Especialistas afirmam que crise financeira já causa impacto na saúde mental de americanos

Esta semana, o caso de um gerente financeiro que matou cinco pessoas de sua família antes de se suicidar, em Los Angeles, levou às primeiras páginas dos jornais o custo psicológico da crise econômica que os Estados Unidos atravessam.
Esta semana, o caso de um gerente financeiro que matou cinco pessoas de sua família antes de se suicidar, em Los Angeles, levou às primeiras páginas dos jornais o custo psicológico da crise econômica que os Estados Unidos atravessam.

O corpo de Karthik Rajaram, um empresário de 45 anos, assim como o de sua mulher, dos três filhos e o de sua sogra foram descobertos na segunda-feira pela polícia, em sua casa, em um setor residencial nobre, ao norte de Los Angeles, no Vale San Fernando (Califórnia).

Em uma carta à polícia, Rajaram disse que havia chegado à decisão de acabar com sua família e com sua vida, devido às suas dificuldades econômicas. Desempregado há vários meses, ele chegou ao fundo do poço, quando viu que o pouco que ainda restava de seu dinheiro estava virando pó no colapso de Wall Street.

A tragédia de Rajaram virou símbolo da crise financeira nos EUA. O próprio oficial da polícia que descobriu os corpos na segunda-feira, Michael Moore, comentou comovido: "Uma perfeita família americana destruída por um homem preso em uma cova de desespero absoluto."

O drama de Los Angeles aconteceu menos de uma semana depois que uma senhora de 90 anos, de Ohio, matou-se com um tiro após receber uma ordem de despejo da casa onde viveu os últimos 38 anos.

Esses dois infelizes acontecimentos alertaram sobre o impacto, na saúde mental das pessoas, da mais dura crise financeira vivida pelo país desde a Grande Depressão na década de 1930, afirmaram os especialistas consultados pela agência France Presse.

A psicóloga Nancy Molitor, que tem um consultório em Chicago (Illinois), disse que é enorme o número de pessoas em busca de ajuda por crises de ansiedade relacionadas à situação financeira.

Para ela, a sensação de atordoamento causada pelo turbilhão financeiro é comparável ao efeito do 11 de setembro de 2001, quando Nova York e Washington foram atacadas por terroristas, episódio que mergulhou o país em dias de angústia e luto. 

Os problemas, acrescentou Nancy, são bastante variados e vão desde pessoas que perderam milhões de dólares, ou casais com problemas porque não têm como pagar o colégio dos filhos, até o caso de uma mulher de 79 anos que "não pode se permitir morrer."

A professora de Psiquiatria Clínica na Universidade da Califórnia (San Diego) Judith Bardwick, avaliou que a enxurrada de manchetes nos jornais descrevendo o declínio da economia americana exacerbou sentimentos de impotência em um período de instabilidade no mercado de trabalho.

O porta-voz do Departamento de Doenças Mentais do condado de Los Angeles Ken Kondo, que prevê que um a cada cinco americanos sofrerá psicologicamente com a crise econômica, disse que o governo habilitou, nessa cidade, um serviço 24 horas para quem quiser pedir ajuda.

Notícia retirada da fonte:

Folha Online

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