vida” (17 anos, sexo masculino). “A cada cirurgia que fui fazendo foi melhorando, como um degrau que fui subindo, me animando, minha auto-estima aumentando. Fui entrando na sociedade” (18 anos, sexo masculino). “Foi uma mudança total em minha vida” (19 anos, sexo feminino). “Foram etapas que tive que vencer para alcançar o final” (19 anos, sexo masculino).

Com essas falas podemos comparar a superação das adversidades impostas pela condição de ter uma fissura, bem como a situação cirúrgica com as barreiras enfrentadas pelo herói até conseguir concluir sua saga.

Vivência

De acordo com as falas dos adolescentes, a partir do relato da saga do herói Teseu, pôde-se perceber que, a grande maioria se identificou com este.“Me considero vitorioso por ter conseguido passar por todas as cirurgias e chegar até onde cheguei. Também, depois de tudo houve uma transformação, e considero minha história parecida com a de Teseu. Tive a coragem e a vontade de passar por tudo para alcançar a vitória no final” (15 anos, sexo masculino).

Para uma adolescente de 14 anos, a oportunidade de estar no hospital já é uma vitória. A nossa trajetória pode ser comparada a do herói porque chegamos até aqui, vencemos e não desistimos até chegar ao resultado que tanto almejamos”.“Minha história é parecida com a do herói, porque temos a coragem para encarar a cirurgia, como se esta fosse o minotauro. Assim como ele venceu o minotauro, nós vencemos a cirurgia” (sexo feminino, 16 anos).Segundo relato de um adolescente de 19 anos. “Não sou mais a mesma, estou com mais vontade de lutar, de ver a vida diferente, agora me considero mais forte, não é qualquer coisa que me abala”,“Lutei para fazer cada cirurgia, a cada dia estou vencendo uma batalha” (17 anos sexo masculino).“Venci obstáculo, a fissura” (17anos, sexo feminino).Foi observado, por meio dos relatos, que os adolescentes, cujas famílias funcionam como alicerce, foram capazes de ver os eventos estressores como um meio de adquirir maturidade. Com isso, os adolescentes em questão, assim como o herói Teseu, puderam enfrentar positivamente as situações esstressoras.   

Conclusões

Foi possível verificar que o adolescente em sua identificação com o herói, trás à tona as suas dificuldades e conflitos, refletindo, fortalecendo e organizando-se para superação desta condição difícil de delicada.A experiência favoreceu o processo de transformação ao criar condições para o amadurecimento pessoal.No caso do herói, as barreiras impostas por inimigos, monstros, fenômenos da natureza podem ser representadas pelas cirurgias pelas quais os adolescentes passaram. Quando essas barreiras são transpostas com sucesso pelo herói, este se torna acrescido de experiência, assim sofre uma transformação, deixando de ser a mesma pessoa que iniciou a saga. E o fato do herói conseguir ultrapassar as barreiras com sucesso, representa o enfretamento positivo das adversidades enfrentadas pelo adolescente em questão, principalmente da situação cirúrgica.Dessa forma, conclui-se que a saga do herói pode representar uma estratégia positiva para se refletir sobre adversidades.    

Referências
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