Consequências biológicas, psicológicas, familiares e sócio-culturais do homossexualismo

Íris Ferreira dos Santos *¹
Julliana de Almeida Machado
Natanael Reis Bomfim *²

Resumo

Este artigo visa demonstrar as conseqüências biológicas, psicológicas, familiares e sócio-culturais do homossexualismo. Necessário se faz perceber que a convivência com as diferenças são pressupostos para a democracia, a discriminação contra homossexuais significa uma forma de violência e um retrocesso em nossa cultura, que precisam ser combatidos por todos os que se engajam na construção de uma sociedade justa e humana. As representações sociais que as pessoas têm da homossexualidade permitem entender a existência de diversas formas de preconceito. Além de apresentar os destaques científicos da homossexualidade, também será demonstrada a vida dos homossexuais e o preconceito que sofrem diariamente por serem excluídos da sociedade.

Palavras-chave: preconceito, exclusão, sociedade.

Introdução

A sociedade busca constantemente atualizar-se tanto no campo tecnológico quanto no científico, mas no que diz respeito a conceitos e pré-conceitos, há avanços e retrocessos principalmente quando o assunto é sexualidade e, mais especificamente, a homossexualidade.

De acordo com Azevedo (2003) a homossexualidade esteve presente na Sociedade desde os tempos mitológicos. As grandes orgias de Athenas já apontavam para a liberação do sexo entre iguais como uma prática natural.

Aos poucos os dogmas sociais e religiosos passaram a estigmatizar estas praticas e colocar seus praticantes ou defensores na clandestinidade. Heilborn (2004) salienta que não era de bom tom para as civilizações feudais nem para os nobres da época, bem como para a igreja, aceitar o relacionamento entre iguais. Iniciava-se aí uma verdadeira “caça as bruxas” que certamente se estende até os dias de hoje.

A sociedade contemporânea já aceita, de certo modo, algumas manifestações de preferência sexuais. Porém, ainda existe muita discriminação por parte da parcela do corpo social contra aqueles que optam por se relacionarem com pessoas do mesmo sexo.

O homossexualismo sempre gerou muito preconceito, muitos são os que aceitam normalmente o homossexualismo feminino ou masculino quando ele acontece na casa do vizinho, mas se a situação é dentro de casa, aí o preconceito, na maioria dos casos, aflora.

Dessa forma, a discriminação começa dentro da sua própria família. Raros são os casos de homossexuais que têm o apoio da família quando revelam a sua opção sexual. O que normalmente ocorre é a decepção dos pais pela opção do filho ou da filha. A discriminação dos parentes, amigos e da sociedade em geral. Muitos são obrigados a sair de casa para enfrentar a vida e lutar pelo seu espaço numa sociedade discriminatória.

Na escola, os meninos afeminados são excluídos do grupo dos meninos. O mesmo acontecendo com as meninas masculinizadas, pois os seus colegas não querem ser vistos em sua companhia, pois temem ser ridicularizados pelos demais companheiros de escola.
No trabalho, muitos são obrigados a esconder a sua verdadeira opção sexual para não perder o emprego. A mesma coisa na carreira militar, onde os homossexuais não são admitidos. Caso sejam descobertos são expulsos da corporação (PEREIRA JUNIOR, 2002).

Normalmente os homossexuais só deixam de ser discriminados quando conseguem mostrar a sua competência profissional. Talvez por causa das adversidades que a vida lhes impõe e da necessidade de superar toda espécie de humilhação. Com isso este artigo tem como  objetivo verificar as conseqüências biológicas, psicológicas, familiares e sócio-culturais do homossexualismo.


Papel, identidade e orientação sexual

O sexo de uma pessoa é determinado antes do seu nascimento por uma definição biológica. O papel sexual é determinado por leis sociais que indicam como cada sexo deve se portar. São leis culturais, não biológicas.

O indivíduo desenvolve dois esquemas de identidade sexual no cérebro. Um é o esquema de identidade de si mesmo e o outro é do sexo oposto.

Colaborando com o assunto, Papalia (2000), ressalta que a identidade sexual é a percepção de ser homem ou mulher que cada indivíduo tem a seu respeito. Ao contrário do que se acreditou durante muitos anos é diferenciada principalmente após o nascimento e infância. É determinada muito cedo, provavelmente até aos 2 anos de idade.

De acordo com Carrara (2003) a orientação sexual significa a expressão sexual de cada indivíduo por um membro de outro sexo, do mesmo sexo, ou por ambos os sexos. Não se sabe se a orientação sexual é determinada pelo social, por fatores biológicos ou ambos.

Desta forma, homossexualidade tem a ver com orientação sexual.

Guimarão (2004, p.44) salienta que:

O homossexual é um indivíduo, homem ou mulher, que tem uma preferência erótica por membros do mesmo sexo. O homossexual não faz esta escolha. A homossexualidade é parte da personalidade do indivíduo, cresce e se desenvolve com ele, sendo ou não assumida ou expressa abertamente. Geralmente o homossexual reconhece a realidade emocional e sexual da sua orientação. Freqüentemente ele luta contra este desejo, sente medo dele, da frustração que causará aos pais, e da pressão que sofrerá da sociedade.

Muitas vezes casa para esconder o que lhe é penoso, difícil de enfrentar.

O homossexual é freqüentemente estereotipado. Como se os homossexuais fossem todos iguais, tivessem as mesmas profissões, interesses, educação, estilo de vida, personalidade e aparência física.

Não é comum alguém se referir a uma pessoa como "ele é heterossexual", a não ser que esteja sendo discutida a sua orientação sexual.

Entretanto, "ele é homossexual", "bicha", são expressões que se ouvem para descrever um indivíduo. Esta classificação limita o homossexual como ser humano, enquadrando-o dentro de um estereótipo, esquecendo-se de que ele é gente e pode ser alto, baixo, gordo, magro, forte, fraco, bonito, feio, extrovertido, introvertido, rico, pobre, ilustrado, analfabeto, inteligente, burro, avarento, generoso, mas a sociedade teima em reduzi-lo apenas  à sua orientação sexual.

Causas, desenvolvimento e conseqüências do homossexualismo

São diversas as causas do homossexualismo, porém sempre ligadas à vida emocional e espiritual. Money (2004) explicita que há pessoas que foram iniciadas no homossexualismo quando eram crianças na maioria das vezes por um adulto da família ou vizinhança. Outras pessoas foram vítimas de abuso sexual. Outros ainda, cresceram em famílias desequilibradas, onde os papéis do pai ou da mãe estavam trocados ou indefinidos.

Góis (2005) aponta que muitos gays e lésbicas trazem em seu histórico uma mãe dominadora e/ou um pai apagado. Quando o homossexualismo não é fruto de aliciamento ou violência sexual, sua causa mais comum é o desequilíbrio da família.

Cada pessoa desenvolve a homossexualidade de uma forma, Money (2004) comenta que:
Umas começam a utilizar roupas e acessórios do sexo oposto, ou seja, meninos que gostam de vestir roupas da mãe ou irmãs, passar batom, brincar só com bonecas etc. Meninas que só vivem brincando com meninos, têm todo jeito de menino e gostam de usar as coisas do pai. Porém, esses comportamentos não definem a sexualidade a ponto de pensar que todo mundo que se torna gay ou lésbica começou assim.

Porém, há meninos muito masculinos e meninas muito femininas que podem vir a assumir a homossexualidade mais tarde. E outros que, mesmo tendo as atitudes que acabamos de descrever, não se tornarão homossexuais.
Guimarães (2004) aponta que:

Existem pessoas que sentem forte atração gay ou lésbica, mas não admitem. Por isso tornam-se os inimigos nº1 dos homossexuais quando estão em público. Fazem piadas depreciativas, xingam, batem etc. Mas no fundo gostariam de praticar o homossexualismo, apesar de não perceberem isso conscientemente.

Outros lutam em silêncio, mas uma vez exaustos, assumem publicamente a homossexualidade. O mesmo acontece com os que não se declaram homossexuais, mas levam uma vida ativa em boates, saunas, bares, "points" em geral freqüentado pelo público gay (GÓIS, 2005).

As primeiras conseqüências do comportamento gay/lésbico são o agravamento dos sentimentos de culpa, solidão e depressão. Apesar do prazer momentâneo de relação sexual, o homossexual não consegue evitar as angústias causadas por seu comportamento.

Por causa disso, muitos homossexuais se entregam a inúmeras aventuras, trocando de parceiros constantemente e correndo o risco de contrair doenças venéreas e AIDS (LAURENTI, 2004). Além disso, correm riscos de vida por saírem, na maioria das vezes, com pessoas que não conhecem. As estatísticas brasileiras são claras: "A cada três dias morre um homossexual violentamente."

Mas, as conseqüências podem ser tão variadas quanto os tipos de pessoas que praticam o homossexualismo. Por isso, há muitos que se entregam às drogas e ao álcool.

Discriminação e homofobia

A homossexualidade é tanto um fenômeno social quanto individual. Este tópico lida com os aspectos históricos e transculturais da homossexualidade e depois com o lugar da homossexualidade na sociedade ocidental contemporânea.

Dada a diversidade da cultura humana, Carrara (2003) diz que não é surpreendente que a homossexualidade seja expressa com uma ampla variedade de formas e seja vista de modos nitidamente contrastantes durante diferentes períodos históricos e em diferentes sociedades. Em algumas épocas e lugares, a homossexualidade era elemento aceito da vida cotidiana. Em outros contextos, tem sido considerada ofensa moral, punível com a morte ou designada como anomalia digna de pena a ser curada com tratamento médico.

Antropólogos culturais têm desenvolvido sistemas elaborados para caracterizar as estruturas sociais e funções associadas à homossexualidade dentro de sociedades em particular.

Colaborando com o assunto Heilborn (2004), enfatiza que o estigma social e a discriminação contra homossexuais continuam sendo forças poderosas na sociedade contemporânea, muitos sofrem agressões tanto físicas quanto psicológicas sem motivo algum aparente, praticadas por pessoas homofobicas ou seja que não gostam de gays.

O conceito de homofobia segundo Guimarães (2004) foi desenvolvido na década de 1970 para explicar o preconceito da sociedade contra homossexuais. De acordo com este paradigma, as pessoas se sentem ansiosas ou pouco à vontade ao lidar com questões referentes à homossexualidade ou quando lidam com homossexuais. Trabalham esse desconforto evitando o contato com questões dos homossexuais e com eles próprios. Este comportamento se torna entranhado porque efetivamente elimina o desconforto. Este comportamento é tão prevalente, sendo assim os homossexuais são marginalizados da sociedade.

A homofobia na visão de Heilborn (2004) também é usada para descrever sentimentos negativos e auto-relutância entre os homossexuais, o que não lhes permite uma reivindicação apropriada de tratamento não-discriminatório na sociedade.

Diante do contexto, e concordando com Freire (1996), que acredita que todo o indivíduo deveria libertar-se de valores padronizados dos quais a sociedade impõe, porque ela faz com que as pessoas internalizem normas e regras sociais, tornando próprias essa moral sexual repressiva, que juntamente tráz temores e insegurança, impedindo de viver suas vidas com plenitude.

Métodos e técnicas

A presente pesquisa insere-se no campo da psicologia social, cuja linha trabalha a abordagem social frente ao homossexualismo. Busca-se através de uma discussão teórica compreender as conseqüências biológicas, psicológicas, familiares e sócio-culturais do homossexualismo.

Para tal, utilizaremos metodologicamente a  pesquisa bibliográfica onde analisaremos a discussão teórica dos autores, sobre o tema.

Resultados e discussão

Homossexualismo consiste na colaboração entre duas pessoas do mesmo sexo com vistas à obtenção do prazer sexual, podendo ser tanto masculino como feminino.

Etimologicamente a palavra homossexual é formada pela junção dos vocábulos "homo" e "sexu". Homo, do grego "hómos", que significa semelhante, e sexual, do latim "sexu", que é relativo ou pertencente ao sexo. Portanto, a junção das duas palavras indica a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Heilborn (2004) comenta que o homossexualismo existe desde a Antiguidade. Em diversas sociedades era comum os homens manterem relações entre si durante certo período de suas vidas. Isso fazia parte da paternidade e do desenvolvimento, o que sem isso, pensavam eles, os seus filhos falhariam em ser homens crescidos, valorosos e robustos.

Carrara (2003) diz que o homossexualismo também era encontrado entre muitos povos selvagens, como também nas antigas civilizações, visto que era conhecida e praticada pelos romanos, egípcios, gregos e assírios. Entre outros povos chegou a ser relacionada à religião e a carreira militar, pois a pederastia era atribuída aos deuses Horus e Set. No entanto, foi entre os gregos que o homossexualismo tomou maior feição, pois além de representar aspectos religiosos e militares, os Gregos também atribuíam à homossexualidade características como intelectualidade, estética corporal e ética comportamental.

Góis (2005) ressalta que com o advento do Cristianismo, a homossexualidade passou a ser encarada como anomalia psicológica, sendo considerada um vício baixo, repugnante, sendo inclusive considerada crime entre os ingleses até a recente década de 60. Nos países islâmicos, ainda hoje o homossexualismo é considerado um tipo delituoso por ser contrário aos costumes religiosos.

Já Pereira Junior  (2002) enfatiza que na Idade Média a homossexualidade floresceu nos mosteiros e acampamentos militares. No período Renascentista, vários intelectuais da época Miguel Ângelo e Francis Bacon cultivaram paixões homossexuais.

Money (2004) contribui dizendo que saber se a homossexualidade é adquirida ou é congênita vem a ser outra questão importante. O autor coloca que é cientificamente provado que existem indivíduos que geneticamente nascem com uma diferença hormonal exteriorizada, ou seja, nos homens verificam-se traços afeminados e nas mulheres traços masculinos. Todavia, estas características não estão presentes em inúmeros casos, onde se verifica a prática da homossexualidade entre indivíduos que externamente não apresentam nenhuma característica homossexual em seu comportamento.

Uma questão bastante interessante foi colocada por Góis (2005), que enfatizou  o estudo da Psicanálise sobre homossexualidade, onde a mesma verificou a ocorrência da homossexualidade em um momento tardio da vida do indivíduo, ou seja, mesmo após uma longa parte da sua vida mantendo relações exclusivamente heterossexuais, inúmeros indivíduos passaram a manter relacionamentos homossexuais de forma intensa e apaixonada.

Considerações finais

A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que "Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade humana", reafirmando o princípio da igualdade e de não discriminação.
Considerando a Declaração dos Direitos Humanos, "Todos os homens são iguais perante a Lei" e, no entanto todos os homens são diferentes uns dos outros. Essa diversidade humana transforma-se em preconceito pela dificuldade da não–aceitação, pois os grupos possuem uma tendência de rotular como errado tudo que é diferente de sua própria conduta, não apenas no aspecto social, mas também no econômico e financeiro.

A discriminação é uma conduta tendenciosa contra ou a favor de uma pessoa ou grupo, pelo fato de pertencer a um outro grupo e não por méritos pessoais.

Normalmente o preconceito está relacionado à discriminação. Ela fere os princípios dos Direitos Humanos à medida que expõe e constrange pessoas. A relação entre a Psicologia e os Direitos Humanos se dá na tentativa de construir uma nova história, um novo pacto com a sociedade. O preconceito humilha e a humilhação social faz sofrer produzindo constrangimento e medo. É uma ação de dominação e poder que gera exclusão e no entanto todo ser humano tem direito de não sofrer desnecessariamente ou seja o direito de não ser humilhado por ser diferente.

Espera-se que a busca por uma visão mais humanística na experiência da sexualidade possa ser transmitida para todos aqueles que não respeitam a opção sexual e que essas pessoas procurem continuamente rever e trabalhar com seus (pré) conceitos.

Ficou evidenciado que o grupo dos homossexuais formam uma minoria considerada diferente perante aos demais que compõem a sociedade, mas que tem os mesmos direitos, sendo assim invioláveis a sua intimidade e vida privada, baseado no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal.

Conclui-se assim, que a discriminação é violenta e cruel, pois, apenas para atender preconceitos sociais e paradigmas, a sociedade, desde a família, ignoram e afastam do convívio social as pessoas homossexuais.

Referências bibliográficas

AZEVEDO, Eliane. Raça. Conceito e Preconceito. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2003.

CARRARA, Sérgio; SIMÕES Júlio Assis.  Sexualidade, cultura e política: a trajetória da identidade homossexual na antropologia brasileira. (2003) Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332007000100005&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em 21/09/08.

GÓIS, João Bôsco Hora . Homossexualidades projetadas. (2005) Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2002000200020&script=sci_arttext Acesso em 20/09/08

GUIMARÃES, Carmen Dora. O homossexual visto por entendidos. Rio de Janeiro, Garamond, 2004.

HEILBORN, Maria Luiza. Dois é par. Gêneroe identidade sexual em contexto igualitário. Rio de Janeiro, Garamond, 2004.
LAURENTI, Ruy. Homossexualismo e a Classificação Internacional de Doenças. (2004)

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TREVISAN,  João Silvério. Devassos no paraíso : homossexualidade no Brasil. São Paulo: Record, 2002.

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