Horda primitiva no feminino: o fim do Capitalismo?

Neste artigo, realça-se a relação da horda primitiva no masculino com a horda primitiva no feminino, nas suas relações com o Capitalismo global, passando por um fulcro teórico que é a culpabilidade sexual feminina.
A horda primitiva ( Laplanche & Pontalis, 1990 ), considerada por Freud, ou seja, um primata macho dominante ser atacado e comido pelos machos aspirantes ao acesso e à cópula com as fêmeas, acto esse que terá sido o precursor do início do sentimento de culpabilidade, e terá levado a um maior, ou grande, desenvolvimento psíquico da espécie humana, terá sido mais importante relativamente aos homens, como se compreende. Isto, considerando o maior domínio, nas mais diversas sociedades, por parte dos homens.

Considera-se, importantemente, o desenvolvimento do Comunismo, como ideologia humana altamente progressista, particularmente com a sua elaboração do Homem-Novo, de futuro, em particular. Para mais, essa ideologia é mais tipicamente obsessiva, obsessivismo esse que é mais tipicamente masculino.

Ora, tendo em conta as características matriarcais do capitalismo ( predominância do histerismo, mais característico das mulheres, maior tendência das mulheres em fazer compras, com influência no consumo interno, utilização principalmente das características psicológicas femininas na publicidade, para fomentar o consumo, importante no capitalismo, etc. ), e a sua globalização, considerando o já dito, acerca do maior domínio, nas mais diversas sociedades, por parte dos homens, um grande factor de desenvolvimento psíquico das mulheres, em particular, e da espécie humana, em geral, é a horda primitiva no feminino. Será o unir colectivo por parte das mulheres para acabar com o Capitalismo, sentindo-se, lá está, culpabilizadas por isso, ou, tendo em conta o tal desenvolvimento da espécie, um outro sentimento, porventura, mais agradável.
Noutra nota, e relativamente à culpabilidade sexual na mulher, é de realçar a dessomatização da culpabilidade sexual, anteriormente somatizada, num contexto histérico e feminino. Neste contexto histérico, é de notar que a conversão somática histérica é simbólica, tem significado simbólico, ocorrendo ainda que o deslocamento do afecto entre as representações processa-se mais facilmente do que, por exemplo, no obsessivo ( Bergeret, 1997, 1998 ).

Isto é importante para o que é dito a seguir e para perceber melhor o contexto global do artigo. Tem-se, pois, anteriormente, a somatização, no soma, no corpo, da culpabilidade sexual sentida psiquicamente, e depois recalcada e convertida somaticamente. Isto na histeria. Quando há elicitadores externos de culpabilidade, esta será convertida do soma para a psique e sentida pela própria. Ou seja, é como se em vez de a energia advir da energia psíquica que é atraída para o complexo traumático que sofre a influência do sistema de culpabilidade, a energia advir da energia sexual somatizada. Tendo em conta a conversão de massa em energia ( psíquica ), isto leva a uma extrema culpabilidade, implicando isto que, em contextos societais, a histérica (ou o histérico, mas menos, porventura) é mais, ou particularmente, ou especialmente, vulnerável à censura política, dos media, censura envolvida nas relações interpessoais, etc…. Por outras palavras, a histérica é mais facilmente manipulada psiquicamente.

Assim, e considerando particularmente esta última nota, embora seja mais fácil influenciar psiquicamente a mulher no sentido de fomentar o Capitalismo, o seu desenvolvimento, também será mais fácil influenciar, e no sentido do maior, e grande, desenvolvimento psíquico da mulher, em particular, e da espécie, em geral, no sentido do fim do Capitalismo.

Referências bibliográficas

Bergeret, J. ( 1997 ). A Personalidade normal e patológica ( tradução portuguesa ). Climepsi Editores.

Bergeret, J. ( 1998 ). ( Dir. ) Psicologia patológica – Teórica e clínica ( tradução portuguesa ).  Climepsi Editores.

Laplanche, J. & Pontalis, J. B. ( 1990 ). Vocabulário da Psicanálise (tradução portuguesa ) 7ª Edição. Editorial Presença. Lisboa. 

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